Live aborda pesquisas com indígenas na Amazônia

Para comemorar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, a Embrapa fará uma live com o tema “Protagonismo Indígena e Pesquisas Participativas”. A ação faz parte da série Amazônia em Foco e acontece no dia 7 de agosto, sexta-feira, às 16 horas, no horário de Brasília, no canal da Embrapa no Youtube (www.youtube.com/embrapa).

Renata Silva -
Foto: Renata Silva

Participam deste bate-papo os pesquisadores Moacir Haverroth, da Embrapa Acre, e Enrique Alves, da Embrapa Rondônia. Assim como também Dalton Tupari, líder da Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta D’Oeste (RO), Dina Suruí, agricultora indígena da Aldeia Tikã, em Cacoal (RO), e Luana Fowler, bióloga, naturalista e mestra pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O público poderá interagir com todos e conhecer melhor as ações realizadas nesta parceria.

O bioma amazônico reúne a maior parte da população indígena no Brasil, com cerca de 200 mil pessoas, 420 povos diferentes, 86 línguas e 650 dialetos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, na Amazônia Legal vivem mais de 180 povos indígenas que ocupam uma área de 108 milhões de hectares, o que representa 21,5% da região.

O foco do evento online é apresentar a dinâmica e os resultados de projetos de pesquisa e transferência de tecnologias em parceria com os povos indígenas que acontecem no Acre e Rondônia. Os dois estados somam cerca de 30 mil indígenas.

No Acre, as primeiras atividades em conjunto com os indígenas foram iniciadas em 2007. “”Buscamos contemplar tanto a diversificação e melhoria da produção agrícola, para garantir a segurança alimentar das famílias, como novas alternativas de renda, considerando a tradição agrícola das aldeias e o potencial da floresta”, explica Moacir Haverroth, pesquisador da Embrapa Acre.

Já em Rondônia, são realizadas com os indígenas pesquisas voltadas para a produção de castanha-do-brasil e a cafeicultura, que é o carro-chefe da parceria com os indígenas. “Acredito no poder de transformação que o uso de tecnologias de produção sustentável pode ter na realidade da agricultura familiar e de comunidades tradicionais amazônicas. É uma verdadeira quebra de paradigma. Muitos não acreditam no empreendedorismo indígena e em sua capacidade em praticar atividades mais elaboradas, que vão além da caça, pesca e o extrativismo. Estão dando exemplo a todos nós”, ressalta Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia.

Tem café na aldeia

 

O trabalho com os cafeicultores da Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta D’Oeste (RO), teve início a partir de convite feito à Embrapa Rondônia pelo líder da comunidade, Dalton Tupari, no final de 2017, em um evento. Em meio às falas de técnicos, pesquisadores e políticos, o líder indígena se sentiu motivado. “Queremos fazer parte desse movimento de transformação da cafeicultura rondoniense”, disse Dalton. Ele pediu apoio para mudar a realidade de produtores de cafés comuns, investindo na produção com qualidade.

Com a parceria da Secretaria Municipal de Agricultura de Alta Floresta e a Funai, já no primeiro ano o projeto rendeu bons frutos. O primeiro microlote de 10 sacas produzido pelo indígena Valdir Aruá, da Terra Indígena Rio Branco, conquistou, em 2018, o 2° lugar no concurso estadual de qualidade do café em Rondônia e o 20° lugar no concurso nacional Coffee of the year – Conilon e Robusta. Este café foi comercializado pelo dobro do preço da commodity tradicional.

Estes bons resultados chamaram a atenção do Grupo 3Corações, maior empresa de cafés do Brasil, que abraçou a ação e lançou o projeto Tribos, iniciativa que tem como principal objetivo valorizar o trabalho que indígenas produtores de café estão realizando no coração da floresta amazônica e, com isso, dar protagonismo a eles. O projeto fomenta um desenvolvimento sustentável amparado nos pilares social, ambiental e econômico interagindo de forma harmoniosa.

Com o projeto Tribos, o conhecimento técnico e o modelo de trabalho criado pela Embrapa Rondônia estão sendo replicados para 127 famílias indígenas do estado, localizadas nas Terras Indígenas Sete de Setembro, no município de Cacoal, e Rio Branco, em Alta Floresta D’Oeste. Cabe ressaltar que algumas famílias de cafeicultores Paiter Suruí, de Cacoal, já recebiam assistência técnica da Emater-RO, e, com o projeto Tribos, todos os trabalhos foram integrados somando novos parceiros.

O projeto da 3 Corações conta com a parceria da Embrapa Rondônia, Funai, Emater-RO, Secretaria de Agricultura de Alta Floresta D’Oeste  e Câmara Setorial do Café.

Sistemas de produção agrícola

O trabalho da Embrapa com os povos indígenas no Acre envolve diversas equipes compostas por profissionais de diferentes áreas do conhecimento. As atividades são desenvolvidas com foco na gestão territorial e ambiental, oferta de alimentos, conservação dos recursos genéticos, valorização da cultura local e dos serviços ecossistêmicos prestados à luz da legislação específica do estado.

Entre 2011 e 2019, diversas ações foram realizadas na Terra Indígena Kaxinawá, de Nova Olinda, no Alto Rio Envira, município de Feijó (AC). A maioria dos roçados implantados pelos indígenas era convertido em capoeira. Para mudar essa realidade, representantes dos agentes agroflorestais Kaxinawá foram desafiados a transformar os roçados em sistemas agroflorestais (SAF’s).

Para Roginério Tene Kaxinawá, coordenador dos agentes agroflorestais da região de Feijó e morador da Aldeia Formoso, a união dos indígenas com os pesquisadores promoveu uma retomada da agricultura e fortaleceu o uso da terra. “Muitas áreas já foram aproveitadas para o trabalho com SAF’s. Plantamos citros, banana, cupuaçu, café, açaí, pupunha e diversas plantas nativas como a biorana, bacuri e manixi para serem cultivadas próximas às casas”, explica.

Localizada no município de Mâncio Lima (AC) e com cerca de 130 famílias, a Terra Indígena Puyanawa é a atual parceira da Embrapa. Desde 2018, o projeto “Etnoconhecimento, agrobiodiversidade e serviços ecossistêmicos entre os Puyanawa” é realizado em conjunto com diversas instituições.

As atividades compreendem a intensificação das práticas agrícolas e os estudos para classificação e caracterização dos solos das aldeias, com foco no manejo adequado e conservação desse recurso natural, identificação de alternativas para aproveitamento de recursos florestais em serviços ambientais, e manejo e conservação de espécies medicinais. Também, utiliza uma metodologia participativa com oficinas de comunicação e alimentação para a valorização da cultura do povo Puyanawa.

Amazônia em Foco

A série de lives “Amazônia em Foco” é uma iniciativa das Unidades da Embrapa na Amazônia para abordar temas do desenvolvimento agropecuário da região. Desde maio, já foram abordados temas sobre açaí, banana, café, seringueira, piscicultura, pragas quarentenárias e sistemas agroflorestais.

Serviço

Live – Protagonismo Indígena e Pesquisas Participativas

Data: 7 de agosto (sexta-feira)

Horário: 16 horas (horário de Brasília)

Local: youtube.com/embrapa

Informações: (68) 99933-4412 / (69) 98119-1588 / acre.eventos@embrapa.br

Fabiano Estanislau (Mtb 453/AC)
Embrapa Acre

Contatos para a imprensa

Telefone: (68) 99933-4412

Renata Silva (MTb 12361/MG)
Embrapa Rondônia

Contatos para a imprensa

Telefone: (69) 98119-1588

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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