Um jeito descontraído de falar sobre ciência

Histórias vividas no campo da pesquisa, educação e comunicação serão o mote da programação Ciência Talks no Museu Goeldi, que será realizada pela manhã nos próximos dias 16 (segunda-feira) e 17 (terça-feira), no Parque Zoobotânico. A entrada é livre e gratuita pelo portaria da 9 de Janeiro.

 Para demonstrar com diversas histórias pessoais como viver com a ciência é surpreendente, o Museu Goeldi convida a população a participar do Ciência Talks, nas manhãs desta segunda (16) e terça-feira (17). Pesquisadores, tecnologistas, analistas, técnicos e assistentes da instituição sobem ao palco do auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, no Parque Zoobotânico do Goeldi, para compartilhar um pouco dos aprendizados possibilitados pelo contato com a ciência. São experiências acumuladas em vivências ao longo de trajetórias diferentes.

O Ciência Talks se conecta com novas modalidades de diálogo para públicos diversificados. Dezoito expositores integram a programação do evento, que é inspirado no formato TED (Technology, Entertainment, Design), projeto que nasceu em 1984, na Califórnia, e ganhou o mundo, inclusive o espaço virtual.

No “Ciências Talks no Museu Goeldi”, o expositor é desafiado a partilhar, em dez minutos, com uma plateia eclética, casos e ideias que lhe pareçam exemplares na sua área de atuação. E nestes dois dias os temas atravessam os campos da biodiversidade, museologia, educação, comunicação e sociodiversidade, sempre com o olhar acurado de quem experimenta a ciência cotidianamente e está em diferentes etapas de sua carreira profissional.

A programação terá início com a apresentação do antropólogo Glenn Shepard, intitulada “Ciência e saberes: diálogo entre conhecimento tradicional e ciência”. Shepard concorre com o projeto “A floresta sensível: percepções e perspectivas humanas da Amazônia” ao edital de 2019 do Instituto Serrapilheira, representando o Museu Goeldi no Camp Serrapilheira, a principal iniciativa do programa de divulgação científica do instituto. Para ser finalista, venceu uma disputa com 573 projetos, de 11 estados brasileiros, e passou a integrar o grupo de 36 especialistas que almejam um prêmio de 100 mil reais para execução de suas propostas.

Glenn Shepard explica que a meta principal do projeto é revelar os usos, entendimentos e percepções dos povos indígenas e outras populações tradicionais sobre a flora, fauna e outros seres das florestas amazônicas, lançando mão de instalações museográficas em espaços internos e externos (especialmente) do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Os sentidos de olfato, sabor, tato e audição permeiam as experiências de povos que vivem em contato estreito com a Floresta Amazônica e estruturam seus entendimentos sobre doença, seus usos de plantas e animais, a vida ritual, suas interações sociais e a relação com o cosmos. Esses conceitos podem ser aplicados em novas abordagens de divulgação da ciência, possibilitando experiências sensoriais no contato direto com elementos da biodiversidade.

Outro participante do evento será Vitor Gomes, bolsista premiado como melhor tese Capes 2019, na área de Ciências Ambientais. O pesquisador vai narrar sobre seus aprendizados em “Árvores amazônicas ameaçadas pelo desflorestamento e mudanças climáticas”, tema de sua pesquisa. E revela: “assim que soube do Ciência Talks, fiquei super animado. Recentemente, descobri que muitos colegas da Botânica, do Museu Goeldi, nem sabiam que eu havia terminado o doutorado, muito menos dos resultados da pesquisa que eu vinha desenvolvendo. Pensei: bom, se eles desconhecem, preciso divulgar! Daí me inscrevi no Ciência Talks e descobri que havia muita coisa além dos resultados de nossas pesquisas. Percebi que era uma oportunidade para nos integrar e elevarmos nosso amor pela ciência”.

Uma das grandes virtudes do projeto é garantir o registro em áudio e vídeo de cada apresentação, permitindo que se multiplique ou viralize nas redes, exibindo à sociedade o potencial transformador da ciência para a vida coletiva.

Origem – A adaptação do formato do TED para a divulgação da ciência é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que estimula suas unidades de pesquisa a popularizar o conhecimento científico produzido no âmbito dos institutos. As apresentações poderão ser escolhidas para compor eventos futuros do ministério.

Texto: Erika Morhy   –     Agência Museu Goeldi –     Notícias

 

Serviço | Ciência Talks no Museu Goeldi

Data: 16 (segunda-feira) e 17 (terça-feira)

Horário: de 9h30 às 11h30

Local: Auditório Alexandre Rodrigues Ferreira – no Parque Zoobotânico*

*Entrada pela Travessa 9 de Janeiro

 

Expositores e temas:

 

16/09 (segunda-feira)

Glenn Shepard: Ciência e saberes: diálogo entre conhecimento tradicional e ciência

Sue Anne Costa: O que a natureza e o patrimônio me ensinaram?

Artur Ribeiro: Uma trilha de aprendizados no Museu Goeldi: caminhos que me levaram até a ciência

Regina Oliveira: Uma andança sobre os territórios de conhecimento tradicional

Inês Feijó: Quando tamanho é documento

Vitor Gomes: Árvores amazônicas ameaçadas pelo desflorestamento e mudanças climáticas

Ana Claudia Santos: Resgatando memórias. Bordando histórias.

Monyck Jeane: O misterioso mundo invisível da floresta

 

17/09 (terça-feira)

Luiz Videira: Eu queria ser arqueólogo

Erika Morhy: Sinuca de bico na comunicação da ciência

Benedita Barros: Escassez do camarão e apropriação da ciência

Pedro Peloso: Por que precisamos proteger os anfíbios do Brasil?

Lourdes Ruivo: Sustentabilidade socioambiental em sistemas florestais naturais e alterados na Amazônia oriental

Alcemir Aires: Brincando com a ciência na Amazônia

Silvia Pavan: Mamíferos da América do Sul: descobrindo novas espécies

Phillippe Sendas: O afeto que mobiliza as redes

Doralice Romeiro: O futuro do passado

Antônio Lobo Soares: Urbanização e parques: do ruído à paisagem sonora

 

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