A Terceira Margem – Parte CDXXXIII

Descendo o Rio Branco

O Canoeiro Hiram Reis e Silva

Francisco J. R. Barata (1798/9)
Parte VIII  

24 

Já Nassi, como secretário da regência da Nação judaica portuguesa em Suriname, tinha feito aviso da minha chegada, e do seu fim, aos regentes da mesma Nação, os quais logo na manhã imediata se congregaram, e lidas as cartas que levei, determinaram fazer na sua sinagoga uma função solene na mesma tarde deste dia, para o que se expediram as necessárias ordens, e se deram logo todas as providências. Eu fui oficialmente convidado pelo corpo da regência para assistir a ela, fazendo-me a distinta honra de dar assento na parte superior da sua mesma bancada, onde estive durante todo aquele ato, que foi celebrado ao seu modo, mas com muito acatamento e religiosa pompa, ainda que para mim inteiramente nova, pela diferença que tem do nosso culto.

Foi o fim desta função dar solenes graças ao Altíssimo, e dirigir-lhe preces, que foram todas entoadas na língua hebraica, da qual usam em todas as suas funções religiosas, pela vida e saúde da Rainha Fidelíssima Nossa Senhora, do Príncipe seu augusto filho, e de toda a real família, como também pelo aumento ou conservação do amor e fidelidade da Nação portuguesa para com eles, e finalmente pelo seu iluminado ministro o Ilm° e Exm° D. Rodrigo de Sousa Coutinho, a fim de que Deus lhe assistisse sempre com o espírito de sabedoria em seus conselhos para felicitar os povos e perpetuar a glória desta monarquia.

Acabado o dito ato, agradeci, como devia, todos estes obséquios por mim e por toda a Nação, assim pela razão primeira de português e de vassalo, como pelos motivos pessoais, protestando-lhes que os faria públicos em toda a parte para honra sua e nossa. Então me convidaram algumas pessoas para que lhes desse o prazer de ir jantar à sua casa, e de os frequentar enquanto ali estivesse, o que prometi para os dias seguintes.

25  

Mas logo no outro amanheci doente; e declarando-se a minha moléstia ser uma sinocha ou febre podre ([1]), reduziu-me esta à última extremidade, de que escapei pela misericórdia divina, mediante os socorros que me deparou no honrado e generoso Nassi, em quem não só tive médico o mais hábil e efetivo, pois que ele o é de profissão, mas também enfermeiro caritativo e vigilante, pois que em sua mesma casa assistia, onde me não faltou nada do que poderia desejar na de meus próprios pais, empregando-se todo ele, sua filha e toda a sua família, em procurar-me alívio, que enfim comecei a experimentar depois da ótima aplicação dos cáusticos, mas ainda hoje me não posso lembrar sem aflição das que então passei, dos horrores da morte, que tantas vezes me cercaram o leito, das lúgubres noites que tive, e das que dei involuntariamente à triste e desvelada família de Nassi, a qual se pode propor a todo o mundo como um perfeito modelo da mais sincera e oficiosa caridade.

Queira o Ser Supremo, que é só quem pode remunerar dignamente aos meus benfeitores, prosperar e dilatar a sua vida em benefício da humanidade, para continuarem a edificá-la e socorre-la com estes atos virtuosos, pelos quais se tem feito já há muito tempo conhecidos e recomendáveis a todos, e queira enfim mostrar-lhe a verdadeira luz, que só pode encaminhar os mortais até aos pés do seu trono, dar ás nossas obras um valor o mais precioso a seus olhos, e fazermos participantes de uma recompensa celestial e eterna!

Aqui exige a gratidão e a verdade que lhes tribute ao menos este fraco testemunho, demorando-me um pouco mais no que diz respeito à pessoa de Nassi. Natural de Suriname, porém português na origem, no nome e nos sentimentos, e de uma das principais famílias que em tempos anteriores se foram estabelecer na dita Colônia. Na Filadélfia, capital dos EUA ([2]), tomou o grau de Doutor em medicina, na qual se acreditou tanto, assim pela sua teoria, como pela prática, que mereceu justamente um lugar distinto entre os melhores médicos de uma e outra cidade, posto que ao presente não exercia já lucrativa e ordinariamente a dita profissão senão por amizade ou humanidade nos casos mais árduos, em que é consultado e buscado o seu auxilio.

A sua principal ocupação atualmente é o estudo, que forma as suas delícias na seleta e copiosa livraria de mais de dois mil volumes, com o socorro dos quais, e de várias línguas, que perfeitamente fala e escreve, conseguiu, sem embargo de nunca ter ido à Europa, muitos e profundos conhecimentos em diversos ramos de literatura ou ciências, cujo fruto se vê em algumas das suas produções que tem dado à luz por via do prelo. Ele me fez mimo de alguns exemplares de duas; uma escrita em francês e em dois volumes, intitulada “Essai historique sur la Colonie de Surinam”, e outra composta por ele em língua portuguesa, e por ele mesma vertida na holandesa e na francesa, sobre o plano de educação para formar um novo seminário, que se pretendia ali estabelecer, e o seu zelo promovia ardentemente a benefício dos meninos judeus e cristãos de qualquer comunhão que fossem.

Tendo até aqui falado dos seus talentos, ou das qualidades do seu espírito, ainda não disse tudo, porquanto as do seu coração, a sua exata probidade, candura, muita humanidade, suma modéstia, e outras virtudes morais e civis, é que verdadeiramente o caracterizam.

Exemplar e religiosíssimo observador da sua lei e do culto que professa com o maior respeito e fidelidade, ele não censura, nem se embaraça, nem se mete a falar nas dos outros, estimando a virtude em qualquer homem, e louvando com preferência a aqueles que são mais fiéis à sua religião, ainda que diferente da que ele por educação ou infelicidade segue, como eu mesmo presenciei.

Por estes e outros motivos, merecendo todo o amor e contemplação, não só dos indivíduos da Nação judaica portuguesa, de cuja regência é membro, como já disse; mas também de todas as classes de habitantes daquela Colônia, onde é ouvido e consultado como oráculo, e respeitado dos estrangeiros que ali vão.

O seu nome chegou já com louvor à mesma Europa, principalmente a Portugal e à Holanda, e aos seus respectivos governos, do que vi provas e monumentos. A sua idade presentemente mostra ser de cinquenta anos pouco mais ou menos. É viúvo, e ficando-lhe uma única filha, por nome Sara, em quem já acima falei, se esmerou tanto na educação desta, que além de lhe formar o coração com o amor da virtude e dos seus deveres, de que tem feito hábito, e além dos conhecimentos econômicos que constituem uma boa mãe de família, cujas funções exercita ela em sua casa, ornou também o seu espírito com outros pouco ordinários nas pessoas daquele sexo, principalmente na América, como o estudo de várias línguas, que com perícia maneja, a aritmética, a perfeição da escrita, a música, a geografia, a história e outras prendas.

Eu a vi discorrer com tanto acerto e discrição sobre os interesses e movimentos atuais das nações, como faria o político mais versado nisto. Quanto à fortuna ou estabelecimento de Nassi, ele consiste principalmente, e no presente tempo em uma fábrica de madeiras, onde tem a sua escravatura, e com o produto da qual se mantém não na opulência, mas na abundância, na independência, e no decoro com que se trata a si e à sua família, aplicando ainda o remanescente ao socorro dos necessitados e dos infelizes; com o que termino o seu breve retrato.

No decurso da minha moléstia, que durou trinta e quatro dias, tive a honra de ser visitado por todas as pessoas principais da Nação judaica portuguesa, e ainda por outras, o por muitas das outras nações ou religiões que ali existem, e todos me animavam, indicando e oferecendo-me ao mesmo tempo os socorros que lhes lembravam, e que julgavam próprios para o meu alívio.

Ainda que nada me faltasse na casa do meu benfeitor senão aqueles com que a nossa religião assiste aos seus filhos em tais apertos, por não haver então na terra sacerdote católico, o que desejei suprir pelo modo possível com os atos e protestos da minha boa vontade, e entregando-me com ela à infinita misericórdia de um Deus, que tudo pode, e quer todo o bem. Entre os que mais me obsequiaram neste tempo, como, pede o meu dever e a razão que faça particular menção do benigníssimo Governador, o qual se dignava de mandar saber de mim todos os dias, e se precisava ou queria dele alguma coisa.

Outubro 29 

Assim passei até 29 de Outubro, em que pela primeira vez me levantei da cama, e comecei a exercitar em casa os meus fracos passos.

31  

Na manhã de 31 fiz todo o esforço para sair fora, e como pude me encaminhei logo a beijar a mão a S. Exª por tantas honras e mercês que me havia feito, e dizendo-lhe depois disso que intentava regressar com brevidade se S. Exª não determinasse o contrário, ele me respondeu que a embarcação em que eu tinha vindo estava às minhas ordens; mas que não era justo partir sem estar mais bem restabelecido, e sem ao menos ver a cidade e as coisas mais notáveis dela, o que eu muito desejava, se bem que a minha debilidade e extenuação me não permitiam, como era patente. Então por um lance de benignidade, superior à minha expectação, ele me ofereceu uma das suas carruagens para os meus passeios, e apesar das honestas e respeitosas escusas, com que lho agradeci muito, tive enfim, obrigado por ele, de aceitar esta honra.

Às 16h00, apareceu à porta de Nassi um carrinho magnífico de quatro rodas com dois soberbos cavalos e três criados, homens brancos, com as mais ricas librés ([3]): e dizendo-me um deles que vinham à minha ordem, conforme a que receberam do Sr. Governador, seu amo, me meti no dito carrinho, acompanhado de Isaac de Lapara, judeu português, que então estava comigo, e se me ofereceu para me servir de guia, e mostrar a cidade e alguns dos melhores jardins dos seus subúrbios. Causou geral admiração, a todos, este extraordinário obséquio, que a ninguém tinha ainda feito o Governador, e nem mesmo ao de Caiena quando ali estivera, e se demorara com sua mulher de passagem para a Europa, e deu isto ocasião murmurarem contra ele alguns franceses, que então se achavam em Paramaribo, com ameaças de que se haviam acusar as repúblicas francesa e batava ([4]), afirmando que tantas distinções, que me fazia, denotavam que o fim da minha ida ali era bem diferente do que se dizia, e que tinha mistério. O que chegando à notícia do dito Governador, longe de fazer caso de semelhantes acusações, por isso mesmo determinou continuar-me esses obséquios e outros, como fez nos dias seguintes, e à hora costumada me mandava sempre o carrinho, em que continuei a ver o que havia mais notável na cidade e seu contorno, do que darei adiante uma breve relação, e o resto do tempo ocupava em fazer e pagar visitas daquelas pessoas que devia. Em um destes dias me convidaram para assistir às núpcias de dois noivos da Nação judaica, que gostei sumamente pela novidade e aparato das cerimônias, as quais terminaram em um esplêndido banquete, em que estariam duzentas pessoas de ambos os sexos, ocupando duas salas que se comunicavam por uma grande e majestosa porta.

Novembro 4 

No dia 4 de Novembro recebi uma carta escrita em francês do Governador holandês de Berbiche, com data de 18 de setembro, em que me participava a perda do seu barco, isto é, do que ele me havia emprestado, e eu deixei em Demerara para se consertar, e lhe ser restituído, visto não me servir para a viagem, como acima relatei. Participou-me que naufragara no seu regresso do Demerara para Berbiche, salvando-se a gente, e que eu o devia indenizar da perda do dito.

Como eu em outro tempo me tinha aplicado a alguns estudos, e por curiosidade adquiri também algumas noções, ainda que vagas, da jurisprudência, com estes subsídios e a boa razão lhe respondi que ele não tinha direito nem justiça alguma para exigir de mim semelhante indenização; porque eu não concorri de modo algum para a perda do barco, nem houve em mim dolo, malícia ou falta, e nem ainda leve ou indireta, para este acontecimento; mas antes fiz todas as diligências que eram possíveis, e usei de todas as cautelas para o evitar, assim pelo concerto que se lhe fez, como pelas mais providências dadas em Demerara para a sua segurança e real entrega, como certificara o Major Wilson, o lhe era bem constante.

Que o barco se perdera no seu regresso, sem que nele fosse coisa alguma que me pertencesse; e que só iam nele e o perderam aqueles mesmos escravos do Sr. Governador, e o prático por ele escolhido para a sua direção e mareação, que ele lhes confiou e encarregou, os quais tendo partido de Demerara depois de providos de tudo, concertado e aparelhado o barco de quanto eles mesmos julgaram preciso, era de presumir que este se perdeu por falta ou culpa daqueles.

Que ninguém era obrigado a pagar casos fortuitos quando não concorria para eles, e como este, que jamais se me poderia imputar, e menos provar.

E que tudo isto era conforme não só às leis da minha Pátria, as quais contudo lhe não citava por me achar em País e território alheio; mas também conforme ao direito comum adotado por todas as nações civilizadas da Europa, e aos princípios invariáveis da lei natural ou da reta razão, em que todas as positivas se deviam fundar. Mas que finalmente, e sem embargo disto, como eu estava próximo a partir, quando passasse por Berbiche trataria pessoalmente esta matéria com o Sr. Governador, e então assentaríamos no que fosse mais justo, sendo todo o meu desejo obsequiá-lo sempre e dar-lhe gosto.

Esta resposta agradou muito a Nassi, em cujo parecer não me quis deliberar, e também a José de Castilho, outro judeu português, e dos mais opulentos que ali há, o qual sem embargo de aprovar me disse que se eu todavia quisesse pagar o barco, ele passaria letras para Berbiche, afim de se me dar ali todo o dinheiro que me fosse preciso; o que eu lhe agradeci muito, certificando-o com sinceridade de que ainda me restava algum do que eu trouxera, e julgava ser suficiente para esta e mais algumas despesas.

Na manhã do dia seguinte me mandou convidar o Governador para que fosse com ele a um seu engenho de açúcar, e a uma plantação de café, que não era sua, mas estava a seu cargo, e o propri­etário em Holanda, porque isto é lá permitido, e se não opõe ao seu regimento e aos costumes do País.

Gostei de ver a regularidade, asseio e grandeza de uma e outra, assim na disposição do terreno, como em todos os seus edifícios, fábricas e trabalhos ativos e bem ordenados. Fomos em um escaler belíssimo, e depois de jantar voltamos para a cidade com a maré da noite, e como, entre alguns objetos sobre que se tratou durante a viagem, tive ocasião de novamente lhe falar na do meu regresso, que jamais me saía da lembrança.

Expus eu ao Governador o grande desejo que tinha, não de deixar aquela cidade, pois que nela, e sobretudo na benignidade de S. Exª, tinha achado mais favores do que merecia, e o melhor acolhimento que podia imaginar em todo o mundo, mas somente de voltar para minha Praça, e de obedecer ao meu General, o qual me havia ordenado que o fizesse com a maior brevidade possível.

E como sabia que a “Flag of Bruce” estava prestes havia muitos dias para seguir viagem para Demerara, e que só esperava por mim, segundo as ordens e o que S. Exª me havia dito, resultando-lhe desta demora algum dano ou incômodo, ao mesmo tempo que eu me achava já muito melhor de saúde, ainda que não estivesse de todo restabelecido, portanto lhe suplicava houvesse de consentir na minha partida, o que eu receberia dele como uma nova graça.

E quando quereis vós partir? me disse ele. Amanhã, se é possível, e se é do agrado de V. Exª, lhe respondi eu. Pois que tanto o desejais, tornou ele, será no dia seguinte por condescender convosco, se bem que receio ainda muito pela vossa fraca saúde.

Eu lhe agradeci isto muito, e continuando ele a honrar-me com as suas expressões chegamos à cidade, onde o acompanhei até a sua residência, e depois dos devidos cortejos, me retirei à minha. (Continua…) (BARATA)

 

Por Hiram Reis e Silva (*), Bagé, 20.05.2022 –  um Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.

Bibliografia  

BARATA, Francisco José Rodrigues. Da Viagem que fez à Colônia Holandesa de Suriname o Porta Bandeira da Sétima Companhia do Regimento da Cidade do Pará, pelos Sertões e Rios Deste Estado, em Diligência do Real Serviço – Brasil – Rio de Janeiro, RJ – Revista Trimestral de História e Geografia ‒ Volume 08 – Tipografia de João Inácio da Silva, 1846.  

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

  • Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
  • Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
  • Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
  • Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
  • Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
  • Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
  • Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
  • Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
  • Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
  • Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  • E-mail: hiramrsilva@gmail.com.

[1]   Febre Pútrida ou Podre: com este nome designam os autores antigos a mesma moléstia que hoje se descreve, e que é conhecida debaixo do nome de tifo. Davam este nome em razão do cheiro pútrido das fezes evacuadas, e da pronta putrefação dos cadáveres. (LANGGAARD)

[2]   Em julho de 1778, o Congresso retornou à Filadélfia e, em 1781, a constituinte elaborou a Constituição que foi assinada no Independence Hall, em setembro de 1787. O Congresso Continental foi transferido para Nova Iorque em 1785, mas Thomas Jefferson trouxe-o novamente para Filadélfia em 1790, onde permaneceu durante dez anos como capital provisória dos EUA, enquanto Washington D.C. era projetada. Filadélfia perdeu seu status de capital da Nação em 1799.

[3]   Librés: uniforme que usam os criados de casas nobres.

[4]   Batava: Batávia, região dos países baixos, o mesmo que holandesa.

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