Problemas econômicos e políticos tiram atenção da conferência do clima, diz Pinguelli Rosa

O físico Luís Pinguelli Rosa afirmou, nesta terça-feira (25), que a nova Conferência do Clima, em Paris, ainda neste ano, não vem recebendo a devida atenção da sociedade brasileira. Em audiência pública na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), ele avaliou que a baixa repercussão é motivada pela concentração do debate público nos atuais problemas políticos e econômicos do País.     

“Há várias questões em pauta no campo político e econômico, como o ajuste fiscal e os problemas ligados à corrupção, que tomam a atenção da sociedade e da mídia, e, realmente, a Conferência de Paris não está merecendo uma atenção proporcional à sua importância”, assinalou.

Doutor em física e mestre em engenharia nuclear, Pinguelli Rosa atua no momento como secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Convidado pela comissão, ele veio ao Senado apresentar estudo coordenado pela entidade para avaliar consequências econômicas e sociais, até 2030, decorrentes da adoção de um conjunto de medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE) no País.

Metas
Pinguelli Rosa espera que em Paris, a partir de 31 de novembro, o Brasil volte a ter papel importante nas discussões em defesa de metas mais ambiciosas de combate às emissões com a mesma influência que já exerceu na Conferência Rio 92 e, depois, em Copenhague e Kioto.

O físico reconheceu, contudo, que o País aumentou as emissões de gases nos últimos tempos, devido ao acionamento de usinas de energia térmica, “muitas de baixa eficiência”.

As térmicas foram acionadas para compensar a queda da produção hidroelétrica, afetada pela redução dos níveis dos reservatórios. “É preciso mudar essa tendência, e para isso contamos também com fatores positivos, como a entrada da [energia] eólica no Brasil, que está se concretizado e já ultrapassa a geração nuclear. Temos ainda a entrada da energia solar, embora ache importante um programa de difusão do seu uso e não a concentração de geração”, defendeu.

O governo brasileiro ainda não fechou a proposta que defenderá na Conferência de Paris, onde se reunirão representantes de quase 100 nações para debater novos compromissos para frear as emissões e mitigar as mudanças climáticas. Na audiência, dirigida pelo senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que preside a comissão, senadores e deputados cobraram mais agilidade por parte do governo na divulgação da proposta.

Subsídio
O estudo coordenado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que já foi entregue ao governo, tem dupla finalidade: subsidiar políticas voluntárias do País de redução de emissões e, mais imediatamente, a construção da proposta que será apresentada em Paris. Da elaboração, participaram professores universitários, especialistas indicados por grandes empresas consumidoras de energia, entidades empresariais e sindicais, além de organizações da sociedade, entre outros segmentos.

O trabalho foi apresentado à audiência pelo pesquisador William Wills, do Instituto Coppe, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nas conclusões, aponta resultados animadores sobre os impactos associados à adoção de ações mitigadoras de emissões, apesar dos custos de implementação das medidas.

Nos quatro cenários examinados, os efeitos sobre o produto interno bruto (PIB) seriam extremamente reduzidos, de não mais que 0,07 ponto percentual (pp) positivo ou 0,09 pp negativo, sobre uma taxa média anual de crescimento do PIB projetada em 3,9%.

“O grande anúncio a ser feito é que não será por causa das medidas mitigadoras que iremos prejudicar nosso potencial de crescimento de longo prazo, o que dependerá antes de tudo, de modo benéfico, de o País fazer o dever de casa bem feito, aumentando o nível de produtividade da economia, a qualidade da educação e da formação do trabalhador e reduzindo o custo Brasil e melhorando a precária infraestrutura”, comentou Wills após a reunião.

Para efeito do estudo, na projeção de crescimento médio anual do PIB (3,9%), a partir de 2015, foi considerada a taxa adotada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Entre mais de 50 medidas mitigadoras de emissões, foram consideradas metas de redução de desmatamento e de plantio de florestas, aumento do consumo de etanol no lugar da gasolina e outros combustíveis fósseis, trocas de fornos industriais por outros mais eficientes e incrementos da taxa de substituição do transporte de pessoas em veículos individuais por modais públicos mais eficientes, como metrôs e BRTs.

 

Da Redação – RCA
Com informações da Agência Senado

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