Projeto “A Floresta Sensível” une a ciência e os sentidos no Museu Goeldi

A instituição apresenta na próxima semana a plataforma virtual “A Floresta Sensível”, que busca relação sensorial com a natureza para perceber a floresta amazônica. Inclui um passeio virtual 360º, informações científicas e vivências dos povos indígenas da região, e, em breve, um jogo imersivo e outros novos conteúdos.

A disponibilização da plataforma acontece no encerramento do Festival Gastronômico Cultural Sabores e Saberes, primeira atividade do projeto e que inicia nesta segunda-feira (25), às 16h, no canal do Museu Goeldi no YouTube.

Agência Museu Goeldi – Na próxima semana o Museu Paraense Emílio Goeldi lança a plataforma virtual “A Floresta Sensível”. O projeto une o rigor científico e a sensibilidade para acessar diferentes dimensões da floresta amazônica, que incluem a ciência, os sentidos e os conhecimentos de povos originários e comunidades tradicionais. O lançamento do projeto inicia com o Festival Gastronômico Cultural “Sabores e Saberes”, com uma semana inteira de programação especial entre os dias 25 e 27 de outubro, sempre às 16h, com transmissão online pelo canal no YouTube do Museu Goeldi. O Festival “Sabores e Saberes” apresenta o conhecimento originário, científico e sensível sobre ervas e alimentos da região. O Festival e o lançamento da plataforma “A Floresta Sensível” fazem parte de uma ampla programação online em comemoração aos 155 do Museu Goeldi, o “Museu de Portas Abertas”.

A apresentação e disponibilização da plataforma acontece na quinta-feira, 28 de outubro, às 16h, também no canal no YouTube do Museu Goeldi, com participação da equipe de pesquisadores e designers que construíram o experimento. “A Floresta Sensível” ficará disponível no endereço www.aflorestasensivel.com.br

O projeto – Em um tempo difícil para a Ciência, com propagação de notícias falsas, campanhas negacionistas contra as instituições de pesquisa e diminuição considerável de recursos, buscar abordagens que envolvam a sociedade no fazer científico, preservando seu rigor e confiança, são grandes desafios. Especialmente para o conhecimento desenvolvido na Amazônia. Coordenado pelo antropólogo do Museu Goeldi Glenn Shepard Jr., “A Floresta Sensível” propõe a imersão do público com a ciências, temas, saberes e percepções amazônicas, de modo inovador

A equipe de pesquisadores coordenada por Glenn mapeou elementos do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, uma pequena miniatura da Floresta Amazônica, e escolheu duas dezenas de plantas para a produção de conteúdos de divulgação científica, que serão disponibilizadas em diferentes etapas. O material inclui informações sobre sua biologia e ecologia, além de modos como os povos da região pensam, analisam e acumulam conhecimentos sobre as mesmas. Entre os produtos desse trabalho estão um passeio virtual 360º pelo Parque Zoobotânico do Goeldi, um jogo imersivo, além de muitas informações científicas e vivências dos povos indígenas da região.

Um convite para conhecer a floresta em suas dimensões intangíveis, visíveis e sensíveis, agregando aprendizado sobre como diferentes povos indígenas da Amazônia usam cheiros, sabores, texturas e sons para interagir com diversos seres da floresta e do cosmos. O projeto foi um dos selecionados para financiamento pelo Instituto Serrapilheira, uma instituição privada, que tem o objetivo de financiar pesquisas de excelência, com foco em produção de conhecimento e divulgação científica.

O Festival – Entre os dias 25 e 27 de outubro, sempre às 16h, o Festival Gastronômico Sabores e saberes terá uma programação mista de lives e webinars explorando o conhecimento originário, tradicional e científico sobre as memórias e vivências sensoriais da Amazônia. O dia 25 começa com uma homenagem a educadora Helena Quadros, uma das idealizadoras do Festival Gastronômico, e que foi vítima da Covid-19.

Segue com o Seminário Científico “Raízes Indígenas”, com apresentação sobre “Arqueologia alimentar” de Laura Furquim, que desenvolve pesquisa de doutorado sobre o cultivo e manejo indígenas no período pré e pós-colonial no sudoeste amazônico (AM, RO e AC); e de Val Kinupp, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas e do Programa de Pós-Graduação em Botânica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, que abordará Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) na Amazônia. O dia 25 encerra com a exibição do filme “O bereribu Kayapó” do cineasta Kayapó Pat-I, sobre a cerimônia indígena bereribu.

No dia 26, o tema são os “Aromas da Amazônia”. Entre os convidados está Leila Bandeira, filha de Dona Coló, conhecida erveira do Ver-o-peso, que fala sobre o ofício de ser erveira e seus produtos amazônicos. Já Pai Alfredo Benevides, filho da Casa Fanti Ashanti, de São Luís do Maranhão, ensina como fazer um perfume ancestral de ervas amazônicas. A programação do dia encera com apresentação de Rodrigo Barata, Doutor em Antropologia da UFPA, que interpreta “Banho de Cheiro”, da obra de Eneida de Morais.

O dia 27 é dedicado às lives com o tema “Gastronomia regional”. Contará com Webinar “Cultura alimentar e economia solidária” com a cozinheira e realizadora cultural Tainá Marajoara, descendente do povo Aruãn e fundadora do Ponto de Cultura Alimentar Iacitatá. Seguirá com as participações de Noel Gonzaga, do Grupo de Consumo Agroecológico (GRUCA) e Carmelita das Frutas, que apresentará sua barraca de produtos exclusivamente amazônicos no Ver-o-Peso. A live “Receitas Regionais com Toró Gastronômico” contará com o Chef Wagner Vieira que falará sobre as propriedades da maniva e ainda ensinará uma receita exclusiva: o Risoto de Maniva com Frutos do Mar.

A programação do dia 27 encerra com “Peixe com Carimbó de Alter do Chão”. Ao som do Carimbó do Mestre Chico Malta, o público poderá conferir uma receita gastronômica de Laudeco, o Mestre Laudelino Sardinha, que fará o preparo de Piracaia aos moldes tradicionais: na beira da praia, ao som do Carimbó, tocado pelo reconhecido Mestre santareno Chico Malta, que participou ativamente da campanha pelo reconhecimento do carimbó como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

Texto: Uriel Pinho, com informações dos pesquisadores

Edição: Joice Santos

Programação de lançamento “A Floresta Sensível” – Festival Gastronômico Sabores e Saberes.

25/10 – 16h, “Raízes indígenas”

Apresentação do Festival e Homenagem a prof . Helena Quadros, fundadora do Festival

Webinar: Sabores e Saberes

Laura Furquim – arq. alimentar

Bacharel em História pela Universidade de São Paulo e mestre em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Possui experiência de pesquisa em acervos históricos sobre História Colonial e História da Amazônia, e em campo e laboratório sobre Arqueologia Amazônica, Ecologia Histórica e Arqueobotânica. Foi bolsista CNPq no Laboratório de Arqueologia do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM), onde trabalhou com gestão de acervos e gestão do patrimônio arqueológico em Áreas de Unidade de Conservação de Uso Sustentável. É membro do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos (MAE/USP), onde atualmente desenvolve uma pesquisa de Doutorado acerca do cultivo e manejo indígenas no período pré e pós-colonial no sudoeste amazônico (AM, RO e AC), sob orientação do profº Dr. Eduardo Goes Neves.

Val Kinupp: PANCs da Amazônia

Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus-Zona Leste (IFAM-CMZL) e Fundador-Curador do Herbário EAFM deste instituto. Docente e orientador credenciado no Programa de Pós-Graduação em Botânica do INPA. Atua na pesquisa e divulgação das PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Botânica Econômica, Taxonomia de Fanerógamas, Etnobotânica, Herbário e Biodiversidade, atuando principalmente nos seguintes temas: alimentos vegetais não convencionais, recursos genéticos vegetais, segurança alimentar, florística, olericultura (hortaliças não convencionais) e agroecologia. Doutor em Fitotecnia-Horticultura (2007) pelo PPG Fitotecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Mestre em Ciências Biológicas (Botânica) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA (2002. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Londrina – UEL (2000). Autor do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil em coautoria do Harri Lorenzi (Editora Plantarum, 2014).

Exibição do filme: Pat-I – O bereribu Kayapó

Cineasta Kayapó Pat-I sobre a cerimônia indígena bereribu

26/10 – 16h, “Aromas da Amazônia”

Exibição: Erveiras do Ver-o- Peso, pela Leila Bandeira

Leila Bandeira, filha de Dona Coló, assume o legado de sua mãe, e faz uma rica explanação sobre o ofício de ser erveira, suas ervas e produtos amazônicos.

Exibição: Perfumaria Ancestral, por Pai Alfredo.

Pai Alfredo Benevides, filho da Casa Fanti Ashanti, de São Luís do Maranhão, ensina como fazer um perfume ancestral de ervas amazônicas, simbólicos atrativos de energias positivas.

Memórias e sensações

Webinar

Rodrigo Barata – “Banho de Cheiro” de Eneida de Moraes 

Rodrigo Barata fará a leitura de um trecho de Eneida de Moraes e comenta sobre o texto e nosso simbólico cultural através das ervas. Rodrigo possui Doutorado em Antropologia pela Universidade Federal do Pará (2019). Mestrado em Artes pela Universidade Federal do Pará (2013) e graduação em Letras pela Universidade da Amazônia (1998). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura infanto-juvenil, poemas e prosa.

27/10 – 16h, “Gastronomia regional”

Webinar – Cultura alimentar e economia solidária: Tainá Marajoara

Tainá Marajoara, cozinheira, realizadora cultural e conselheira nacional de Cultura Alimentar, descendente do povo Aruãn marajoara, fundadora do Ponto de Cultura Alimentar Iacitatá explanará sobre o que é cultura alimentar amazônica, consumo consciente, sustentabilidade e culinária amazônica real.

Exibição: Noel Gonzaga – GRUCA 

Noel falará sobre o Gruca – Grupo de Consumo Agroecológico e contará um pouco sobre como a agroecologia funciona na prática.

Exibição: Carmelita das frutas do Ver o Peso

A feirante mais original de todas, Carmelita irá apresentar sua barraca de produtos exclusivamente amazônicos no Ver-o-Peso

Live: Receitas Regionais com Toró Gastronômico

Apresentação de receita exclusiva do Chef Wagner Vieira, do Toró Gastronômico, de Risoto de Maniva com Frutos do Mar. O chefe irá falar sobre as propriedades da maniva e ensinar a receita.

Encerramento: Peixe com Carimbó de Alter do Chão

Exibiremos um vídeo de Alter do Chão, ao som do Carimbó do Mestre Chico Malta e com receita gastronômica de Laudeco, Mestre Laudelino Sardinha, de notório saber amazônico regional, indígena Borari, cozinhando Piracaia, aos moldes tradicionais, na beira da praia, ao som do Carimbó de Mestre Chico Malta. Chico Malta nasceu em Santarém e há mais de 44 anos desenvolve seu trabalho como músico na região. Descendente das etnias Waiwai e Munduruku, tem na sua produção poética e musical referências diretas às lendas, rituais e costumes dos povos do Tapajós. Mestre Griô de tradição oral, participou ativamente da campanha pelo reconhecimento do carimbó como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

28/10 – 16h, “Lançamento da plataforma online A Floresta Sensível”

Live com a participação da equipe do projeto A Floresta Sensível:

Glenn Shepard, Sâmia Batista, Ana Claudia, Débora Blois, Crypta Studio, Vitória Mendes, Sue Costa, Albery e Thiago Albuquerque, além de um representante do Instituto Serrapilheira.

Serviço:

Lançamento da plataforma virtual “A Floresta Sensível” e Festival Gastronômico “Sabores e Saberes”: De 25 a 28 de Outubro, às 16h, no canal do MPEG no Youtube (https://www.youtube.com/user/museugoeldi)

PUBLICADO POR:    MUSEU GOELDI

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