RR – Fiscalização evita crime no Parque do Viruá

10 de Janeiro de 2018  - Jaime de Agostinho

Ação realizada durante o réveillon evitou a morte de milhares de espécimes no interior da unidade em Roraima.

Uma operação de fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Polícia Militar Ambiental de Roraima (CIPA), resultou no flagrante de uma quadrilha que planejava um grave ataque ambiental, durante a virada do ano, no interior do Parque Nacional do Viruá, no município de Caracaraí, em Roraima. O flagrante, ocorrido no rio Iruá, o principal rio no interior do Parque, foi o maior já realizado dentro da unidade de conservação. Junto à quadrilha, formada por 10 pessoas, foram apreendidas 6 embarcações, 4 motores e 70 redes de pesca (conhecidas na região como malhadores).

“Eles foram muito ousados. Aproveitaram uma troca de turno entre equipes da base temporária na boca do rio para ingressar na unidade, pensando que a operação havia encerrado para a noite de fim de ano”, explicou Samuel Lima Rodrigues, coordenador da operação do ICMBio. “Mas, na manhã seguinte, quando abordamos um barco próximo ao local, desconfiamos que estivesse dando cobertura a algum ilícito no interior do Parque e fomos averiguar”, relatou. A operação, iniciada no dia 19 de dezembro, contou com a participação de 12 policiais da Companhia Independente de Policiamento Ambiental de Roraima (CIPA), distribuídos em 6 embarcações, com motores de 40 Hp.

De acordo com o comandante da CIPA, capitão Francisco Ponciano de Almeida, se para a sociedade em geral este é um período de descanso, para a fiscalização no Parque é justamente o contrário, pois é o período de maior pressão da pesca ilegal e do tráfico de tartarugas na região. “Nesta época do ano, além da estiagem concentrar os peixes nos lagos e igarapés, e de favorecer a desova das tartarugas, há um aumento também na demanda para atender as festas de natal e ano novo”, explica Almeida.

“Não fosse a operação, o impacto sobre a fauna da unidade seria gravíssimo, porque 70 redes de pesca ao mesmo tempo em diferentes pontos podem fazer um estrago muito grande, dizimando milhares de peixes”, explicou a chefe substituta do Parque Nacional do Viruá, Beatriz Ribeiro. “Foi importantíssimo ter encontrado as redes nos barcos antes de serem instaladas, evitando que o dano ocorresse”, ressaltou.

Segundo Beatriz, o igapó (floresta inundada) do rio Iruá é um importante berçário para a fauna aquática da região, e sua conservação é fundamental para a manutenção do estoque pesqueiro no município, uma vez que serve de local de reprodução e fonte de alimentos para dois grandes rios: Branco e Anauá. “Esta importância se tornou maior ainda devido aos efeitos do último grande El Niño ocorrido entre 2015 e 2016, que provocou a maior estiagem dos últimos 20 anos, reduzindo fortemente o estoque pesqueiro da região”, afirmou. “Se não fosse o Parque protegendo essa área, a situação atual da pesca na região seria gravíssima”.

Diversidade de espécies de peixe – Criado em 1998, o Parque Nacional do Viruá possui mais de 500 espécies registradas de peixes, sendo considerado o atual recordista em diversidade de peixes de água doce no Brasil. Graças a isso, o Parque foi reconhecido em 22 de março de 2017 como o primeiro Sítio de Importância Mundial para a Conservação das Áreas Úmidas (Ramsar) no estado de Roraima, título dados às áreas úmidas de maior relevância para a conservação ambiental no planeta.

A operação de fiscalização, que inclui também o combate ao tráfico de quelônios dentro e fora da unidade de conservação, está sendo custeada com recursos do Programa ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia) do Ministério do Meio Ambiente e segue até março.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280

 

 

 


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