Amazônia – Foz do Amazonas desperta interesse de petroleiras

25 de Fevereiro de 2013  - Jaime de Agostinho

A disputa pelos blocos da Ba­cia da Foz do Amazonas, no ex­tremo norte do País, promete ser a mais acirrada da 11ª roda­da de licitação de blocos exploratórios de óleo e gás, que será promovida pelo governo fede­ral em maio. O motivo é a des­coberta, no litoral da vizinha Guiana Francesa, praticamen­te ao lado da bacia brasileira, de grandes reservatórios ex­ploráveis de petróleo.   

Em sigilo, as grandes petrolei­ras articulam sociedades para concorrer às áreas ofertadas pe­la Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De olho no súbito inte­resse despertado nas compa­nhias pelas jazidas de óleo e gás presumivelmente escondidas no subsolo marinho do litoral do Amapá, o governo aumentou de 172 para 289 os blocos a serem leiloados. Das 117 novas áreas, 65 estão na Bacia do Foz do Amazo­nas, o início da chamada mar­gem equatorial brasileira.

A formação de consórcios pa­ra explorar a bacia tem mobiliza­do os executivos das petroleiras desde o ano passado. Esse pro­cesso foi acelerado pela desco­berta na Guiana. A Petrobrás, com a experiência de 43 anos de fracassos na bacia, tem interesse nos blocos e finaliza parcerias com companhias internacionais empenhadas em renovar seus portfólios brasileiros.

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renová­veis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, creditou explicitamen­te o aumento da oferta de blocos na bacia à proximidade dos cam­pos guianenses. “Houve indica­ções de possíveis descobertas importantes na Guiana, a 50 qui­lômetros da fronteira com o Bra­sil. Então, a área brasileira tam­bém tem potencial para desco­bertas”, afirmou o secretário.

Descoberta. O petróleo apare­ceu pela primeira vez na Guiana Francesa em 2011. O consórcio formada pelas companhias Tullow-Oil, Total e Shell anunciou a presença, em águas profundas, no campo de Zaedyus, de um re­servatório importante de óleo de boa qualidade.

Nem mesmo o fracasso da prospecção de um segundo poço no campo, no ano passado, arre­fece o entusiasmo das empresas interessadas em disputar área da Foz do Amazonas no leilão da ANP. “O bloco da Guiana France­sa permanece altamente pros­pectivo e ainda oferece um exce­lente potencial para exploração com sucessos múltiplos”, diz o comunicado divulgado pela bri­tânica Tullow Oil.

A de scoberta na Guiana Fran­cesa foi saudada pelas institui­ções financeiras que analisam a indústria do petróleo. Para o Bank of America-Merrill Lynch, o achado “abre uma bacia total­mente nova” na América do Sul e Caribe. O Royal Bank of Scotland demonstrou otimismo com a descoberta ao comentar, em nota, que o conteúdo do re­servatório de petróleo “provavel­mente excede a maioria das expectativas”.

O geólogo brasileiro Pedro Victor Zalán, consultor em exploração de petróleo, avalia que “a imensa faixa marítima de águas profundas (acima de 600 metros de lâmina d”água) em frente do Amapá, Pará, Mara­nhão e Piauí encontra-se hoje en­tre as áreas mais cobiçadas pela indústria petrolífera mundial”.

No artigo “O potencial petrolí­fero das bacias sedimentares bra­sileiras além do pré-sal”, publica­do em 2012 no site www.geofisicabrasil.com, o especialista sus­tenta que também as Bacias do Pará/Maranhão e do Parnaíba (no Piauí), cujos blocos vão a lei­lão em maio, apresentam expres­sivo potencial petrolífero.

Zalán diz que o campo da Guia­na Francesa tem reservatório, de acordo com as estimativas ini­ciais, de cerca de 800 milhões de barris de óleo recuperáveis. “A Bacia da Foz do Amazonas, sua vizinha muito maior, passou a ser considerada como potencial­mente portadora da mesma ri­queza. A geologia do litoral da Guiana se estende para a costa do Amapá. Isso está comprova­do pelas linhas sísmicas e estu­dos feitos. Há grande possibilida­de de depósitos de petróleo se­rem encontrados no Amapá. As petroleiras sabem disso.”

Em janeiro, a 11.ª rodada, aguardada desde 2008, foi mar­cada para os dias 14 e 15 de maio. A Bacia da Foz do Rio Amazonas foi contemplada com 96 blocos, indicativo da importância que o governo vem dando à suspeita de que há óleo e gás abundantes nos campos da costa do Amapá.

Os limites da bacia são a fron­teira do Amapá com a Guiana Francesa e a Ilha de Marajó, no vizinho Estado do Pará.

Por: Sergio Torres
Fonte: O Estado de S. Paulo 

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