Ausência de discursos científicos no FMS é alvo de críticas no Amazonas

25 de Março de 2012  - Jaime de Agostinho

O discurso da preservação está mais forte com a realização do Fórum Mundial de Sustentabilidade (FMS) em Manaus, nesta semana. O cientista e diretor do Museu da Amazônia (Musa), Enio Candotti criticou, na manhã desta sexta-feira (23), a ausência de debates com base em pesquisas científicas sobre o meio ambiente. Ele também alertou para a importância da difusão do conhecimento sobre sustentabilidade.

O pesquisador afirmou que, até agora, o Fórum ainda não discutiu nada sobre questões efetivas relacionadas ao maior emprego de pesquisas sobre sustentabilidade. “Como vamos preservar algo que não conhecemos?”, alfinetou. “Não adianta só ficarmos falando sobre a derrubada de árvores, que a floresta em pé vale muito mais e dos créditos de carbono se não sabemos para que serve tudo isso”, completou.

No primeiro dia do FMS, nesta quinta-feira (22), o diretor executivo da Rio+20, Brice Lalonde, foi questionado sobre propostas concretas para solucionar problemas energéticos, principalmente na Amazônia. Ontem, a Organização Não-Governamental Greenpeace também fez o lançamento da campanha pela Leia do Desmatamento Zero. No contexto dos eventos sobre sustentabilidade e alternativas para resolver as questões ambientais, Candotti alegou que as discussões não podem girar em torno apenas de temas como operações contra o desmatamento e conflitos de terras.

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Segundo ele, entre as medidas preventivas e investimentos voltados a políticas públicas ambientais, 90% delas são para programas de conservação e defesa e apenas 10% para a pesquisa e divulgação científica. Enio Candotti defende uma parcela mais igualitária. “As árvores, os micróbios e as aranhas se comunicam, tanto entre si quanto conosco. Os pássaros cantam, os animais se camuflam. Tudo isso faz parte de uma rotina muito próxima de nós, mas que não percebemos”, assinalou. “Como vamos preservar algo que não conhecemos?”, completou.

Projeto

Para ajudar a população a conhecer mais sobre a floresta amazônica, o Museu da Amazônia inicia, na próxima quarta-feira (28) o projeto “Ciências às 7 e meia”. O evento leva ao Teatro Direcional, em Manaus, um cientista por mês para discutir temas voltados ao conhecimento científico da região. O cientista convidado de toda última quarta-feira do mês abordará temas como a rotina dos insetos e da importância dos microorganismos, por exemplo. Candotti vai abrir os debates sobre “Ciência e Arte na Floresta”, com apresentações de vídeos, áudios e outras tecnologias disponíveis. O evento é gratuito.

O cientista

Ennio Candotti, nascido em Roma, é naturalizado brasileiro desde 1983. Formado pela USP em 1964, realizou estágios de pesquisa em física teórica nas universidades de Pisa, Muenchen, Nápolis e Milão. Diretor geral do Musa, Candotti é também o atual vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), onde já ocupou a vice-presidência (1985) e a presidência em dois mandatos (1989 a 1993 e 2003 a 2007). Em 1998 recebeu o Prêmio Kalinga para a Popularização da Ciência, oferecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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