Oficina sobre o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro fomenta ações de Salvaguarda

O Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro é entendido como um conjunto estruturado de conhecimento e práticas, formado por elementos interdependentes

Foto postada em: IPHAN

No período de 17 a 20 de julho de 2022, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) realizou a Oficina de Salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT – RN), inscrito no Livro de Registro do Saberes pelo Iphan em 2010. O evento contou com o apoio do Museu da Pessoa, Instituto Socioambiental (ISA), ForEco/RFN, Nia Tero e Prefeitura Municipal de São Gabriel da Cachoeira(-AM). A reunião teve como objetivo a construção de forma participativa para o início do mapeamento de lugares de concentração e ocorrência das práticas tradicionais.

A oficina documentou o conhecimento sobre o bem e computou dados que ajudarão no fomento de ações de salvaguarda no futuro. Ao final do evento, todos os presentes nos quatro dias de atividades ganharam certificados de participação.

Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT – RN)

O Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro é entendido como um conjunto estruturado de conhecimento e práticas, formado por elementos interdependentes: as plantas cultivadas, os espaços, as redes sociais, a cultura material, os sistemas alimentares, os saberes, as normas e os direitos. Sua inscrição no Livro de Registro dos Saberes foi realizada em 2010. As especificidades do Sistema são as riquezas dos saberes, a diversidade das plantas, as redes de circulação, a autonomia das famílias, além da sustentabilidade do modo de produzir que garante a conservação da floresta.

Esse bem cultural está ancorado no cultivo da mandioca brava (Manihot esculenta) e apresenta, como base social, os mais de 22 povos indígenas representantes das famílias linguísticas Tukano Oriental, Aruak e Maku (não identificadas). Os povos estão localizados ao longo do rio Negro, em um território que abrange os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas, até a fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. A Bacia do Rio Negro é formada por um mosaico de paisagens naturais que abrange a floresta de terra firme, campina, vegetação de igapó e chavascal, com uma diversidade que repercute na vida da população, especialmente nas atividades de caça, pesca, agricultura e na coleta de materiais para fabricação de artefatos e de malocas.

Os povos indígenas que habitam a região noroeste do Amazonas – ao longo da calha do rio Negro e das bacias hidrográficas tributárias – detêm o conhecimento sobre o manejo florestal e os locais apropriados para cultivar, coletar, pescar e caçar, formando um conjunto de saberes e modos de fazer enraizados no cotidiano. O Sistema acontece em um contexto multiétnico e multilinguístico em que os grupos indígenas compartilham formas de transmissão e circulação de saberes, práticas, serviços ambientais e produtos. É possível identificá-lo, uma vez que ele é elaborado, constantemente, pelas pessoas que o vivenciam.

Assessoria de Comunicação – IPHAN 

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