Planta nativa da Amazônia inibe em 80% a malária

É o que aponta pesquisas feitas com o extrato da espécie Caferana. Atualmente a Amazônia é responsável por 99% dos casos de malária ocorridos no Brasil

A realização de testes com o extrato de uma planta amazônica, conhecida como Caferana, estuda o fato dela inibir em até 80% os efeitos da malária. É o que aponta a pesquisa ‘Estudo in vitro da atividade antimalárica de extratos e frações dos frutos de Picrolemma Sprucei’, apresentada na segunda-feira, 25 de julho, no Congresso de Iniciação Científica da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Segundo a estudante de Iniciação Cientifica do 7° período do curso de Farmácia do Centro Universitário do Norte (UniNorte), Maria Deliane Nascimento, o estudo possibilitou o experimento de várias amostras sanguíneas originárias da picada do mosquito, do gênero Anopheles, infectado pelo protozoário Plasmodium.

A acadêmica diz que o objetivo principal da pesquisa foi avaliar os efeitos do extrato da caferana, conhecida no meio científico como Picrolemma Sprucei, enquanto inibidora da malária. A pesquisa teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic).

Indígenas já conheciam a Caferana

De acordo com a estudante, as sociedades indígenas amazônicas já realizam a cura da malária por meio do extrato da caferana. “Os índios utilizavam também para outras enfermidades, como por exemplo, a diarreia e o câncer”.

Segundo a pesquisadora, o processo de investigação se deu não somente nos experimentos de laboratório, mas por meio de consultas em artigos publicados em revistas especializadas sobre o assunto e visitas constantes ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Para Nascimento, não é fácil encontrar a caferana na floresta amazônica, entretanto o caboclo amazônico conhecedor das ervas medicinas coloca à disposição folhas secas da erva encontrada nos mercados e feiras da cidade. “Quanto ao processo de industrialização do extrato, a população de baixa renda terá acesso ao medicamento, que de certa forma inibe a doença, comum em nossa região.

Sintomas e transmissão da malária

Os sintomas mais comuns da malária são: calafrios, febre alta (no início contínua e depois com frequência de três em três dias), dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios.

“Além dos sintomas correntes, aparece uma ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma”, comentou Nascimento.

O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo Plasmodium ou, mais raramente, por outro tipo de meio que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como o compartilhamento de seringas (consumidores de drogas), transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto na gravidez.

Fapeam apoia as iniciações científicas

Segundo Nascimento, o financiamento da bolsa de iniciação científica pela Fapeam foi de extrema valia. “O risco de contaminação dos processos de experimentos é muito grande. Há necessidade das repetições de materiais no laboratório. Então, a Fapeam é fundamental no financiamento para a compra de novos materiais e execução do projeto”, disse.

O Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic)  é outra iniciativa que apóia,  com recursos financeiros e bolsas institucionais, estudantes de graduação interessados no desenvolvimento de pesquisa em instituições públicas e privadas do Amazonas.

 

Fonte: AgenciaAmazonia

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