Suiá Missú – 60 famílias ainda estão na área

8 de Janeiro de 2013  - Jaime de Agostinho

Três dias após o término do prazo concedido pela Justiça para a desocupação da terra indígena de Marãiwatsédé, localizada em Alto Boa Vista (distante 1.064 quilômetros de Cuiabá), ao menos 60 famílias ainda estão no distrito de Posto da Mata, maior núcleo urbano dentro da reserva dos xavantes, porque não há para onde ir. Parte dos desabrigados está alojada em escolas das cidades vizinhas.

O pecuarista José Melo, 54 anos, é um dos que ainda estão no distrito. Ele afirma que já transportou o gado que criava em sua fazenda de 100 hectares para um pasto alugado, mas ainda não conseguiu arrumar um local para abrigar a própria família. O prazo concedido a ele termina amanhã.

Segundo Melo, boa parte dos moradores que deixaram suas casas tem enfrentado dificuldades como falta de alimento e água potável. “Estão colocando as pessoas num barracão que não tem água, luz, nada. Tem gente passando fome”, afirma.

O assentamento oferecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também é alvo de críticas devido à falta de infraestrutura. As famílias assentadas têm vivido em barracos de lona erguidos precariamente nos lotes cedidos pelo governo Federal.

Segundo a autarquia, elas devem receber um auxílio inicial de aproximadamente R$ 3 mil. Além disso, podem ser beneficiadas com um programa que concede R$ 15 mil de crédito para construção de novas moradias.

Melo, no entanto, afirma não haver qualquer notícia na localidade sobre quais famílias foram transferidas para o assentamento, que fica em Ribeirão Cascalheira. “Eu mesmo não conheço nenhuma”, diz.

As estruturas deixadas para trás pelos antigos moradores são destruídas pelos integrantes da força-tarefa, responsável pela desintrusão.

O comerciante João Camelo conta que as casas são demolidas logo após a desocupação. Em média, cada família recebe prazo de 24 horas para retirar seus pertences, segundo ele. “Se não sair eles entram metendo o pé na porta”, reclama.

Dono de uma loja de produtos veterinários, Camelo afirma já estar estabelecido em Canabrava do Norte, mas diz que muitos moradores ainda estão alojados em escolas públicas. “A parcela da população que tinha algum recurso, como eu, é muito pequena”, diz.

A cidade mais procurada é Alto Boa Vista, onde o Incra promete a criação de um assentamento para-rural, uma espécie de vila para as famílias que não tiverem perfil para desenvolver atividades agrícolas. O loteamento, contudo, também não está concluído ainda.

Por meio da assessoria, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou ainda não ter concluído o levantamento de quantas pessoas restaram dentro dos 165 mil hectares demarcados como propriedade dos Xavantes. Também não há expectativa de quando o trabalho de retirada dos posseiros será concluído para a efetiva devolução do território aos indígenas.

Atualmente, os cerca de 900 integrantes da aldeia Marãiwatsédé vivem numa área restrita. Durante o processo de desintrusão, houve registros de ameaças a eles.

Por: Laura Nabuco
Fonte: Diário de Cuiabá

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