Comércio internacional e as ameaças aos povos indígenas

Com o tema “Perspectivas sobre a Amazônia indígena e o comércio internacional”, foi ao ar na quinta-feira (25) o último episódio da primeira temporada do Amazoniar.

Foto: IPAM Amazônia

A série é uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e tem apoio do Observatório de Comércio e Ambiente na Amazônia (OCAA). O ciclo de discussões promoveu diálogos com foco na relação entre comércio internacional e o bioma.

Pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho iniciou o debate salientando o papel fundamental dos povos indígenas, não só para os brasileiros, mas para o futuro do planeta. “Seu modo de vida e sua cultura ajudam a preservar a biodiversidade, auxiliam na regulação do clima e trazem soluções viáveis para o desenvolvimento da Amazônia, que depende muito do seu conhecimento tradicional, inclusive científico”, explicou.

Dar voz a quem entende

Acordos comerciais internacionais, quando firmados sem a participação dos povos originários, podem trazer graves ameaças a essas populações. É o que defende Nilcélio Jiahui, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). “Eles expandem o agronegócio dentro dos nossos territórios”, denunciou. “Sofremos um massacre dos povos indígenas por conta desse grande desmatamento que está acontecendo na Amazônia”.

Segundo Jiahui, o prejuízo é de toda a sociedade. “Somos as populações que mais preservam a floresta, garantindo que esta geração e as futuras possam respirar. Nós cuidamos dos rios para que não sejam poluídos por explorações de minérios dessas grandes empresas que só visam ao desenvolvimento a qualquer preço.”

Professora associada da Universidade de Helsinque, Pirjo Virtanen ressaltou que o governo, por regra, tem a obrigação de consultar os povos indígenas sempre que uma medida administrativa, mudança de lei ou política pública possa afetar os direitos indígenas, suas terras, seus recursos ou modos de vida.

Virtanen explicou ainda que, antes de firmar qualquer tipo de acordo, é preciso um diálogo em longo prazo, com a participação de toda a comunidade. “A decisão deve ser coletiva e é necessário que seja feita sem pressa, mas com tempo para poder entender todos os impactos envolvidos, sejam eles negativos ou positivos”, esclareceu.

Para Jiahui, no entanto, ainda há esperanças de que a sociedade enxergue que é possível fazer acordos conciliados à conservação do meio ambiente e sua biodiversidade. “Nós queremos sim o desenvolvimento econômico, desde que ele respeite todas as culturas e tradições dos povos originários”, concluiu.

O episódio pode ser acessado, na íntegra, no canal do IPAM no Youtube

PUBLICADO EM:    IPAM AMAZÔNIA

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