Estudo apresenta possibilidades para a transição florestal produtiva na Amazônia

Como estimular uma expansão florestal produtiva em comunidades ou entre empresas agropecuárias de pequeno porte? Ideias para responder a essa pergunta são apresentadas no artigo “Estimulando uma Transição Florestal Produtiva”, escrito pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Charles Clement, em colaboração com o engenheiro agrônomo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Ronaldo Santos e egresso do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Florestas Tropicais (PPG-CFT) do Inpa.

O artigo integra o livro “Sinergias de mudança da agricultura amazônica: conflitos e oportunidades”, editado pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Alfredo Homma, e publicado pela Embrapa em maio deste ano.

As transições florestais ocorrem em países, ou regiões dentro de países, em que a área de sucessão florestal secundária, ou seja, aquela que sofreu intervenção humana na floresta primária, com o consequente surgimento de espécies mais adaptadas à luz e solo mais pobre, aumenta em comparação com a área desflorestada. “Na Amazônia, a área em sucessão secundária está em expansão, o que é um dos pré-requisitos para uma transição florestal”, explica Clement, doutor em horticultura e com vasta experiência na área de genética, atuando principalmente com pupunha, origem e domesticação de cultivos amazônicos, ecologia histórica, recursos genéticos amazônicos e fruteiras da Amazônia.

Modelos de produção na Amazônia

No artigo, Clement e Santos identificam três grupos de atores em propriedades rurais na Amazônia onde ocorrem a sucessão secundária: comunidades tradicionais e indígenas, que frequentemente manejam suas sucessões secundárias para produzir alimentos (frutos e caça), plantas medicinais e madeira para construção e manufatura de artefatos; agricultores familiares de pequena e média escala que migraram de outras regiões brasileiras para a Amazônia (ou entre regiões da própria Amazônia), que manejam suas propriedades principalmente para subsistência, com emprego de pouca tecnologia; e empresas agropecuárias de diferentes escalas, incluindo empresas de exportação e médios e grandes agropecuaristas que participam de cadeias de exportação.

Os autores observam que as comunidades tradicionais, comunidades indígenas e alguns agricultores familiares estão manejando suas sucessões secundárias para serem mais produtivas, porém manejam uma fração relativamente pequena das sucessões secundárias, o que é um problema para a transição florestal na Amazônia. “A maioria está em propriedades agropecuárias de diferentes portes, embora uma parte esteja em assentamentos do Incra, cujos colonos nunca receberam orientação e treinamento para seguir as práticas tradicionais e indígenas; mesmo se o Incra iniciasse esse tipo de treinamento agora, a maioria da sucessão secundária não estará incluída”, afirma o pesquisador do Inpa.

Possibilidades para a transição florestal

Entre as possibilidades para o estímulo à transição florestal na Amazônia, Clement e Santos apontam: financiamento de projetos a fundo perdido por agências internacionais e países interessados em ajudar os estados da Amazônia via Fundações de Amparo à Pesquisa ou ONGs; Cadastro Ambiental Rural; Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg); Programa Agricultura de Baixo Carbono; Estímulos do Código Florestal; e Recursos do Fundo Amazônia.

O Código Florestal estimula a recuperação de áreas degradadas com espécies que não precisam ser florestais, mas que possam gerar renda, o que permite o surgimento de um mercado que é resultado do próprio desmatamento, pois ainda há um vasto conjunto de áreas que por lei devem ser recuperadas e as pequenas empresas agropecuárias que buscam se associar às cadeias de exportação abertas pelos grandes exportadores precisam aderir.

Os pesquisadores destacam os assentamentos do Incra como grandes indutores de projetos voltados para a recuperação de áreas desmatadas. “Nesse novo ‘filão’ de mercado, há várias técnicas de recuperação de áreas degradadas, mas uma que gerou notícia foi o chamado Projeto Muvuca, pelos seus bons resultados (técnica de nucleação com o plantio misturado de várias espécies nativas e exóticas ao mesmo tempo, formando as ‘ilhas de diversidade’), do qual fazem parte também projetos de assentamentos do Incra em Mato Grosso”, completam.

Sobre o livro

O capítulo escrito por Charles Clement e Ronaldo Santos compõe o livro “Sinergias de mudança da agricultura amazônica: conflitos e oportunidades”, publicado pela Embrapa neste ano. A obra contou com a participação de 37 autores pertencentes a 16 instituições nacionais e internacionais e recebeu o selo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) devido ao vínculo com ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico).

As informações dos capítulos defendem uma Amazônia sem desmatamentos e queimadas, com melhoria nos indicadores sociais e econômicos, uma região que consiga coevolucionar com o restante do País e do mundo. Defende uma agricultura com crescimento econômico mais sustentável para a Amazônia, com aumento da produtividade, gerando renda e emprego decente para todos.

ACESSE O LIVRO NA ÍNTEGRA

SINERGIAS DE MUDANÇA DA AGRICULTURA AMAZÔNICA: CONFLITOS E OPORTUNIDADES 

PUBLICADO POR:   INPA

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