Agência Nacional de Águas ensina a medir vazão de grandes rios na Amazônia

Medição da vazão do rio Solimões

A Agência Nacional de Águas (ANA) é quem autoriza o uso da água em rios e reservatórios federais*. Para controlar a quantidade de água em uso, é preciso monitorar a disponibilidade de recursos hídricos nas bacias hidrográficas antes de autorizar retiradas por companhias de saneamento, irrigantes, industrias, ou seja, pelos vários usuários.

Para isso, a ANA conta com uma Rede de Monitoramento. Nesta semana, em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a ANA começa a 17ª edição do Curso Internacional de Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios. 

De 23 de agosto a 1º de setembro, 38 especialistas, entre brasileiros e estrangeiros, vão percorrer três quilômetros no rio Solimões, um dos maiores afluentes do rio Amazonas, para aprender a medir vazões, ou seja, quanta água passa por segundo em um trecho de rio. O barco ficará ancorado na cidade de Manacapuru (AM), onde os especialistas também vão treinar a técnica com o barco parado.  

Com atividades teóricas em Manaus e atividades práticas em Manacapuru, além do treinamento oferecer técnicas e metodologias utilizadas nos trabalhos de medição e cálculo da descarga líquida em grandes rios, colabora na padronização dos métodos e técnicas de medição. 

O local escolhido é uma das maiores seções de medição do planeta devido ao grande volume de água que passa no local. Durante o curso já foi medida uma vazão de 160.000m³/s (160 milhões de litros por segundo) em 2012, patamar que só existe na bacia do rio Amazonas. Com esta vazão seria possível suprir 144 vezes o consumo médio de água do Brasil, que é de 1.109m³/s segundo o relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, da ANA. 

Com a medição em grandes rios, os especialistas podem calcular a disponibilidade de água de um curso d’água de grande porte, como é o caso do rio Solimões, utilizando técnicas modernas e tradicionais. Também é possível realizar o controle de inundações, como já acontece no entorno de Manaus. A partir do Curso Internacional a Agência Nacional de Águas também vem integrando dados de monitoramento com países amazônicos, já que a bacia do rio Amazonas é transfronteiriça e recebe águas de outros países, como Bolívia, Colômbia, Peru, entre outros. 

Dois servidores da ANA serão instrutores do Curso Internacional de Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios: o coordenador de Operação da Rede Hidrometeorológica, Fabrício Vieira, e o especialista em recursos hídricos Matheus Marinho. Pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Márcio Cândido também conduzirá as atividades juntamente com o consultor Valdemar Guimarães e Marcelo de Ávila, representante da empresa Hidrométrica. 

Em 23 de agosto, a partir das 19h, a programação do curso será aberto no auditório do CPRM em Manaus e contará com a presença de dirigentes da ANA, do Serviço Geológico do Brasil e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA), que estarão disponíveis para entrevistas. As aulas teóricas acontecem no dia 24 no mesmo auditório das 8h30 às 18h. 

No dia 25 de agosto o barco fica ancorado no cais de Manacapuru.

Entre os dias 26 e 30 de agosto, a embarcação sai do cais de Manacapuru às 7h para as atividades práticas com o no barco ancorado na seção de medição próxima a Manacupuru e no leito do rio Solimões. Às 17h30 o barco retorna à cidade. Neste período, os especialistas de nove países – Brasil, Equador, Peru, Guiana, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Suriname – utilizarão os métodos do barco ancorado, de grandes rios e Acústico Doppler com ADCP. Dia 31 haverá atividades em sala para finalizar a parte teórica do treinamento. No dia 1º de setembro, os alunos voltam a Manaus no barco da capacitação.

O 17º Curso Internacional de Medição de Descarga Líquida em Grandes Rios conta com apoio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA), entre outras instituições parceiras.

Rede Hidrometeorológica Nacional

A ANA monitora os rios do Brasil por meio da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), que possui mais de 4,5 mil estações de monitoramento, de diferentes tipos, em todo o País. Há estações fluviométricas (para nível e vazão de rios), pluviométricas (chuvas), sedimentométricas (sedimentos), de qualidade da água, entre outras. Para acessar dados telemétricos da Rede, acesse: www.ana.gov.br/telemetria

Serviço

As aulas teóricas acontecem no auditório do Serviço Geológico do Brasil:  Avenida André Araújo, 2010, Petrópolis, Manaus.

O barco sai do cais de Manacapuru às 7h e retorna às 17h30.

*Os recursos hídricos de domínio da União são os interestaduais, transfronteiriços ou reservatórios construídos com recursos da União.

FONTE: AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS – ANA

FOTO: Daniel Cardim / Banco de Imagens ANA –  Medição da vazão do rio Solimões

 

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