Especialistas apontam efeitos positivos de ações em agricultura de baixo carbono

13 de outubro de 2017  - Jaime de Agostinho

Durante debate promovido pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, nesta quarta-feira (11), representantes do Ministério da Agricultura, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), da Embrapa Cerrados e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) foram unânimes ao afirmar que as novas práticas adotadas pelo Brasil em agricultura de baixo carbono têm surtido efeito positivo na preservação e recuperação ambiental.    

O chamado Plano ABC, de Agricultura de Baixo Carbono, adotado pelo Ministério da Agricultura desde 2010, está no centro dessas ações. O programa inclui recuperação de pastagens degradadas, integração da lavoura, pecuária e floresta, sistema de plantio direto e florestas plantadas.

Segundo o representante do ministério, Elvison Ramos, esse tipo de ação fez o País poupar mais de 150 milhões de hectares de área em desmatamento, com os ganhos de produtividade, entre 1976 e 2015. Sobre a agropecuária, explicou que a emissão de gases pelos bovinos hoje já é bastante reduzida.

“Pastagem de alta qualidade é inversamente proporcional à emissão de gases de efeito estufa, principalmente o metano, porque é uma pastagem que o gado consegue digerir melhor, consegue converter melhor em carne”, afirmou Ramos.

Moratória à soja
Outro exemplo de novas práticas foi apresentado pelo gerente da Abiove, Bernardo Pires: é a chamada moratória à soja, na qual grandes empresas firmaram um acordo para não comprar nem financiar soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia, desde 2008. Os resultados, segundo Pires, são visíveis.

“Após o pacto, o desmatamento despencou vertiginosamente. Nós tivemos picos em 1995 e 2004 de quase 30 mil quilômetros quadrados na Amazônia Legal. Atualmente, o desmatamento está na ordem de 7,8 mil quilômetros quadrados.

A senadora Regina Sousa (PT-PI) alertou sobre a necessidade de capacitação de pequenos agricultores. “Como mudamos isso se não há um agente para ensinar essas práticas aos pequenos? Como fazemos para isso chegar a eles”?, questionou.

Presidente da comissão, o senador Jorge Viana (PT-AC) destacou os ganhos do País com o monitoramento que vem sendo feito pelo Cadastro Ambiental Rural. 

Da Redação – RN
Com informações da Agência Senado

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