Desenvolvimento sustentável – Madeira brasileira atrai estrangeiros

17 de Janeiro de 2013  - Jaime de Agostinho

Investir em madeira brasileira pode render mais que uma aplicação em ouro e ser mais interessante que os papéis do Tesouro americano. O anúncio parece exagerado. Mas é a mensagem que dezenas de fundos de investimento estão lançando em países ricos, em busca de pessoas interessadas em aplicar seu dinheiro. Com o setor imobiliário implodido nos países ricos e dúvidas em relação a aplicações tradicionais, empresas apresentam segmentos alternativos, caso da madeira brasileira, como opção.  

Uma dessas empresas é a Greenwood, que criou o que chama de “Projeto Acácia”. A companhia estrangeira comprou cinco áreas em um total de 2,3 mil hectares para plantar de forma sustentável as árvores. Uma dessas áreas fica no Estado da Bahia.

O interessado aplica seu dinheiro, compra simbolicamente áreas nessas terras da empresa e será a venda dessa madeira para o mercado doméstico brasileiro e eventual exportação que garantirá o retorno do investimento. Os dividendos, segundo a empresa, começarão a aparecer dentro de três anos. Por meio hectare adquirido, o investidor paga 6,2 mil euros. Os pacotes podem chegar a 505 mil euros.

“O fato é que esse é o melhor momento para que as pessoas se envolvam nesse investimento, já que ele está fora da zona do euro, em crise”, escreveu ao Estado Liam Fleming, um dos administradores do projeto. “O Brasil é um mercado em expansão e que só pode ficar melhor com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos”, indicou. “Nesse momento, muitos investidores estão saindo da Europa e indo ao Brasil na preparação desses eventos e o governo está gastando bilhões em infraestrutura”, disse Fleming. “Adoramos a notícia, já que significa que a demanda por madeira vai aumentar”, completou.

Casas populares. Outro fator que está impulsionando esses fundos é a decisão do governo de lançar a construção de casas populares, que também exigiriam o fornecimento de madeira.

De fato, segundo a Wood Resource Quarterly, empresa que mantém um monitoramento dos preços de madeira pelo mundo, o custo do produto no Brasil bateu um recorde em 2011, diante da demanda aquecida. De acordo com o levantamento, o recorde não se refere apenas aos preços no Brasil nos últimos anos, mas também em comparação com regiões como Europa, Austrália, Chile e Rússia. A demanda externa também ajudou a elevar os preços, algo positivo para os investidores. Em 2011, as exportações aumentaram 6%, principalmente para China, México, Marrocos e Arábia Saudita.

A indefinição sobre o Código Florestal no Brasil e obstáculos legais chegaram a causar uma fuga de investimentos no setor, com cálculos que apontam que até US$ 6 bilhões teriam deixado de ser investidos no País nos últimos anos.

Ainda assim, diante das perspectivas, empresas estrangeiras da Suécia, EUA e vários outros países prometem a seus clientes no exterior um retorno de 5% a 14% para quem investir em eucalipto, acácia ou outras madeiras no Brasil, sempre com a promessa de que a gestão do produto será feita de acordo com as leis ambientais locais.

Atrativos. Em Londres, a Global Forestry Investments atrai seus clientes apontando simplesmente que, entre os anos 1987 e 2006, a madeira rendeu mais às aplicações que a bolsa de Nova York, o mercado imobiliário inglês ou emissões do Tesouro americano.

Já a Big Lands Brazil, com escritórios no País e no exterior, aponta que já tem 83 propriedades pelo Brasil, onde investe em madeira em mais de 1,6 milhão de hectares. Uma de suas funções em 2011 foi a de dar consultoria para um fundo de investidores interessados em madeira e com base em Guernsey – um paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha.

Não é apenas a extensão do território brasileiro que é vendida aos investidores como algo atrativo. A consultoria australiana New Forest ainda aponta para as inovações genéticas e de manejo florestal no Brasil, permitindo taxas de crescimento das árvores acima da média. “O Brasil tem desenvolvido regimes de manejo que permitem que espécies de eucalipto possam crescer a taxas de quase 50 metros cúbicos por hectare por ano”, indicou.

POR: JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE/ GENEBRA – O Estado de S.Paulo

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