Indígenas Cinta Larga expõem e comercializam produção de biojoias no evento WorkIF, em Cuiabá

O artesanato Cinta Larga é um dos mais reconhecidos e valorizados por especialistas do país, devido ao seu processo complexo de fabricação e estética impecável. Entre os dias 27 e 29 de novembro, no Centro de Eventos Pantanal, em Cuiabá-MT, mulheres indígenas desse povo vão comercializar sua produção para o público em geral durante o WorkIF – Workshop de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT).

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Parte da produção de biojoias dos índios Cinta Larga no Mato Grosso (fotos: Vagner Campos / Funai)

A ação é parte integrante e conclusiva do projeto Biojoias Paryyt, realizado a partir de uma parceria entre a Funai e o IFMT no município de Juína. O intuito do projeto é criar um ambiente de intercâmbio através da tradição oral entre mulheres de diferentes idades e aldeias das Terras Indígenas Parque Aripuanã e Serra Morena. Além disso, traz consigo o incentivo a ações empreendedoras, através do compartilhamento de técnicas e experiências com a finalidade de obter resultados socioeconômicos sustentáveis para essas indígenas.

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Cada conta é produzida minunciosamente pelas indígenas Cinta Larga

Segundo Juma Cinta Larga, uma das mulheres indígenas que estará presente no estande, essa é uma oportunidade valiosa. “Poder vender nosso artesanato em outra cidade, para outras pessoas que não só os parentes, vai ser muito bom. A gente tá muito feliz por essa chance. Vamos levar muitas peças bonitas. Colares, pulseiras, enfeites… Espero que venda bastante para melhorar nosso Natal”, disse aos risos.

A ideia da professora e coordenadora de extensão do IFMT em Juína, Thaís Vasconcelos, e do coordenador técnico local da Funai, Vagner Campos, foi contemplada em um edital do Instituto – conhecido por Teresa de Benguela, que tem como premissa o incentivo à independência econômica de mulheres de diversas origens sociais. “O projeto se alinha a uma das missões dos institutos federais, que é a de criar uma sinergia com a comunidade a qual o IFMT se insere. O trabalho das indígenas chamou a minha atenção em visitas que fizemos relacionadas a outros trabalhos. Com a possibilidade do edital Teresa de Benguela, junto com o Vagner, começamos a trabalhar no sentido de incluí-las no mesmo”, afirmou a professora Thaís.

“Uma das maiores dificuldades das mulheres Cinta Larga em Juína é o escoamento de sua produção. A cidade em si já tem uma logística complicadíssima. Quando se fala de escoamento das aldeias esse problema é exponencialmente potencializado, ainda mais sem apoio. Espero que a experiência desse ano sirva como um ponto de partida para a formação de uma rede de economia solidária em que elas sejam protagonistas e principais beneficiárias desse tesouro em forma de tucum, o qual elas produzem com tanto empenho e carinho”, pontuou Vagner Campos.

Sobre o processo de produção

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A produção de artesanato das mulheres Cinta Larga data de períodos ancestrais, muito antes do contato com a sociedade nacional. Em geral, quando não estão realizando o trabalho doméstico, que por si já é intenso, é comum encontrá-las nos pátios à frente de suas casas fiando, perfurando sementes extremamente duras ou dando acabamento nas peças.

A quantidade de produtos é tão versátil quanto o talento das mulheres. São colares de conta (bak’ri) e de cipó (amoíp), braçadeiras (nepóáp), pulseiras (arapéáp), redes (iñi), tipoias para bebês, cintas femininas (xiripót), cestos (adó) e cestas (datía). Para o evento, no entanto, fez-se uma escolha por priorizar colares, pulseiras e enfeites de cabelo.

Clique aqui para ver o processo completo.

Sobre o WorkIF

O objetivo do WorkIF é o de fomentar e discutir atividades desenvolvidas nos campi do IFMT distribuídos pelo estado do Mato Grosso e da Região Centro-Oeste como um todo. Na mesma direção, divulga os resultados de pesquisa, ensino e extensão à comunidade. Nesta edição, promoverá ainda estandes de expositores com a iniciativas parceiras ou relacionadas ao Instituto, como é o caso do projeto Biojoias Paryyt.

Vagner Campos, Coordenador Técnico Local
das Terras Indígenas Parque Aripuanã e Serra Morena

 

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