A Terceira Margem – Parte CDLXI

Descendo o Rio Branco

Monte Roraima (Grünberg)

Theodor Koch-Grünberg (1911)
Parte III

CAPÍTULO III
As Savanas de Chiquiba e as Primeiras Serras 

Logo eu conseguiria dar andamento ao meu plano de, partindo de São Marcos, visitar os índios no Norte.

No dia 9 de julho, Padre Adalbert veio com alguns índios e me convidou a acompanhá-lo, partindo do Parimé, caminharemos rumo Norte até o Surumu, levando somente a bagagem necessária. Por alguns dias, talvez tenhamos de andar a vau pela água, já que grande parte das savanas ainda está alagada. Suando muito, passo todo o dia empacotando e se­cando minhas tralhas, pois, grande parte da baga­gem está molhada em razão das chuvas diárias, que vêm sempre de Leste e varrem a varanda aberta.

Padre Adalbert trouxe alguns índios. Um deles, um amável rapaz fluente no português o suficiente para me servir de intérprete, irá me acompanhar a partir de agora. Como tantos outros, ele se chama João. Nós o chamamos pelo nome mais sonoro dado por seu pai, Pirokaí. […] À meia-noite, chega a lancha “Perseverança” rebocando um batelão. Ela também leva nove peças de minha bagagem de reserva, que vou deixar na Aldeia de Aparecida, Urariquera acima, para a viagem posterior. Eu tinha conhecido em Manaus o dono da Fazenda Aparecida, um teuto-brasileiro chamado Jakob Bamberg.

Dez soldados da polícia chegaram à Boa Vista. Bento Brasil mandou que viessem de Manaus para prender o odiado Gouvêa e outros opositores. Por isso, Gouvêa viaja conosco, armado até os dentes com uma Winchester e uma cartucheira. Deixou sua um­lher na casa de Terêncio, em Boa Vista. Ele diz que está viajando sigilosamente. Sua “bagagem princi­pal”, uma grande sacola, pesada como chumbo cheia de cartuchos de Winchester.

–  Agora o bicho vai pegar!

Partimos às 09h00 [10 de julho]. O Urariquera ainda é muito largo aqui, em alguns pontos chega a medir um quilômetro ou mais. Passamos toda a tarde anco­rados em “Passarão”, um pequeno povoado de parai­banos assentados pelo Governo. Nas cabanas mise­ráveis há uma quantidade incrível de sujeira. […] Vivem do cultivo da mandioca, cana-de-açúcar, ba­nanas etc., que cultivam como os indígenas. Desem­barcamos mercadorias e embarcamos lenha. Padre Adalbert batizou algumas crianças e ao cair da noite, seguimos viagem e, de manhã cedo, entramos no Parimé, que deságua por vários braços, pela margem esquerda, do Urariquera. Na escuridão, erramos a Foz principal e quase encalhamos num Braço estreito, de modo que, sob muitas execrações da tripulação, tivemos de voltar. O nome Parimé para esse pequeno Rio, que nasce no N.O., na encosta Sul da Serra Uraucaíma ou Ucaraima, é provavelmente apenas um engano nos antigos e modernos mapas portugueses. Seu verdadeiro nome indígena é Maruá. […] Passamos, sucessivamente, por 5 grandes cabanas indígenas na margem direita. Muitos Wapischána nus correm pela savana e entram nas cabanas saindo delas vestidos. Os Wapischána são uma tribo Aruak de língua estranha, vivem em grupos dispersos ao Norte e ao Sul do Baixo Urariquera.

Concentram-se, principalmente, no Parimé e no Amajarí, um afluente que desemboca mais a Oeste Urariquera acima; além disso, vivem também no Cauamé, um afluente da margem direita do Alto Rio Branco, que corre paralelamente ao Urariquera e desemboca pouco acima de Boa Vista. Um ramo da tribo, de língua dialetalmente ([1]) diversa, vive junto dos Atorai, seus parentes próximos, a Leste do Alto Rio Branco, além do Tacutu, chegando até o interior da Guiana Inglesa. Antigamente era a tribo mais poderosa de toda a região; hoje eles diminuíram em número e estão se degenerando e desmoralizando sob a servidão dos brancos. Os Wapischána do Parimé gozam, notadamente, de má fama em vista de suas fraudes.

Por volta das 08h00, chegamos ao nosso destino, o posto Chiquiba, uma cabana limpa à beira de uma Lagoa rasa, em frente à Foz do pequeno afluente, da margem esquerda, de mesmo nome. É aqui que vive Marcos José Pereira de Brito, o administrador da metade Ocidental da grande Fazenda Vitória Flechal, que se estende do Cotingo até o Parimé e compreende um território de mais de 4 mil km2, portanto mais da metade de toda a Fazenda Nacional de São Marcos

Flechal pertence à Dona Vitória Diniz de Faria, mãe do falecido capitalista e excêntrico Sebastião Diniz. O processo dos herdeiros contra o Estado, que tratava de 20 mil cabeças de gado, durou quatro anos e, por fim foi ganho pelos herdeiros. Pelo menos, é isso o que afirma Brito, um dos herdeiros. Neves é de outra opinião. Como sempre, os gastos com advogados foram enormes. Para provar os direitos dos herdeiros os advogados publicaram um volumoso livro com mapas muito ruins.

Pobre Brito! Nove meses por ano ele permanece aqui em Chiquiba levando uma existência muito enfadonha, ele tem saudades do Pará, onde possui um bonito sítio no qual deixou sua família. Não que ele leve a sério demais seu forçado celibato. Algumas jovens morenas Wapischána estão sempre dispostas a consolar o solitário fazendeiro por uma módica taxa. Pobre Brito! Nove meses por ano ele sonha por prazeres mais civilizados, que só o Pará pode oferecer tão generosamente. Na manhã seguinte iniciamos a marcha. O Padre Adalbert e eu carregamos pesadas mochilas. Pirokaí, os dois índios do Padre e Melo, um mestiço de “Passarão” que trabalha na lavoura da Missão no Surumu, teceram jamaxis e, com esforço, arrastam o fonógrafo, uma pequena mala de ferro e uma pesada bolsa de couro repleta de chapas fotográficas, cilindros de fonogramas e diversos tipos de artigos para troca.

Um deles ainda amarrou todos os utensílios de cozinha em seu cesto cargueiro e está parecendo um vendedor de ratoeiras. Uma parte da bagagem ficou em Chiquiba onde mandaremos buscá-la mais tarde. Inúmeros cupinzeiros pontiagudos, duas vezes mais altos que um homem ou até mesmo mais altos que isso, estão espalhados pela savana Pode-se pensar, e algum etnólogo de gabinete talvez ainda chegue a essa conclusão, que os índios copiaram a forma de suas casas dessas pequenas e engenhosas moradias, tão similares que são entre si. […]

Na cheia, o gado e as animais selvagens refugiam-se nas partes mais elevadas. Em alguns pontos isolados mais baixos, também na estiagem, restam bolsões de água semelhantes a Lagoas, aos quais os animais acorrem vindos de longe. Além disso, salinas naturais, ou seja, lugares de terra salobra, caracterizados pela completa falta de vegetação, atraem os animais.

Os índios extraem daí o seu sal ao passar essa terra com água por uma peneira fina, deixando, depois, a água evaporar. Em 13 de julho, acampamos às mar­gens de um Riacho de águas rápidas e piscoso ‒ tucunaré, matrinchã, traíra. O melhor dos peixes desta região, é o tucunaré, que, na aparência, no sabor e hábitos assemelha-se à nossa truta. O matri­nchã, peixe de escamas, não fica atrás do tucunaré em sabor, só que é mais gordo do que este. A traíra é o peixe mais comum das savanas, mas difícil de ser consumido, pois suas, tem muitas espinhas que impedem que apreciemos com prazer sua saborosa carne.

Peixe fresco é um alívio, depois de termos passado vários dias à base de charque. Como se não bastasse, Pirokaí caçou uma curicaca grande e uma outra ave aquática negra, cuja órbita ocular e o bico brilham com uma bela coloração alaranjada. Os Macuxí a chamam de tarrã ([2]) por causa de seu grito. Infelizmente, temos de nos arrumar sem sal nem pimenta. Já que o pessoal esqueceu os temperos em Chiquiba. Padre Adalbert não se sente bem. Por isso, decidimos pernoitar aqui e, amanhã cedo, enviar adiante dois homens para trazer gente de uma casa Wapischána distante daqui um dia de viagem, ou voltar depressa sem bagagem. Às 3 horas da madrugada, Pirokaí e um outro índio partem à luz do luar e, às 07h00, nós os seguimos. A marcha segue horas a fio por planícies secas, depois novamente por um pântano profundo. Logo depois do meio-dia passamos pela primeira elevação baixa e rochosa, um sinal de que estamos nos aproximando da região serrana, que, aos poucos, se descortina à nossa frente num magnífico e vasto panorama.

À Sudoeste avistamos a Serra Tarámi e outras serras do Urariquera; a Oeste, a Serra Uanáru, um pouco à nossa frente: a Noroeste, a Serra da Aruaná e, atrás dela, avançando como bastidores, a Serra do Panelão, a Serra do Banco e a Serra do Mel, nosso destino temporário. Longe, ao Norte, eleva-se a alta Serra Mairari, a qual se estende ininterruptamente em direção Sudeste, unem-se as numerosas serras do Surumu e do Tacutu. Acampamos à beira do Lago da Anta, uma Lagoa grande de água clara e fresca, que não seca nem no verão. […] De manhã cedo seguimos viagem. A Lagoa está animada por um grande rebanho de gado e inúmeras aves aquáticas. […] Atravessamos a vau o Lago da Anta e, logo a seguir, o Lago de Aruaná. Duas pessoas vêm ao nosso encontro, esses dois emissários, embora sozinhos, carregam nossas mochilas, e, graças a isso, podemos agora acelerar o passo com mais liberdade.

O caminho serpenteia por entre os cumes baixos, situados a Oeste e a Leste, que compõem a Serra de Aruaná, e segue, então, ao longo de um Riacho cercado de altos buritis, até uma pequena povoação Wapischána, que alcançamos por volta das 13h00. É uma casa de frontão baixa, semicircular, e a seu lado há uma barraca aberta, sob a qual encontramos abri­go. Um senhor idoso e magro nos recebe amavel­mente. É o pai de Joaquim, o primeiro vaqueiro de Brito em Chiquiba. Algumas damas seminuas, com traços tatuados no queixo, velhas e jovens, também aparecem em fila indiana e nos estendem desajeitadamente à mão. Servem-nos carne de boi assada nadando em picante molho de pimenta. Vem acompanhada de beiju fresco e bananas e, por fim, uma grande cuia com caxirí de milho, avermelhado e espumante. Conheço, de minhas viagens anteriores, esse refresco indígena e seu preparo meio duvidoso para os padrões europeus.

Os grãos de milho cozidos são mastigados pelas mulheres para que a massa fermente mais depressa. Mas isso não estraga meu prazer. Quando os índios não têm outra caça, atiram num boi, e os fazendeiros ficam furiosos com isso. Foram os latifundiários que se apossaram ilegalmente das suas terras e região de caça. […] À tarde, vêm, por pouco tempo, muitos visitantes pintados, índios Wapischána e Macuxí de uma casa nas proximidades, onde se realiza um baile. Infelizmente, os homens vestem farrapos europeus, as crianças estão nuas, mas as moças usam tangas de miçangas com belos padrões. Melo não conseguiu resistir, e sem a devida permissão, foi com sua carga à festa, antes de nós.

Em troca de miçangas e pequenos espelhos, comprei dos moradores da casa alguns objetos etnográficos ‒ encantadores trançados, de que os Wapischána são mestres, e um bastidor simples com uma tanga de miçangas inacabada, na qual a avó estava trabalhando. Ela não consegue entender meu interesse por um trabalho ainda inacabado e me examina com um olhar indagador, certamente ela acha que sou louco. […]

Quantas vezes me deparei, com esse olhar! Agora estou novamente no genuíno ambiente doméstico indígena, com seu típico cheiro meio ácido de mandioca fermentada, de caxirí, pimenta e muitas outras coisas, com sua desordem de cestos, potes e instrumentos variados, com seus numerosos xerimbabos [animais domésticos] que, a princípio, são tímidos, mas logo se tornam tão íntimos quanto seus donos e donas, e tenho de admitir, sinto-me muito melhor neste ambiente selvagem do que na caricata civilização que há pouco deixei. Na manhã seguinte vêm algumas moças Macuxí muito bonitas, seminuas, com o rosto pintado com riscos pretos e usando no tronco grossos colares de contas.

Dizem que os homens que empregamos ontem como carregadores estão embriagados e as enviaram para substituí-los. Isso é típico dos índios! Caminhamos por terreno ondulado, entre rochas de granito altas e arredondadas, cobertas com diversos desenhos frescos riscados na rocha, representando pessoas, quadrúpedes, pássaros e um batelão. Às 8 horas chegamos a uma casa Wapischána redonda com teto cônico sobre uma parede baixa de pau-a-pique. Há muita gente nua aqui. Estão dançando a “parischerá”, ou parischára, como os Wapischána dizem, em semicírculo. Em compasso quaternário, balançando os joelhos e batendo com o pé direito no chão, homens, mulheres e crianças andam em círculo sob monótono canto. A festa está terminando e a maioria dos homens está por demais embriagada.

Alguns homens velhos roncam em suas redes na penumbra da cabana, um quadro bastante decadente. Oferecem-nos um forte caxirí de mandioca, chamado Payuä, mal coado, tenho a sensação de estar engolindo brita fina. Contrato um jovem Wapischána, chamado Manduca, que ainda está cambaleando sob o efeito do álcool. Melo também está com uma forte ressaca, segundo a descrição de nossas belas carregadoras substitutas, ele dançou, cantou e bebeu a noite toda e também vomitou. […] Logo depois das 10 horas prosseguimos viagem, passando novamente por grandes rochas arredondadas com pinturas rupestres: veado, cavalo, cachorro, tartaruga e outros animais, além de alguns desenhos primitivos de seres humanos, similares aos antigos petróglifos. A área dos corpos, em parte, são ásperas, semelhante a algumas pinturas rupestres dos bosquímanos do Sul da África. Pirokaí faz uma demonstração de como os desenhos são feitos com uma pedra afiada.

Dizem que no alto Parimé se encontra a chamada “Pedra Pintada”, uma rocha gigantesca coberta de desenhos semelhantes. Sigo à retaguarda, meus pés estavam muito machucados, minha atenciosa guia é uma encantadora menina Wapischána de uns 5 anos de idade, de olhos grandes e inteligentes. Chegamos a duas alongadas cabanas perdidas na extensa savana. Só a vovó doente está em casa, e deitada em sua rede se queixa de sua dor em Wapischána.

Após uma exaustiva marcha, chegamos às 13h00 a duas cabanas redondas Macuxí, no sopé da Serra do Banco. É o lar de nossas carregadoras, mas seus parentes estão na festa, e elas seguem viagem conosco. O caminho segue íngreme pelos contrafortes Ocidentais da Serra, a linha de cumeada entre o Parimé e o Sumuru. A mata escassa que cobre as encostas é interrompida em alguns pontos por plantações de mandioca, cultivadas com extrema dificuldade entre as rochas altas.

É a única maneira de os índios dos arredores conseguirem seu sustento, já que nada cresce na savana. A trilha é arriscada, as rochas estão tão próximas umas das outras que as carregadores passam com certa dificuldade. Mesmo assim, as moças vão sempre à frente, é inacreditável que mocinhas esbeltas e de membros tão delicados consigam carregar cargas tão pesadas.

A partir da cumeada da Serra tem-se uma vista magnífica do extenso vale do Sumuru, até a Serra do Mel, próxima daqui, e da alta Serra Mairari, que faz divisa ao Norte. Pirokaí conta a lenda da Serra do Banco dizendo que em tempos antigos havia um grande banco no seu topo, mas Macunaíma, o herói da tribo, tirou o assento e o levou para uma Serra vizinha mais baixa, onde ainda se pode vê-lo na forma de um rochedo grande e plano.

Os quatro pés do banco lá permanecem como quatro altivos pilares de pedra, em uma Praça no alto da Serra do Banco, ou “Muréi-tepö”, que deve a ele seu nome, pois muréi quer dizer, em Macuxí, banco baixo feito de um só pedaço de madeira. Descemos ao vale até uma Aldeia Macuxí, cujas cabanas redondas estão pitorescamente dispersas na savana. À parte, vê-se um curral com gado. É a residência do chefe Manuel, um irmão mais jovem do Cacique Geral Ildefonso.

Atualmente, só duas famílias permanecem por aqui. Manuel encontra-se na grande Aldeia ao pé da Serra do Mel. Seu cunhado Hermíno, um homem bonito, esbelto e alto, como a maioria dos Macuxí desta área, faz as honras da casa. Conta-nos histórias ruins sobre Ildefonso. Como outros de sua etnia, ele se corrompeu completamente em razão do longo contato com os brancos permitindo que eles o usem para todo o tipo de infâmia.

Diz que quase toda sua gente o abandonou e que agora Ildefonso se vendeu para Bento Brasil com o objetivo de arranjar-lhe trabalhadores para os seringais insalubres no Anauá: e, já que ninguém o acompanha de espontânea vontade ele os ameaça dizendo que Bento virá com soldados e os levará à força. Ildefonso recebe dez mil-réis por cabeça. É o mais puro comércio de escravos!

Um Jovem indígena parte à noite, à luz do luar, para buscar Manuel. Dormimos numa das cabanas abertas, atacados por inúmeros mosquitos grandes e, especialmente, os minúsculos maruins, que passam até pela malha estreita dos mosquiteiros, perturbando o nosso sono. Nossos jovens, porém, se recolheram para uma casa fechada e abafada, onde não ficam tão expostos aos ataques dos pequenos sugadores.

Apesar da cansativa marcha, eles estão bem dispostos e tagarelam e riem até tarde da noite.

De manhã cedo chega o chefe Manuel, cujo nome nativo é Pitá, um tipo magnífico, de porte alto, esbelto e imponente, semelhante a um índio norte-americano, célere e muito correto no falar. Traz consigo uma longa fila de gente nua, na maioria índios Taulipáng das serras no Norte. A única vestimenta dos homens é uma longa faixa de chita azul, às vezes vermelha, presa, na frente e atrás, sob o cinto de cordões, pendendo um pouco na parte de trás e mais solta na frente e a extremidade é enrolada em torno do pescoço pelos homens mais jovens ou é jogada displicentemente sobre o ombro. Nos lóbulos furados das orelhas eles usam pequenas cânulas das quais pendem plaquetas de prata em forma de meia-lua presas por um cordãozinho de miçangas.

A maioria deles tem o lábio inferior perfurado onde é inserida uma fina cânula de taquara com a ponta voltada para fora. Também o septo nasal de alguns deles, é furado e enfeitado com um pedacinho de taquara. Quase todos, para celebrar a visita, têm o rosto pintado de vermelho e preto, e as mulheres, além da tatuagem tribal, exibem pontos, traços e padrões em forma de anzol na região da boca. Alguns jovens têm compleição mais robusta, distinguindo-se, assim, dos Macuxí, na maioria das vezes magros, e, especialmente, dos Wapischána, com suas características mais finas, quase europeias. (GRÜNBERG, 1915)

Pinturas Rupestres em rochas de granito
Vista do Monte Roraima, ao fundo (Grünberg)
Queda da Rua (Grünberg)
Chegada em Peliwoi (Grünberg)
Mureimelu (Grünberg)
06a – Atravessando o Kukenang e 06b – Vale e rocha do Kukenang (Grünberg)
07a – Carregador Taulipang e 07b – Xerimbabo (Grünberg)
Nossa pousada em Roraima (Grünberg)
Maloca Ingarikó e Monte Roraima (Grünberg)

11a – Taulipang, filhos de Denong e 11b – Filho do chefe (Grünberg)

 

12a – Favoritas Maidyanapong, de Ule e 12b – Mulher e criança Taulipang (Grünberg)

Por Hiram Reis e Silva (*), Bagé, 25.07.2022 – um Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.

Bibliografia:  

GRÜNBERG, Theodor Koch. De Roraima ao Orinoco. Volume II – Mitos e Lendas dos Índios Taulipáng e Arekuná –  Alemanha – Berlim – D. Reimer (E. Vohsen), 1915.

 (*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;  

  • Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
  • Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
  • Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
  • Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
  • Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
  • Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
  • Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
  • Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
  • Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
  • Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  • E-mail: hiramrsilva@gmail.com

[1]   Dialetalmente: expressado em dialeto. (Hiram Reis)

[2]   Tarrã ou trombeteiro (Cercibis oxycerca): ave pelicaniforme, campes­tre, da família dos tresquiornitídeos, nativa das regiões da Venezuela, Guiana, Colômbia e Brasil. (Hiram Reis)

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