Museu Goeldi lança “Cartilha Animal” e homenageia o jacaré Alcino

A cartilha é um guia multimídia sobre 16 espécies animais do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, incluindo o Jacaré-Açú (Melanosuchus niger). Exemplar da espécie, o querido ancião Alcino partiu este ano. Casal de jovens jacarés da mesma espécie permanecem no Parque e recentemente surpreenderam com a postura de 18 ovos.

Agência Museu Goeldi – O Museu Goeldi lançou em seu canal no YouTube um vídeo especial sobre a “Cartilha Visita Animal no Parque Zoobotânico”. Clique aqui para conferir o passeio virtual com a educadora Hilma Guedes e aqui para baixar a cartilha. O lançamento é parte da programação especial “Museu Goeldi de Portas Abertas” (MPA) e da 18º Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Elaborada inicialmente em 2016 pela educadora Hilma Guedes e pela bolsista Mariluza Barata, junto a 15 estudantes do ensino fundamental participantes do Clube do Pesquisador Mirim, a cartilha foi atualizada para conter informações detalhadas sobre 16 espécies. O conteúdo interativo inclui fotos e materiais em áudio, além de interpretação em Libras, feita pela pedagoga Raquel Ferreira.

Jacaré – Uma das 16 espécies apresentadas na cartilha se destaca por estar entre as mais populares do parque Zoobotânico: o Jacaré-Açú (Melanosuchus niger), maior espécie de jacaré da Amazônia, que pode chegar a até 6 metros de comprimento e 300 quilos de peso. Por décadas, a espécie esteve representada no Parque Zoobotânico por Alcino, um dos moradores mais queridos do espaço. Oriundo da ilha de Marajó, Alcino era um dos animais mais antigos do Parque, com idade estimada em mais de 70 anos, o máximo que esses animais costumam viver. Infelizmente, Alcino faleceu este ano.

Antônio Messias Costa, veterinário do Parque Zoobotânico, explica que o gigante idoso morreu subitamente, sendo encontrado na água em local sombreado. Por mais que todos torcessem pela longa vida do animal e o submetessem a uma rotina de cuidados reforçados, incluindo fornecimento de frangos e eventualmente carne enriquecida com sais minerais (adequada a um réptil da idade de Alcino), o falecimento do animal não surpreendeu os tratadores.

A imunidade do animal estava comprometida pela idade e ele já havia passado por vários procedimentos médicos ao longo dos últimos anos. “A necropsia foi conclusiva: septicemia, provavelmente por bactéria de natureza hemorrágica”, explica Messias. O animal tinha os pulmões e outros órgãos comprometidos por uma infecção.

Messias explica ainda que o animal foi taxidermizado pelo técnico do Parque Zoobotânico, Davi Melo, como “forma de imortalizá-lo em nossa lembrança, afinal ele era um ícone da coleção viva do Parque”.

Jovens moradores – Em paralelo à perda inestimável do ancião Alcino, o Parque Zoobotânico permanece com representantes da espécie Jacaré-Açú. Um macho, de nome Tenoné, e uma fêmea, de nome Anani, nascidos no antigo Parque Crocodilo Safari, moram há 17 anos no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Atualmente, os animais estão com cerca de 18 anos e são aptos para a reprodução, todavia o manejo para que isso ocorra é muito delicado. Entre os desafios estão a expansão dos atuais recintos e o manejo da agressividade que os animais manifestam.

Apesar disso, o improvável aconteceu há algumas semanas: ovos foram encontrados no recinto dos jacarés. Para acomodar os ovos, foi providenciado um ninho de folhagens, simulando o que ocorre na natureza. Messias diz que ainda não se sabe se os ovos darão origem a filhotes: “o período de incubação dura cerca de 90 dias, resta-nos torcer para que seja férteis, caso contrário, eles apodrecerão e o ninho será desativado”, explica.

Há um projeto de expansão do recinto para que essas possibilidades reprodutivas possam ser mais factíveis. A ação pode ampliar as possibilidades de acolhimento, no Museu Goeldi, de animais ameaçados, e de educação ambiental sobre o imponente Jacaré-açú. Com a concretização dos planos, o trabalho e os afetos desenvolvidos durante anos entre Alcino e gerações de pesquisadores e visitantes do Parque Zoobotânico poderão ser vivenciados por novas gerações.

Texto: Uriel Pinho – Edição: Joice Santos e Brenda Taketa – PUBLICADO POR:   MUSEU GOELDI  

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