“Socialistas Engomadinhos”

É muito fácil ser socialista usufruindo das benesses de um país capitalista e fazer a defesa da sua tese num barzinho sofisticado saboreando bebidas caras.

Na América só o Equador e o Paraguai, até agora, conseguiram escapar deste funesto flagelo.

A filosofia socialista é maravilhosa, mas o ser humano ainda não está suficientemente evoluído para colocá-la em prática. Os exemplos são por demais contundentes.

Entrevistei diversos refugiados venezuelanos em Boa Vista, RR, e Manaus, AM, e as histórias são por demais macabras.

Só a alienação mental e o fanatismo podem levar um ser “humano” enveredar por esta macabra trilha. Convido a cada um destes desvairados seres a ler o que escrevo a partir da página 89 do Tomo IV da coletânea “DESCENDO O RIO BRANCO”.

Perguntaram-me, certa feita, se tinha amigos “Petralhas” e respondi e responderei sempre – que não, que tinha apenas conhecidos. Não posso ser amigo de quem quer transformar meu país em uma Venezuela, Argentina, Bolívia, Guatemala, Cuba…

Que o Grande Arquiteto do Universo vos abençoe ilumine e guarde são os votos deste humilde Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.

DESCENDO O RIO BRANCO – TOMO IV

Crise Venezuelana

Origem da Crise Venezuelana

A Venezuela é detentora de uma das maiores re­servas petrolíferas do planeta ‒ uma benção concebida pelo Supremo Arquiteto que a ambição desenfreada, endêmica corrupção e desídia humana transformaram em uma praga maldita. Desde a 1ª Guerra Mundial a Venezuela foi se tornando um dos países mais urbani­zados da América Latina ao mesmo tempo em que foi deixando de lado qualquer tipo de investimento em outras indústrias, principalmente no agronegócio. O pe­tróleo foi responsável, nas últimas duas décadas, por um percentual que variou de 95% a 99% das exporta­ções venezuelanas.

O petróleo foi um investimento confiável e seguro enquanto o preço do barril estava no pico. De 2004 a 2015, no governo de Hugo Chávez e no início da gestão de Nicolás Maduro, a partir de 2013, o governo bolivariano navegava seguro nos mares dos “petrodólares” financiando paternalistas programas so­ciais e importando praticamente tudo que era consu­mido no país.

Em 2008, o barril de petróleo tinha alcançado um pico de US$ 138,54, em junho de 2014 ‒ US$ 114,92 e em dezembro, do mesmo ano, ‒ US$ 62,15. No início do ano de 2015 chegou US$ 46,59. Além da baixa cotação de seu principal produto de exportação, a produção também sofreu uma queda significativa, en­quanto nos idos de 1999, a Venezuela produzia mais de 3 milhões de barris por dia, na atualidade este volume caiu em mais de 50%.

O péssimo desempenho das Petrolíferas de Ve­nezuela (PDVSA), comparável à sua coirmã brasileira (PETROBRAS), ocorreu, também, em virtude da má gestão de seus dirigentes, devassos e incapazes. Não foi realizado nenhum investimento na infraestrutura da empresa minada por uma corrupção descomedida.

De 2017 até os dias de hoje, a justiça venezue­lana processou mais de 100 funcionários e dirigentes por corrupção. Entre 2014 e 2015, houve um desviou US$ 1,2 bilhão.

Outra grande contribuição para a deterioração das finanças da PDVSA foi a criação, pelo fanfarrão Hugo Chávez, da PETROCARIBE, que fornecia petróleo a preços mais baixos para os países caribenhos alinha­dos ao chavismo, com financiamentos a prazos por de­mais estendidos.

Refugiados Venezuelanos

Juiz Federal Oswaldo José Ponce Pérez

Juiz Federal Oswaldo José Ponce Pérez

[Baseado no Artigo da Brasil Norte Comunica­ção (BNC) de Israel Conte ‒ “Refugiado, Juiz Relata Perseguição Política e Morte na Venezuela”]

São inúmeros casos de perseguidos políticos e de esfomeados populares venezuelanos que procura­ram refúgio noutros países. Dados oficiais apontam para 2,3 milhões de refugiados, mas esse número é consideravelmente maior.

Na Colômbia mais de 1 milhão buscaram abrigo, no Peru mais de 400 mil, no Chile mais de 100 mil, Argentina quase 100 mil e no Brasil quase 50.000.

Muitos anônimos, outros, nem tanto, como é o caso do Juiz Federal venezuelano Oswaldo José Ponce Pérez. Perseguido desde o governo de Hugo Chávez e agora por Nicolás Maduro por ter se recusado a desa­propriar famílias que possuíam legitimamente terras em áreas de grande concentração de minérios. Relata-nos o juiz Ponce Pérez:

Foi quando o governo [na época Hugo Chávez] queria que eu me prestasse, junto com a Guarda Nacional e com o Ministério Público e todo aquele esquema de corrupção institucionalizada, a colocar 200 famílias na cadeia, simulando serem traficantes de drogas e de armas, para tomar suas terras. Como não aceitei eles começaram a me atacar, primeiro institucionalmente. Tentaram tomar meus bens, mas não conseguiram porque estavam todos declarados. Logo depois, tentaram me prender por crime militar, mesmo sem eu ser militar. Não conseguiram, pois tinham poder político, mas não tinham o conhecimento jurídico.

O juiz refugiou-se no Brasil, temendo por sua vi­da, depois de as forças bolivarianas terem incendiado seu carro, e, em 2013, assassinado seu filho mais velho, de apenas 24 anos. Narra-nos o juiz Ponce Pérez:

Acabaram com a minha vida, decidi abandonar meu país, porque o próximo passo deles seria me matar.

Nos dois anos que se seguiram regularizou sua documentação, vendeu a mansão em que morava e to­dos os seus bens para abandonar a Venezuela. Buscando refúgio no Brasil em virtude da crise política, moral e econômica que ainda assola sua Pátria.

Depois de uma traumática experiência como ajudante de mecânico de maus brasileiros, e este, infelizmente, não é um caso isolado, em que se aproveitando da situação desesperadora dos imigrantes usam de má fé fazendo-os trabalhar apenas em troca de comida e abrigo ou pagando-lhes um valor inferior ao combinado.

Infelizmente ouvimos muito relatos desses fatos em Boa Vista. Depois desta malograda tentativa o juiz resolveu ganhar a vida como artista de rua, tocando o violão clássico e harpa, instrumentos cuja técnica dominava há quase trinta anos. Conta-nos o juiz Ponce Pérez:

Levo os instrumentos para as ruas, praças e even­tualmente festas ou aniversários. É uma maneira de pagar as contas e me sustentar. A música é uma atividade espiritual, empreguei-a como alternativa para suportar o trauma causado por esta mudança tão brusca, e ainda levo alegria aos outros.

Ponce Pérez espera revalidar seu diploma de advogado e atuar na área de direito no Brasil. Sua ex­pectativa é de um dia voltar à Venezuela. Diz-nos o juiz Ponce Pérez:

Sempre gostei do Brasil. Já tinha vindo há muitos anos, como turista. É um povo hospitaleiro como nenhum outro do mundo. Agradeço em meu nome e em nome de todos os venezuelanos que estão vindo para cá. Claro que amo minha pátria, onde nasci, cresci e me formei. Gostaria de voltar um dia quando as coisas melhorarem. Mas quero ter dupla cidadania e uma residência aqui também.

Refugiado, juiz relata perseguição política e morte do filho na Venezuela (bncamazonas.com.br) 

(https://bncamazonas.com.br/poder/perseguicao-politica-venezuela-assassinato-brasil/)

PDVSA ‒ Patria Socialismo o Muerte

Engenheiro Jesus Luís Salazar

Perambulando por Boa Vista, RR, conheci Jesus Luís Salazar, um simpático engenheiro venezuelano que ainda não conseguiu definir qual a melhor alternativa a adotar. Vejamos a entrevista de Jesus:

Eu era engenheiro das “Petrolíferas de Venezuela” (PDVSA) e levava uma vida normal, tranquila, até que, de repente, a situação mudou drasticamente provocando uma mudança radical no modo de vida de todo povo venezuelano. Minha irmã veio para Boa Vista (RR) e abriu este negócio. Como ela está convalescendo de uma cirurgia eu vim substituí-la, temporariamente, até que ela se recupere totalmen­te. Enquanto isso, estou analisando alguns projetos que possam me levar a recuperar minha qualidade de vida trabalhando como engenheiro.

Correio Braziliense n°18.182, 06.03.2013

Se encontrasse alguma proposta renunciaria a qualquer possível indenização da PDVSA e partiria para um novo desafio talvez em Santa Catarina ou Rio Grande do Sul ou mesmo no Chile. Para isso preciso regressar à Venezuela e trazer meus documentos para dar entrada com meu pedido de regularização no Brasil. Tive de sair da Venezuela porque lá não se consegue comprar nada, há uma crise radical. Meus vencimentos são 1.000 bolívares e um frango custa 2.000 ([1]), o quilo de arroz 3.000 ou mais. Diz Maduro que com as novas medidas tomadas a economia irá se recuperar em seis meses, mas eu não creio que elas tenham o sucesso almejado. A inflação venezuelana é algo incompre­ensível, a insegurança é total.

No dia em que vinha para o Brasil, ao sair de minha casa, ao tomar um táxi, dois motociclistas armados roubaram a minha maleta. Na Venezuela quando vamos trabalhar, não sabemos se regressaremos vivos à nossa casa. Lá os serviços públicos são baratos e a gasolina, em especial, também é, porém, o salário-mínimo é de 180 bolívares e um litro de óleo lubrificante 40.000, não é absolutamente possível manter um veículo.

Enquanto isso o governo e os grandes empresários, com ele alinhados, dispõem dos melhores carros e em excelentes condições. Apesar de tudo isto, o povo chavista continua glorificando o maldito governo Maduro. (Jesus Luís Salazar)

A última Trincheira – Revista Oeste, 24.06.2022

 

Por Hiram Reis e Silva (*), Bagé, 24.11.2022 – um Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.

Link do livro Descendo o Branco – Tomo IV – Descendo o Branco – Tomo IV – 346 pg ATUALIZADO 

https://www.ecoamazonia.org.br/wp-content/uploads/2022/05/23-Descendo-o-Branco-Tomo-IV-346-pg.pdf

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;  

  • Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
  • Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
  • Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
  • Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
  • Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
  • Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
  • Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
  • Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
  • Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
  • Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  • E-mail: hiramrsilva@gmail.com

[1]   No dia 20.08.2018, o governo venezuelano, que enfrenta a maior inflação do mundo, segundo o FMI chegaria este ano a 1.000.000%, criou uma nova moeda, o bolívar soberano, com cinco zeros a menos. (Hiram Reis)

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