Cuiabá sedia Fórum de Políticas Públicas para Esporte e Lazer de Povos Indígenas – Etnias indígenas vão a Cuiabá defender respeito aos direitos fundamentais

10 de Abril de 2015  - Jaime de Agostinho

Cuiabá recebe até sábado (11) o 1º Fórum de Políticas Públicas para Esporte e Lazer dos Povos Indígenas. Durante toda a semana, índios de todo o país discutem programas e ações que valorizem o esporte  e que integrem os povos tradicionais nas modalidades de alto rendimento.

Nessa terça-feira (7), uma manifestação marcou a chegada dos cerca de 300 indígenas que participam do evento. Eles fizeram uma passeata no entorno da Universidade Federal de Mato Grosso contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere para o Congresso Nacional a prerrogativa de demarcar terras indígenas, função que é exercida pelo Poder Executivo.

Para a indígena Maria Eva Canoé, de Rondônia, não há como separar as discussões de esporte das outras demandas indígenas, como saúde, educação e território demarcado. O fórum vai servir para que haja uma política específica de esporte para essa população. “A finalidade do encontro é fazer com que nós, povos indígenas, possamos contribuir para uma política específica e diferenciada que atenda à demanda das populações indígenas nessa área de esporte e lazer, para a valorização da nossa cultura, das nossas brincadeiras, e que esse programa de governo seja adequado à realidade dos povos indígenas do Brasil.”

A professora Beleni Saléte Grando, que coordena o evento, também ressaltou a importância da luta pelo território, antes de se pensar em direito ao esporte. “Qualquer pessoa primeiro precisa de um lugar. Então, o território e a possibilidade de vida coletiva nesse território é a primeira base para qualquer coisa. Simplesmente, tenho que primeiro garantir essa vida coletiva com qualidade.”

Na solenidade de abertura, o chefe de Gabinete do Ministério do Esporte, Ivan Alves Soares, representou o ministro Jorge Hilton e destacou que o governo pretende, com o evento, ouvir as demandas, para então definir as políticas públicas.

Nesta quarta-feira, aniversário de Cuiabá, os participantes discutem a relação entre esporte, lazer e desenvolvimento sustentável nas comunidades indígenas.

Etnias indígenas vão a Cuiabá defender respeito aos direitos fundamentais

Para as populações indígenas, não é possível dissociar o direito à terra dos direitos à saúde, educação, cultura e ao esporte. Durante o 1º Fórum de Políticas Públicas de Esporte e Lazer para os Povos Indígenas, em Cuiabá, os participantes de 190 etnias reforçam a importância do respeito aos direitos fundamentais para que outras políticas, como as de esporte, sejam implementadas.

A mesa temática desta quarta-feira (08) abordou a relação entre esporte, lazer e sustentabilidade. O professor da Universidade Federal do Amazonas, Gersem Luciano, do povo Baniwa, destacou que sustentabilidade não tem conotação econômica para os índios, mas representa o modo de vida e a continuidade da cultura do povo. Para ele, o esporte e o lazer devem levar em conta as especificidades de cada etnia, lembrando que são atividades de aprendizagem, socialização e celebração, e não de consumo e mercado.

“Se é celebração, a dinâmica da vida vem sendo celebrada! É importante, então, nunca dissociar essas atividades, essas lutas por políticas de esporte e lazer, das outras lutas que são as chamadas finalísticas, as lutas vitais, por exemplo, a garantia do território, a garantia da sustentabilidade econômica, a sustentabilidade sociocultural e espiritual, que nunca podemos esquecer”, acrescentou.

Para a professora e coordenadora-geral de Estudos e Pesquisas de Esporte e Lazer do Ministério do Esporte, Ana Elenara da Silva Pinto, a lógica indígena de se trabalhar os temas em conjunto é a mais interessante, e é esse o modo que o ministério pretende seguir. O ideal, segundo ela, seria que todos tivéssemos essa consciência de que esporte e lazer devem sempre, desde criança, fazer parte do cotidiano das pessoas, enquanto promoção da qualidade de vida, enquanto direito previsto na Constituição. Isso, acrescentou, “sem fazer diferenciações, divisões de esporte educacional, esporte e lazer, esporte de alto rendimento, como prevê nossa legislação. Eles estão corretos. O desafio é inverter a nossa lógica e se adaptar à logica deles”.

Nesta quinta-feira (9), os debates incluem o direito ao território, considerado fundamental para possibilitar a prática esportiva e para a valorização das culturas tradicionais.

Maíra Heinen – Enviada especial Edição: Graça Adjuto

Maíra Heinen – Enviada Especial Edição: Stênio Ribeiro

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-04/fórum-de-politicas-publicas-para-esporte-e-lazer-dos-povos-indigenas

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-04/etnias-indigenas-vao-cuiaba-defender-respeito-aos-direitos-fundamentais

 


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