Para alimentar de conhecimento a sociedade – Edição do Boletim de Ciências Humanas conclui atividades de comunicação científica de 2019

Com a meta de edições publicadas cumprida, a revista científica do Museu em sua versão Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas (BMPEG. Ciências Humanas) encerra mais um ano de atividades de comunicação científica.

“Casa xinguana de capim sapê coberta com partículas de água da chuva. Aldeia Piyulaga, outubro de 2014. Foto: Carlos Abs da Cruz Bianchi”.

O ano de 2019 marcou a comemoração dos 125 anos do periódico e também o ano internacional das línguas indígenas, quando foram publicados dois dossiês de Linguística. A mais recente edição traz um desses dossiês, organizado por Marina Maria Silva Magalhães, da Universidade de Brasília, e Léia de Jesus Silva, da Universidade Federal de Goiás.

“Ciência e cultura se apresentam nas páginas da revista, que atende a uma função precípua à vida humana: a de compartilhar conhecimento para atingirmos uma sociedade justa e sustentável”, informa Jimena Felipe Beltrão, editora científica do periódico.

É ao universo de línguas de povos indígenas e ao conhecimento que delas emana que os nove artigos compilados na forma do dossiê “Partículas”, publicado na edição, se dedicam. De acordo com o Editor Associado de Linguística, Hein van der Voort, “A coletânea oferece e analisa uma amostra do que é frequentemente relegado a uma categoria heterogênea e inconsistente de partículas”. E explica: “Em geral, na Linguística, a classe de palavras chamada partículas tende a ser um depósito de itens que não se conformam claramente às características de qualquer outra classe de palavras possivelmente distinguível nas línguas, como a de verbos, a de substantivos, a de adjetivos etc.”

Com o objetivo de colocar o tema na pauta científica, “O dossiê aborda aspectos formais e funcionais do que se convencionou denominar de partículas em várias línguas indígenas amazônicas de famílias diversas, a saber, Tupi, Macro-Jê, Guahibo e Tukano, como também uma língua crioula de base portuguesa da ilha Ano Bom, no Golfo da Guiné”, afirma o linguista do Museu Goeldi.

A edição traz ainda seis outros artigos. “O debate inesgotável: causas sociais e biológicas do colapso demográfico de populações ameríndias no século XVI”, de Ricardo Waizbort, trata da demografia e da hecatombe que sobre os povos indígenas se abateu na América colonial; enquanto outra contribuição, de Felipe Jacinto e Flávio Barros, “Sorte, dinheiro, amor…: o que os ‘animais’ da Amazônia podem fazer por nós, ‘humanos’?”, versa sobre as relações entre humanos e animais nas atribuições de significados na Reserva Extrativista Mapuá, na ilha do Marajó.

A utilização de cachimbos europeus feitos de caulim e importados para as Américas é o tema de artigo de Sarah Hissa. É argumento da autora que os artefatos se constituem “[…] instrumento de datação de sítios, camadas e feições, mesmo daqueles estratos urbanos extremamente revolvidos”. A análise completa está em “O pito (de) holandês: cachimbos arqueológicos de caulim do Recife e de Salvador”.

No campo da Museologia, há duas contribuições: uma sobre o fenômeno de musealização de parques naturais em aspectos como o da espetacularização, mitificação, sustentabilidade e branding, em “Musealização da natureza e branding parks: espetacularização, mitificação ou sustentabilidade?”, de autoria de Charles Narloch e colaboradores; outro artigo nesta área é intitulado “‘Ideias em movimento’: José Augusto Garcez e a reinvenção do folclore no Museu Sergipano de Arte e Tradição (1948)”, de autoria de Clóvis Britto e Jean Souza.

Do campo das Artes, a edição traz estudo sobre a Academia do Peixe Frito – que, a partir dos anos 1920, reunia intelectuais como os escritores paraenses Bruno de Menezes e Dalcídio Jurandir. A agremiação orientava pelos “[…] ideais de renovação literária e valorização da periferia para refletir sobre questões sociais na Amazônia paraense […]” e reunia expoentes que, através da sua produção literária, revelavam a cidade de Belém. O artigo é assinado por Carla Pereira e coautores.

Por fim, uma contribuição na seção Memória, com artigo de autoria de Diana Alberto e Nelson Sanjad intitulado “Emília Snethlage (1868-1929) e as razões para comemorar seus 150 anos de nascimento”, se reporta à “[…] trajetória da primeira mulher a fazer parte de uma instituição de pesquisa no Brasil: a alemã Emília Snethlage (1868-1929)”.

O BMPEG. Ciências Humanas, que tem nota máxima no ranking da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para periódicos científicos, encerra 2019 e já se prepara para novos desafios em 2020, quando passa ao sistema de publicação contínua de contribuições, utilizando novo padrão de norma bibliográfica e apresentando de forma detalhada contribuição de cada autor. “Essas medidas se revestem de importância no contexto das condutas pertinentes à ciência aberta que provê a sociedade com conhecimento”, conclui Jimena Beltrão.

Serviço: A mais recente edição do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas já está disponível na página da revista. A disponibilização na SciELO e a ativação dos links DOI para cada artigo ocorrerá depois de 22 de novembro, quando autores poderão atualizar seus currículos na Plataforma Lattes.

FONTE: Museu Paraense Emílio Goeldi

 

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