Valorização dos bioprodutos amazônicos é o caminho para o desenvolvimento regional

6 de Março de 2016  - Jaime de Agostinho

Promover uma bioindústria sustentável e reduzir a pressão exploratória sobre os produtos da Amazônia estão entre as alternativas mais promissoras para o desenvolvimento da região. Um artigo sobre o tema foi capa da edição de janeiro da revista Ciência Hoje, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).  

O trabalho destaca a necessidade de valorização de produtos regionais, como fibras, guaraná, açaí e óleos essenciais, por qualidades únicas obtidas em função do local de origem. Esse fator pode gerar diferencial de mercado.

O artigo foi produzido em colaboração pelo professor do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas (ICE), Valdir Veiga Júnior; pelo professor da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), Carlos Victor Lamarão; e pela doutoranda do Programa de Pós-Graduação Rede Bionorte, Roseane Moraes, com apoio do governo do Estado por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Pesquisar sobre os diversos potenciais de um mesmo bioproduto em diferentes localidades, avaliar e comparar as tecnologias utilizadas para o manejo com outras ao redor do mundo são estratégias apontadas pelos pesquisadores para o incremento do valor de mercado desses produtos, inclusive para exportação.

“Queremos alcançar a Denominação de Origem Controlada (DOC) para o que se produz aqui e esse artigo numa revista de divulgação científica leva o tema a muitos leitores”, disse o professor Valdir Veiga sobre a relevância da publicação.

“Para isso, há um longo caminho, que inclui uma efetiva política de Estado para a região Norte, nesse quesito. Nosso potencial já é conhecido; vamos mostrar, agora, como ele pode ser aproveitado”, informou Veiga.

Essa já é uma realidade para alguns dos nossos produtos. Em Maués, por exemplo, existe certificação para o guaraná e para o pau-rosa, que origina um óleo essencial. No Pará, o açaí também possui certificado.

Açaís e guaranás

Docente da Faculdade de Ciências Agrárias, o professor Carlos Victor Lamarão dedicou a tese e outros trabalhos ao tema “Açaí”. Existem dois tipos do fruto, um chamado ‘Euterpe Precatoria’, original do Amazonas; e outro cujo nome é ‘Euterpe Oleacea’, do Pará. Mesmo o açaí produzido aqui tem propriedades e gostos variados, como o açaí de Codajás ou o de Tefé. “Nosso objetivo é comprovar em quê as características são quimicamente distintas. A tentativa de padronização diminui o valor do produto no mercado”, ressaltou Lamarão.

Ele verificou que o açaí do Pará já tem um selo para identificar a origem e utiliza a “química verde”, livre de contaminação no processo produtivo. Isso agrega valor ao produto final, e gera ganhos em cadeia.

A respeito do guaraná são levantadas as mesmas questões. O que é produzido em Maués difere daquele produzido em Coari. “As pesquisas têm a função de identificar quais são essas diferentes.

O passo seguinte é apresentar isso como diferencial para as vendas. Por exemplo, uma bebida de uva só poderá levar o nome (DOC) de vinho do Porto se tiver, realmente, sido produzida naquele local. O mesmo acontece com o Champanhe. Nem todo espumante pode levar esse título, porque ele é exclusivo dos produzidos nessa região”, disse Valdir Veiga.

Outros produtos

O Programa de Pós-Graduação em Química é lócus para o trabalho de Carlos Frederico. Ele faz um trabalho de “valorização química” de óleos essenciais. Como isso funciona? É só imaginar, por exemplo, que um óleo de andiroba pode ter a ação anti-inflamatória potencializada por meio de processos físico-químicos. Na pesquisa, são utilizados o pau-rosa e a copaíba.

Na mesma linha, trabalham as doutorandas Gláucia Costa e Simone Braga, do PPG em Inovação Farmacêutica; e a doutoranda Emily Soares, do PPG Biotecnologia, ambos da Ufam. Gláucia pesquisa sobre espongiários dos rios locais que podem ser úteis para o tratamento de doenças neurodegenerativas. Simone investiga sobre a possibilidade de formular bioprodutos a partir da “casca preciosa” ou caneleira. Já Emily realiza um trabalho de continuidade de outras pesquisas, identificando, a partir de compostos, mecanismos de ação antimicrobiana presentes em plantas da família Lauraceae, a mesma da caneleira.

Q-Bioma

“Há mais de dez anos, o Grupo de Pesquisa Química de Biomoléculas da Amazônia (Q-Bioma) estuda sobre produtos naturais da Amazônia, suas propriedades e seus diferenciais”, explica o professor Valdir Veiga, que tem diversos trabalhos publicados sobre a copaíba.

De acordo com ele, há mais de duas décadas esse produtos é pesquisado em quatro regiões do País, com exceção do Sul, onde não há incidência da árvore. “Há grande variedade de ações biológicas do óleo conforme a localização da árvore. Isso é importante para diferenciar os princípios ativos de cada um deles”, disse o pesquisador.

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Fonte: Ufam

Edição: Agência Fapeam


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