Copa do Mundo no QATAR

Mais uma vez tenho a honra de repercutir um belo artigo de meu caro Amigo, Irmão e Mestre Higino Veiga Macedo, editado em ‎29‎ de novembro‎ de ‎2022.

Estádios da Copa do Mundo (Qatar)

Copa do Mundo no QATAR
(Por Higino Veiga Macedo)   

No dia 22 de novembro se deu a abertura da Copa do Mundo de Futebol no QATAR. QATAR ou Catar, com capital em Doha, não é o que se pode chamar, na modernidade, de um país, uma nação.

[…] “O Catar é um emirado absolutista e hereditário comandado pela Casa de Thani desde meados do século XIX. As posições mais importantes no país são ocupadas por membros ou grupos próximos da família al-Thani. Em 1995, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani tornou-se emir após depor seu pai, Khalifa bin Hamad al Thani, em um golpe de Estado” […]. 

Foi um protetorado britânico até ganhar a independência em 1971. Desde então, tornou-se um dos estados mais ricos da região, devido às receitas oriundas do petróleo e do gás natural (possui a terceira maior reserva mundial de gás) […]. 

Com uma população estimada em 2,8 milhões de habitantes, apenas 313 mil são nativos catarianos. Os demais são trabalhadores estrangeiros […].

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Catar – Catar – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

Por essas informações se vê que jamais poderá ser considerado um país, uma nação. É um pedaço de deserto com um proprietário, dividido entre alguns administradores. Nesse deserto, à beira do mar, no Golfo Pérsico, foram criadas várias cidades luxuosas.

Pois bem aí foi escolhido para a primeira Copa do Mundo na parte árabe do mundo. Há confusões monumentais, pois os ditos ocidentais, mais realistas que os kalifas, protestam pela falta de liberdades dos trabalhadores e das mulheres. Segundo as más línguas, a quantidade de morte de trabalhadores para as cons­truções das instalações esportivas foi de deixar a escra­vidão africana dos séculos XVII e XVIII com vergonha. As mulheres são apenas animais domesticados que em tudo dependem da autorização do marido. Tudo está no Alcorão.

Essa digressão é apenas para conhecimento de algo inusitado que ainda existe e pouco se sabe em muitas partes do mundo. O fulcro real são os jogos até aqui realizados. No momento da escrita, falta apenas uma rodada para encerrar a fase de jogos entre gru­pos. Tenho ficado bastante irritado com os jogos. Estão muito ruins em termos de arte que o esporte permite.

Faltas

Escrevi em algum lugar que o futebol é o es­porte coletivo com bola mais difícil de ser praticado. O número de pessoas é elevado; se usa o membro mais inapto para trabalho (pernas e pés) e, além disso, co­berto com uma chuteira. Para a ação há que se equili­brar no andar e no correr. Isso corresponderia, nos jogos de: basquete, vôlei, tênis e muitos outros espor­tes, praticados com a mão, a usar a mão com uma Luva de Box…

E plantando bananeira durante o equilíbrio nas ações. Portanto, a arte com bola nos pés é uma das mais difíceis quando se trata de esporte.

Mas até esta Copa tudo era arte. Dominar uma bola lançada de longe ou pra o alto; dribles; correr com a bola dominada e ainda olhar o campo de jogo para elaborar uma jogada; passar a bola a grande distância dando a força necessária para o companheiro chegar no tempo certo; o cabeceio com olhos abertos; o tempo certo do salto para atingir a bola no cabeceio (tempo de bola); com movimentos da cabeça dar direção na bola são atividades que requerem técnica praticada e aptidão; sem levar em conta ainda os malabarismos com os pés.

Faltas

Houve um jogador brasileiro que dizia: “o drible sempre será mais bonito que o gol”. A velocidade, a corrida, era apenas a necessária para ter alguma vantagem. A arte no domínio da posse da bola, no drible, no passe, requeria trotes em campo.

Em geral os sul-americanos e os brasileiros em particular eram mestres nessa arte. Os europeus usa­vam a velocidade, no limite do atleta, e assim eram fa­cilmente driblados. Não precisavam de grande estatura e nem vigor físico. O esporte era para homens hábeis, rápidos. Sem a habilidade e sem a técnica os outros povos usavam a força física, o jogo de bola alçada para o uso das estaturas e a corrida no limite de cada um. Na virada dos anos 2000, alguns países europeus logra­ram ser campões do mundo. E a síndrome de vira-lata contida em nossa gente veio á tona. Passaram a copiar os europeus que há muito nos copiava.

Um maluco de um espanhol, copiando as habilidades brasileiras, passou a cultuar a POSSE DE BOLA. Assim obrigaria o adversário a se esgotar para tentar a posse, o que abriria a possibilidade de contra atacar e chegar ao gol. Por falta de habilidade, pra ter a posse de bola, tudo era marcado no campo. O jogador era proibido “sair do seu quadrado”. Treino até a exaustão para mecanizar. Pavlov ficaria com inveja.

E nessa Copa de 2022 conseguiram enfear mais ainda a arte do futebol. Juntaram a posse de bola com a correria antiga dos europeus. Para ter a posse ou retomar a posse todos vão até a exaustão. Chegam correr quinze km por partida. E a tentativa de retomar a bola vale tudo: capoeira, judô, MMA, Jiu Jitsu… O adversário aborda o jogador com a bola em alta velocidade. Como não consegue administrar sua velo­cidade, atropela, empurra, puxa, se joga sobre a bola e quase sempre chuta os pés do adversário, pisa nos pés ou, caindo, faz o que as crianças brasileiras chamam de “trança pé” e que na gíria futebolística é “carrinho”. Para os nossos repórteres esportivos isso é o máximo de modernidade. Até o goleiro precisa jogar mais com os pés que defender com as mãos. A exaustão é tanta que mudaram as regras de substituição: nessa Copa admite-se cinco substituição. Antes eram três.

Copiaram do futebol de salão, o toque curto de bola. Fazem isso até dentro da pequena área. Ninguém sabe chutar de fora da área grande. Jogadores que conheci e estão vivos devem chorar de tristeza: Pepe e Rivelino, canhotos, e Éder destro. Num jogo da Espanha vi o maior ridículo da Copa: Alguém, de frente para a meia lua da área grande, recuou para o seu goleiro do outro lado do campo.

Falam em antijogo. Falam em “fair play” cuja tradução deveria ser jogo honesto, sem dissimulação, sem “descaracter” (p’ra ser escriba moderno). Mas aceitam a simulações de faltas e os “gritos lacerantes” de empurrões e “carrinhos” onde não há contato; e o atingido sai correndo imediatamente comprovando que nada houve de contato. Vergonhoso!!! Ninguém sabe usar apenas o toque de ombro. Descaradamente em­purram com as duas mãos e os árbitros consideram certo.

As equipes são estruturadas assim: zagueiros acima de um metro e noventa… isso evita gol de bola parada; meio de campo com biotipo de maratonista pra correr o tempo todo, tentando posse de bola e raros dribles; atacantes de altura média, corredores de cem metros, troncudos para atuarem como carros de combate para derrubarem os zagueiros adversários e atropelares os meios campistas. As bolas são alçadas no chutão e os blindados saem correndo tentando ganhar na força. Quando tem o domínio da bola tentam entrar na área grande na tentativa de cavar um pênalti e ou chegar à área pequena e finalizar. Mais distantes, não possuem habilidade e a velocidade os impede de praticar a arte.

Em nenhuma copa, ao que assisto desde 1958, vi tantos chutes longe do gol. Ou a bola é inadequada, ou o gramado é impraticável… ou os jogadores são incompetentes, ao que mais acredito.

Acho que o mundo evoluiu muito… até no futebol.

Que enorme decepção!!!
(Por Higino Veiga Macedo)   

Faltas

Por Hiram Reis e Silva (*), Bagé, 08.12.2022 – um Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.  

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;  

  • Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
  • Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
  • Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
  • Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
  • Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
  • Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
  • Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
  • Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
  • Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
  • Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  • E-mail: hiramrsilva@gmail.com

NOTA – A equipe do EcoAmazônia esclarece que o conteúdo e as opiniões expressas nas postagens são de responsabilidade do (s) autor (es) e não refletem, necessariamente, a opinião deste ‘site”, são postados em respeito a pluralidade de ideias. 

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