Erosão: Santa Maria do Boiaçu pode ser engolida por voçoroca

A grande erosão na entrada principal da vila tem atrapalhado a vida dos pescadores, moradores, visitantes e turistas de uma das mais importantes comunidades do Baixo Rio Branco. O fenômeno coloca em risco o desembarque de mercadorias e ameaça pequenos veículos utilizados para transporte de carga.

Erosão: Entrada de Santa Maria do Boiaçu está ameaçada pelas chuvas e pela ausência de infraestrutura. Foto: Éder Rodrigues (RTU/UFRR)

Nos estudos geomorfológicos, as voçorocas constituem-se em escavações no solo ou em rochas resultantes de erosão provocada pelo escoamento de águas das chuvas.  De acordo com os moradores entrevistados em Santa Maria do Boiaçu, comunidade localizada no município de Rorainópolis (RR), a grande erosão formada na entrada principal do povoado tem se agravado todos os anos. “Os políticos, quando visitam a gente, prometem construir um píer ou dizem que vamos em breve ganhar uma orla. Na prática, não temos apoio. A entrada não tem manilhas nas laterais e a erosão toma conta por causa do volume de água que não tem por onde escorrer”, disse um dos moradores.

Os moradores afirmam que o fenômeno geológico, gerador de grandes buracos na entrada da vila nos períodos de chuvas, não pode ser mais resolvido com paliativos, mas sim com uma obra definitiva de drenagem e infraestrutura mínima, ações que podem evitar graves acidentes com as pessoas, minimizar os prejuízos com o fluxo do pequeno comércio existente na vila, além de favorecer a paisagem do local.

O professor e pesquisador da UFRR, Giovanni Seabra, que é doutor em geografia física, conhece bem o assunto. “Santa Maria do Boiaçu é um exemplo de descaso com o que poderia ser um porto ou um píer com trapiches e áreas destinadas às embarcações, caso houvesse interesse das autoridades. Quando desembarcamos na entrada principal do povoado, tem uma grande voçoroca prestes a engolir o próprio povoado. As voçorocas existem para crescerem, sobretudo, quando estão abandonadas a própria sorte. É o processo de fagocitose”, pontua Seabra.

Ele explica que a voçoroca engole “ela mesma e tudo que está a sua volta”. O pesquisador compõe a expedição organizada em maio pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e Universidade Federal do Ceará (UFC), vinculada ao Programa Nacional de Cooperação Acadêmica na Amazônia (PROCAD), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).O programa permite o estudo do ordenamento e da gestão territorial, dos aspectos socioambientais e socioeconômicos das comunidades ribeirinhas do Baixo Rio Branco, existentes ao longo dos rios Branco, Xeurini, Jufari e Jauaperi, no estado de Roraima.

Professor Seabra durante as entrevistas com moradores da vila de Santa Maria do Boiaçu constatou que a voçoroca estava bem maior em 2018 e que a situação foi amenizada pelos recursos provenientes do Fundo de Turismo, que entra da comunidade por meio de acordo com as empresas que exploram o turismo de pesca esportiva.“Eles explicaram que foi feito o controle da voçoroca nos anos anteriores. No entanto, o problema é que esta é uma ferida que deve continuar aberta para ser alimentada pelo Fundo do Turismo a cada ano. Porque nós que conhecemos voçoroca, sabemos que as medidas corretivas são fáceis de serem aplicadas e a custos reduzidos. A obra, que foi realizada ano passado, durou exatamente um ano. Ao custo, segundo nos foi dito, de R$ 32 mil”, ressaltou.

Santa Maria do Boiaçu: entrada principal e recursos do Fundo do Turismo sofrendo desgastes. Foto: RCCaleffi/Coordcom/UFRR

Reportagem: Éder Rodrigues (RTU/UFRR)

FONTE: UFRR

 

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