Povo Paumari do Sul do Amazonas realiza a oitava pesca manejada do pirarucu

O povo Paumari, do rio Tapauá, no Sul do Amazonas, realizou sua oitava pesca manejada do pirarucu. O trabalho foi desenvolvido com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio de Acordo de Cooperação Técnica vigente desde 2015. O projeto tem o objetivo de aliar geração de renda, autonomia indígena e preservação ambiental.

Pré-beneficiamento do pirarucu. Foto: Divulgação/Funai

Nesta edição da pesca manejada, o povo Paumari obteve o resultado de 506 pirarucus, o equivalente a 32,3 mil quilos do peixe. A quantidade será entregue na cidade de Manacapuru (AM) à Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), que pagou R$ 7 pelo quilo do peixe, gerando à comunidade uma receita aproximada de R$ 226 mil.

Em razão da emergência de saúde pública causada pelo novo coronavírus, os procedimentos de higiene e segurança foram reforçados, sobretudo na estrutura de pré-beneficiamento, local onde o pirarucu é identificado, tratado, pesado e medido para posterior armazenamento em câmera frigorífica.

A coordenadora da Associação Indígena do Povo da Água (Aipa), Deusilene Garcias Lopes Paumari, afirma que, mesmo diante da situação de pandemia, o conselho deliberativo da entidade assumiu o compromisso de realizar mais uma edição da pesca manejada. A associação é composta por moradores das Terras Indígenas Paumari do Lago Manissuã, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Rio Cuniuá.

“A pesca é um importante evento para a nossa comunidade. A gente sabia das dificuldades que teria para fazer uma pesca ainda mais rígida, mas nossa vontade de realizar, exercitando nossa organização interna, nos faz querer melhorar cada vez mais”, comenta Deusilene.

A pesca manejada tem sido uma alternativa econômica relevante para as populações indígenas. O manejo se dá em ambiente natural e não requer tecnologias sofisticadas ou insumos caros. O controle é feito a partir da delimitação dos lagos a serem utilizados e do estabelecimento de regras, nas quais são definidas as zonas de proteção e de pesca, o período para reprodução do peixe, o tamanho mínimo permitido, entre outros aspectos. A partir da contagem dos estoques, é possível estabelecer uma cota sustentável de pesca, garantindo a continuidade do manejo nos anos posteriores.

Assessoria de Comunicação/Funai
com informações da Coordenação Regional Médio Purus

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