Relatório identifica locais de risco em atrativos turísticos no município de Presidente Figueiredo

Após mapeamento, Serviço Geológico do Brasil analisou dados e imagens coletados durante o trabalho de campo

Cachoeira Berro D’água, onde não foram observados fatores de risco geológico

Entre os dias 22 de março e 2 de abril, o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), representado por pesquisadores da Divisão de Geologia Aplicada (DIGEAP) do Departamento de Gestão Territorial (DEGET), realizou uma visita técnica no município de Presidente Figueiredo (AM) – conhecido também como Terra das Cachoeiras – para avaliação de riscos geológicos e hidrológicos nos principais pontos turísticos da cidade.

Cachoeira Berro D’água, onde não foram observados fatores de risco geológico

A vistoria foi motivada pela queda de um bloco rochoso no Cânion de Furnas, município de Capitólio (MG), que atingiu embarcações de turistas. Esse evento catastrófico em uma região com atrativo turístico natural, formado por um sistema de cânions e desfiladeiros do lago da Usina Hidrelétrica de Furnas, motivou uma ação emergencial do SGB-CPRM para o reconhecimento, identificação e avaliação dos riscos geológicos nesse e em outros locais.

Resultados 

Gruta da Judéia, em que sua parte superior é o ponto de maior perigo entre todos os vistoriados

Foram classificadas como de alto risco para queda e tombamento de blocos as bases dos paredões rochosos, como as do Maruaga, Judeia, Três Arcos e Batismo. As quedas d’água com maior amplitude, na vertente do rio Uatumã, como as do Ipy e Sussuarana, apresentam, também, risco alto para queda de blocos, que pode ser potencializada pela corrente de água, em épocas de vazão alta.

A bacia do Igarapé Santa Cruz (Urubuí), com as cachoeiras de Iracema, Araras e corredeira do Urubuí, apresenta risco hidrológico alto para águas que fluem torrencialmente, com vazão elevada. A mesma classificação foi dada para a cachoeira do Santuário, no igarapé do Mutum.

Os pesquisadores salientam que o “alto risco” não se refere a toda a extensão do atrativo em análise, mas apenas a determinado(s) ponto(s), fato que não inviabiliza a continuidade da visitação a esses locais, mas implica na adoção de medidas de segurança sugeridas.

Para mais informações sobre os locais sinalizados com risco, acesse o relatório aqui .

Geologia da região

Mapa geológico simplificado da região de Presidente Figueiredo (Bizzi et al, 2003), com a localização dos atrativos geoturísticos

Geologicamente, a região de Presidente Figueiredo é formada por duas unidades geotectônicas: o embasamento cristalino do Cráton das Guianas e a Bacia Sedimentar do Amazonas. A área cratônica é composta por granitos, gnaisses, xistos e migmatitos de idade paleoproterozoica e aflora na porção norte do município. Já os terrenos sedimentares, predominantes na área de trabalho, são de idade paleozoica, compostos por arenitos e folhelhos, representativos das unidades mais antigas desta bacia intracratônica.

Foram avaliados, nesse estudo, 22 atrativos geoturísticos do município de Presidente Figueiredo, como cachoeiras, corredeiras, cavernas, grutas, paredões rochosos e cânions. Para cada atrativo foi feita uma caracterização dos fatores de risco geológico e hidrológico que pudessem provocar acidentes fatais. A presença de fatores de risco, associada à probabilidade de ocorrência do evento e suas consequências, levaram à classificação da situação de risco, em cada atrativo, nos graus alto, médio e baixo.

Eduarda Vasconcelos
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Ministério de Minas e Energia
imprensa@cprm.gov.br

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