Agente de saúde é a primeira indígena a ter coronavírus confirmado

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas confirmou hoje (1º) o primeiro caso do novo coronavírus entre índios brasileiros. Segundo a fundação, vinculada à secretaria estadual de Saúde (Susam), trata-se de uma jovem de 20 anos de idade, da etnia Kokama, que trabalha como agente de saúde indígena na região da cidade de Santo Antônio do Içá (AM).

Um profissional de saúde realiza um teste finalizado em um local de testes de coronavírus fora dos Serviços Comunitários de Saúde Internacionais no Distrito Internacional de Chinatown durante o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Seattle, Washington, EUA, em 26 de março de 2020. REUTERS / Lindsey Wasson

O município, que fica na microrregião do Alto Solimões, integra o Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões. Segundo a fundação, a paciente pode ter tido contato com o médico que atua no mesmo distrito e que também testou positivo para covid-19.

Só em Santo Antônio do Içá, há, além da jovem indígena e do médico, outras duas pessoas cuja doença já foi confirmada. De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, o caso da agente de saúde é o único confirmado entre índios em todo o Brasil. Mas outros 12 indígenas que tiveram contato com o médico, além de 15 integrantes da equipe de saúde, estão em isolamento preventivo, sendo assistidos pela Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena do DSEI Alto Solimões desde o 25 março.

Ainda de acordo com a Sesai, a agente de saúde não apresentou qualquer sintoma da infecção. Seus parentes também estão sendo assistidos e em isolamento. Além disso, ações de vigilância foram intensificada em toda a região a fim de tentar evitar que síndromes gripais e respiratórias agudas graves se espalhem.

O total de casos confirmados em todo o estado até esta tarde já chegava a 200, segundo o governo estadual. Destes, 179 foram registrados em Manaus; seis no município de Manacapuru; quatro em Itacoatiara; quatro em Santo Antônio do Içá e três em Parintins. As cidades de Boca do Acre, Anori, Novo Airão e Careiro da Várzea tem um caso confirmado cada.

Vinte e oito pacientes estão internados, 13 deles em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Além disso, três pessoas já morreram no estado em decorrência da doença e as causas de outros três óbitos estão sendo investigadas. Há ainda 106 casos de pessoas que apresentaram sintomas da doença, se submeteram a testes e aguardam os resultados.

Sobre a possibilidade de transmissão do vírus entre os indígenas, a Sesai afirma estar atenta, “trabalhando para atender aos mais de 800 mil indígenas aldeados e presentes em todo o Brasil”, em conformidade com as orientações técnicas para ajudar a prevenir, combater e tratar a infecção pela covid-19.

Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) lembrou que, por precaução, suspendeu a concessão de novas autorizações de entrada de não-índios em terras indígenas. E que está monitorando a situação nas aldeias, em parceria com a Sesai, que é a responsável por definir as instruções de prevenção da doença. A Funai, por sua vez, garante estar trabalhando “na orientação e difusão de informações junto às comunidade indígenas”.

Ministério da Saúde

No fim da tarde, ao apresentar os últimos números sobre a covid-19 no país, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a possibilidade de a doença se espalhar entre os povos indígenas é “uma grande preocupação” de todas as autoridades. “A história [demonstra que] os índios sempre tiveram uma resposta muito diferente [dos não índios] e podem ter curvas maiores em relação à morbidade e a letalidade em relação a esta doença. Estamos alertando. Já houve lideranças indígenas chegando [de viagem ao] exterior às quais foi recomendado que não fosse para a aldeia, que cumprisse uma quarentena de 14 dias, e que teimou e foi. Enfim, há que se tomar um cuidado triplicado nestas comunidades. Principalmente com aquelas que têm pouca convivência [com não índios] e um sistema imunológico não preparado para uma situação como esta”, declarou o ministro ao lembrar que hábitos culturais indígenas podem contribuir para propagar a doença entre suas próprias comunidades caso o vírus chegue às aldeias.

Publicado em 01/04/2020 – 18:52 Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – Brasília – Atualizado em 01/04/2020 – 20:24

Edição: Narjara Carvalh0

FOTO: Reprodução do site AGÊNCIA BRASIL/EBC

Matéria alterada às 20h24 para acréscimo da declaração do ministro da Saúde 

FONTE: EBC 

 

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