Real Forte Príncipe da Beira em Costa Marques-RO: Uma Perspectiva Arqueológica para sua Preservação

O Real Forte Príncipe da Beira (RFPB) está localizado na margem direita do rio Guaporé, na fronteira natural do Brasil com a Bolívia, no município de Costa Marques, a sudoeste de Rondônia. O Forte se encontra atualmente sob a guarda do 1º Pelotão Especial de Fronteira “Real Forte Príncipe da Beira”, do Exército Brasileiro, instituição que ocupa a área desde a década de 1930, tendo atuado desde então na salvaguarda daquele bem.

Figura 1: Vista de situação do Real Forte Príncipe da Beira às margens do Guaporé. Observe-se suas dimensões em relação às casas do entorno. Fonte: Arqueolog Pesquisas, 2020

Construído na segunda metade do Século XVII, o Forte é um bem tombado federal, cuja coordenada geográfica no ponto central da Praça de Armas é 12°25’40.48″S e 064°25’22.50″O.

Por sua posição estratégica, o Real Forte Príncipe da Beira representa um dos demarcadores da fronteira Oeste do Brasil, tendo garantido a posse do território à colônia portuguesa, tanto legal quanto belicamente, quando se discutia os limites entre as terras de Portugal e Espanha.

Permaneceu ativo até o final do século XIX, tendo sido abandonado após a instauração da República. Praticamente esquecido nos anos seguintes, foi quase que retomado pela floresta.

“Descoberto” e “redescoberto” em 1911 e em 1913, permaneceu isolado, à mercê das intempéries e quiçá da pilhagem.

A longo de sua história este forte não teria enfrentado combate armado, todavia sua presença certamente se impôs, provavelmente evitando eventuais tentativas de invasão daquela fronteira. Mas foi contra o tempo, contra as mudanças de armamentos, contra o abandono e as intempéries que suas estruturas lutaram todos estes anos, sobretudo a partir da instauração da República, quando foi abandonado. A perda das cobertas, certamente acelerou o processo de degradação; a queda do reboco foi outro fator que fomentou a desagregação das pedras que constituem as paredes.

A livre implantação da vegetação seja destruindo os telhados, seja medrando entre as pedras, provavelmente impôs severas baixas à sua estrutura.

Sob a guarda do Exército a partir da década de 30, só em 07/08/1950, o Real Forte Príncipe da Beira foi tombado como Bem Patrimonial da União, inscrito no Arquivo Noronha Santos, sob o número 281, assentado no Livro Tombo Histórico.

Atualmente, o Real Forte Príncipe da Beira integra a lista dos 19 Fortes, candidatos a Patrimônio Mundial, como Bem Seriado, cujo conjunto “representa as inúmeras construções defensivas implantadas no território nacional, nos pontos que serviram para definir as fronteiras marítimas e fluviais do Brasil”

Íntegra disponível em: Revista Noctua – Arqueologia e Patrimônio 

Marcos Antonio Gomes de Mattos de AlbuquerqueCoordenador do Laboratório de Arqueologia do Departamento de História da UFPE – marcos@brasilarqueologico.com.br

Veleda Christina Lucena de AlbuquerqueArqueóloga da Arqueolog Pesquisas Ltda. – veleda@brasilarqueologico.com.br  

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