Barco Hospital Papa Francisco chega à comunidade quilombola em Oriximiná

Pelos próximos dois dias, a população do município terá atendimento médico para casos leves de Covid-19

Pelos rios amazônicos, o Barco Hospital leva serviços de saúde a comunidades tradicionais da imensa floresta – Foto: Pedro Guerreiro / Ag.Pará

A cerca de 80 quilômetros de distância – aproximadamente sete horas de barco da sede municipal de Oriximiná, na região Oeste -, a comunidade remanescente de quilombo Jauari recebeu nesta quinta-feira (4) o Barco Hospital Papa Francisco, financiado pelo Governo do Pará. A embarcação chegou à localidade para oferecer atendimento médico para pessoas com sintomas leves de Covid-19.

Morador da comunidade há 62 anos, Daniel de Souza disse que poder receber esse tipo de atendimento, em um momento difícil de pandemia, é muito importante. Ele explicou que, por conta da distância, os moradores acabam não tendo acesso fácil aos serviços de saúde, e com a chegada do Barco Hospital é uma garantia de tratamento da doença.

“Para quem está distante da cidade, como nós, receber esse tipo de atendimento é excelente! Estamos muito longe da cidade. Para chegar uma pessoa de fora, com toda essa estrutura em saúde a nossa disposição, é excelente. Tudo vai melhorar para nós. Todo mundo aqui foi atendido, fez exames, já está com seus resultados em mãos, recebeu medicamento. É muito importante para nós”, ressaltou Daniel de Souza.

A moradora Jhenifer Lopes também foi atendida no Barco Hospital, e ficou satisfeita com o trabalho da equipe de profissionais. “O atendimento é muito bom. Eu e meu tio fomos para consulta, fomos bem atendidos desde o momento em que eles chegaram aqui. Nos fizeram sentir bem com todo o atendimento. Aqui na comunidade todo mundo está comentando o quanto foi bem atendido”, disse a dona de casa.

Atendimentos – Neste mês de fevereiro, o Barco Hospital Papa Francisco, que funciona junto com a unidade Papa São João Paulo II, passará por nove cidades da região do Baixo Amazonas. O atendimento começou na última segunda-feira (1º) no município de Óbidos, e agora leva os serviços a comunidades de Oriximiná.

A comunidade Jauari foi a primeira a ser atendida, nos três dias que a embarcação ficará no município. Já foram realizados 465 procedimentos, como aferimento de pressão arterial (77), atendimento em enfermagem (77), consultas clínicas (77), orientação farmacêutica (77), exames laboratoriais (131), eletrocardiograma (29), raio-x (1) e entrega de medicamentos (72).

Ação preventiva – Com uma equipe composta por 13 profissionais da saúde, que realizam a média de 700 atendimentos diários, o objetivo do Barco Hospital é garantir o acesso a serviços de saúde, principalmente para comunidades ribeirinhas, a fim de evitar que os casos de Covid-19 sejam tratados de forma preventiva, evitando o agravamento da doença. A embarcação chegou ao Oeste do Pará com financiamento do governo do Estado, como mais uma estratégia de combate à pandemia.

“A missão do Barco Papa Francisco, juntamente com o governo do Estado, é levar esse atendimento às comunidades ribeirinhas. Se já era difícil para nossos ribeirinhos, quilombolas e indígenas chegarem até a cidade para atendimento básico, agora nesse tempo de pandemia piorou. O que a gente percebe é um grande alastramento da Covid também nessas regiões mais distantes. Então, nós entramos nesse combate, junto com o governo e a Sespa, para juntos frearmos essa doença. Nosso objetivo é tratar de forma preventiva e identificar os casos mais leves, para que eles não cheguem aos hospitais”, explicou frei Joel, coordenador do Barco Hospital.

Início em Faro – Nesta segunda onda de contágio na região Oeste, a embarcação começou esse trabalho na comunidade Novo Maracanã, no município de Faro, o que representou um grande desafio para a equipe. “A situação em Faro estava muito crítica. Lá foi um grande desafio, mas conseguimos dar uma resposta positiva e imediata. Agora, estamos indo para os outros municípios. Serão duas etapas. Na primeira vamos atender Óbidos, Oriximiná, Terra Santa, Juruti e Curuá. Na segunda etapa, vamos para Almeirim, Prainha, Monte Alegre e Alenquer”, completou frei Joel.

Para quem atua no combate direto à pandemia, conseguir chegar a essas comunidades distantes, levando atendimento gratuito, é uma grande satisfação profissional. “Nós aprendemos todos os dias na forma de pensar e de atuação. É um desafio diário saber de que forma vamos atuar e de que forma eles vão aderir ao tratamento. É um grande privilégio poder ter o contato com uma realidade tão diferente da minha. Poder ajudar essas pessoas é um privilégio muito grande. A palavra que resumo tudo isso aqui é essa: privilégio. Poder participar de algo assim é inexplicável”, garantiu a médica Marina Fanelli, que integra a equipe.

O Barco Papa Francisco fica no município de Oriximiná pelos próximos dois dias. Em seguida, vai para Terra Santa, Juruti e Curuá.

Estratégia – O Governo do Pará realiza uma série de ações na região Oeste para evitar o avanço dos casos de Covid-19. Dentre as ações estão a antecipação da vacinação de idosos acima de 80 anos; abertura de novos leitos em Santarém (71), Itaituba (129) e Juruti (25); financiamento do Barco Hospital Papa Francisco, que oferece atendimento clínico, exames e entrega de medicamentos; compra de cilindros de oxigênio para ajudar hospitais, e mudança de bandeiramento para a cor preta, o que indica zona de contaminação aguda, com restrições mais severas.

Com 218 mil hectares de área demarcada, a comunidade remanescente do Quilombo Jauari está situada no território quilombola do Erepecuru, no município de Oriximiná. A comunidade, que existe desde 1949, atualmente abriga cerca de 40 famílias. A maioria sobrevive da coleta de castanha.

Por Ana Thaynara (SECOM)

PUBLICADO EM:   AGÊNCIA PARÁ      VER REPERTÓRIO FOTOGRÁFICO

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