Igreja no Brasil se organiza para o Sínodo Amazônico

Apesar dos desafios inerentes à abrangência e complexidade da região amazônica, o encontro está sendo bem preparado, afirma Dom Leonardo Steiner.

Floresta Amazônica (AFP or licensors)

A Floresta Amazônica é considerada o pulmão do planeta, com uma extensão total aproximada de 5,5 milhões de km², segundo dados oficiais. No último dia 23, o governo brasileiro registrou a pior devastação na região amazônica nos últimos 10 anos. Uma expansão de 13,7% que corresponde a uma área equivalente a mais de cinco vezes a capital de São Paulo. A floresta é só um dos desafios, além de questões relacionadas aos indígenas, minerações, água e à vida das pessoas que habitam a região. O próximo Sínodo será abragente, mas está sendo bem organizado, afirmou o secretário-geral da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner. Ele esteve em Roma e conversou com Silvonei José da Rádio Vaticano – Vatican News.

“As dioceses, as comunidades da região da Pam Amazônia estão participando muito da preparação.   Você citou vários elementos e eu acrescentaria a realidade urbana que é uma realidade gritante na Amazônia. É quase assustadora. Pensa a cidade de Belém é enorme, a cidade de Manaus é enorme, com realidades enormes de pobreza, toda a realidade dos nossos ribeirinhos, dos pequenos povos indígenas que não têm contato conosco, brancos. A devastação da Amazônia que nós não sabemos onde vamos parar como mundo. Isso tudo vai ter que estar presente no Sínodo”, disse Dom Leonardo.

O secretário-geral da CNBB falou ainda sobre o trabalho da comissão episcopal para a Amazônia e dos bispos que fazem parte das dioceses que compõe a região. Uma das preocupações é a de inserir dioceses que não fazem parte da Pam Amazônia para que participem da preparação e possam depois repercutir o resultado do Sínodo em todo o Brasil e nos países vizinhos.

“Só o fato de os bispos da Pam Amazônia se reunirem, refletirem, discutirem e rezarem realizando a realidade da Amazônia já é um grande passo”, afirmou.

Sínodo dos Jovens

A inciativa do Papa Francisco de enviar previamente um texto sobre o Sínodo dos Jovens às paróquias foi positiva, segundo Dom Leonardo. Para o bispo, dessa forma o Santo Padre conseguiu envolver não só os jovens, mas todos que, de alguma forma, estavam envolvidos.

“Eu creio que o Santo Padre foi muito inteligente e um grande Pastor. Esse texto foi discutido em todas as dioceses. Nós recebemos contribuições de quase todas as dioceses do Brasil. E não são poucas: 276”, disse.

Dom Leonardo afirma que essa preparação prévia ajudou na construção e na comunhão do Sínodo. A possibilidade de o jovem fazer a sua opção de fé e, assim, poder realmente realizar a sua escolha vocacional foram duas finalidades do encontros dos bispos.

“Eu não sei se o Santo Padre depois ainda vai escrever um texto, a partir desse texto do Sínodo ou se vamos ficar só nesse, mas esse já vai nos ajudar muito. A questão agora é como entregá-lo nas mãos dos jovens, como criarmos grupos que reflitam-no. Como, a partir dele, os nossos jovens podem ser mais atuantes, mais discípulos missionários. Os jovens têm esse desejo do impulso de uma vida nova, de uma transformação, de um novo horizonte e nós esperamos que eles sejam os primeiros evangelizadores dos jovens”, finalizou.

Elisa Ventura, Silvonei José – Cidade do Vaticano

FONTE: VATICAN NEWS

 

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