I Seminário de Gestão da Água

Tão importante quanto a instalação de uma tecnologia de tratamento comunitário de água é a sua adequada gestão. E este foi o tema do I Seminário de Gestão da Água que aconteceu, de 09 a 10 de junho de 2022, na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), em Tefé (AM).

Rafaela Lopes, analista do IDSM, apresenta os aspectos legais sobre o acesso à água nas comunidades rurais. Foto: Maria Cecilia Gomes. – Postada em: Instituto Mamirauá

O evento contou com a participação de cerca de 50 convidados representando comunidades ribeirinhas e indígenas, Central das Associações dos Moradores e Usuários da Reserva Amanã (Camura), prefeituras municipais de Alvarães, Maraã e Uarini, além das instituições Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Médio Solimões e Afluentes), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/NGI Tefé), Departamento Estadual de Mudanças Climáticas e Unidades de Conservação (DEMUC/SEMA-AM), Defesa Civil, Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e Cáritas Brasileira.

Para Dávila Corrêa, Diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, “há muito tempo o IDSM aborda a temática da melhoria da qualidade de vida das pessoas e a busca por soluções para o acesso à água nas comunidades. Por muito tempo se buscou uma solução técnica e, ao mesmo tempo, o tema da gestão, como manter o funcionamento dos sistemas, foi sendo discutido com as comunidades. Agora é importante ampliar e tratar sobre o tema com diferentes agentes”.

Segundo Maria Cecília Gomes, coordenadora do Programa de Qualidade de Vida (PQV) do IDSM, a mortalidade infantil na região rural do Médio Solimões é maior que no restante do estado do Amazonas e do Brasil: “Apesar das melhorias, ainda há desafios para levar o saneamento básico para estas comunidades, como a falta de eletricidade, o que mostra a importância da energia solar nesta região”.

O Sistema de Bombeamento e Abastecimento de Água com Energia Solar, desenvolvido pelo IDSM, já foi instalado em 13 locais desde 2012 e tem um custo atual em torno de R$60 mil. Com uma vida útil de mais de 10 anos, além deste custo de instalação há custos de manutenção que devem ser considerados na gestão do dia-a-dia. Dentre estes custos estão manutenções nos reservatórios, filtro e base de madeira elevada – adaptada aos pulsos de inundação da várzea amazônica.

Atualmente o IDSM está implementando e reformando quatro Sistemas de Bombeamento em comunidades do Médio Solimões, através do Desafio Transforma! de Tecnologias Sociais, da Fundação Banco do Brasil.

Durante o evento, representantes de comunidades da região compartilharam suas experiências com a gestão destes sistemas de abastecimento, mostrando ideias que estão dando certo. Além destes exemplos, foram apresentados modelos formais de gestão que ocorrem dentro e fora da Amazônia.

O II Seminário de Gestão da Água ocorrerá no IDSM em março de 2023. Para Rafaela Dias Lopes, Analista de Pesquisa e Desenvolvimento do PQV, “nosso objetivo é sair desses encontros com um rascunho do que seria um acordo de gestão, que envolva todos os que têm um papel. A melhor estratégia não é a que vai ser aplicada em todos os lugares, quanto maior o leque de opções, melhor se consegue escolher o que se encaixa em cada local”.

Texto: Leonardo Capeleto – Publicado por:  INSTITUTO MAMIRAUÁ  

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