Perda da biodiversidade pode estar superestimada, diz estudo

24 de Maio de 2011  - Jaime de Agostinho

Apenas 20% das florestas ainda se encontram em estado selvagem e quase 40% das terras livres não congeladas do planeta são usadas na agricultura.Acredita-se que três quartos de todas as espécies vivam em florestas tropicais, como a amazônica, que desaparecem a uma taxa de 0,5% ao ano.

FRANCE PRESSE

PARIS – O ritmo no qual os humanos empurram as espécies de plantas e animais para a extinção através da destruição de seu habitat é duas vezes menos lento do que acreditava-se, revelou um estudo publicado esta quarta-feira na conceituada revista científica britânica Nature.

De acordo com o estudo, a biodiversidade da Terra continua a diminuir devido ao desmatamento, às mudanças climáticas, à superexploração, e ao lançamento de produtos químicos em rios e oceanos.

“Há evidências de que os humanos realmente estão provocando taxas de extinção extremas”, disse um dos autores do estudo, Stephen Hubbell, professor de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Mas importantes medições para perdas de espécies divulgadas em 2005 pela Avaliação de Ecossistemas do Milênio, das Nações Unidas, e pelo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007, baseiam-se em métodos “fundamentalmente falhos” que exageram o risco de extinção, disseram os pesquisadores.

A “lista vermelha” de espécies ameaçadas da União Internacional para a Preservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), outra referência para tomadores de decisões, também é passível de revisão, afirmou.

“Basedos em provas matemáticas e dados empíricos, nós demonstramos que as estimativas anteriores deveriam ser divididas aproximadamente por 2,5”, disse Hubbell à imprensa, por telefone.

“É uma boa notícia saber que temos algum tempo para salvar espécies. Mas não é uma boa notícia porque precisamos refazer um grande volume de pesquisas que foram feitas incorretamente”, acrescentou.

Até agora, os cientistas afirmavam que as espécies desaparecem a um ritmo de 100 a 1.000 vezes, a chamada “taxa de referência”, taxa média de extinções ao longo da história da vida na Terra.

Relatórios da ONU têm alertado que estas taxas serão multiplicadas por dez nos próximos séculos.

O novo estudo questiona essas estimativas.

“O método precisa ser revisto. Não está correto”, disse Hubbell.

Mas por que a ciência errou por tanto tempo? Como é difícil medir diretamente taxas de extinção, os cientistas usam uma abordagem indireta denominada “relação espécie-área”.

Este método começa com o número de espécies encontradas em uma dada área e, então, são feitas estimativas de como este número aumenta à medida que a área se expande.

Para descobrir quantas espécies permanecerão quando a quantidade de terra disponível diminuir, devido à perda de habitat, os cientistas simplesmente revertem os cálculos.

Mas o estudo, co-assinado por Fangliang He, da Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, China, demonstra que a área exigida para remover toda a população é sempre maior – normalmente muito maior – do que a área necessária para se fazer contato com uma espécie pela primeira vez.

“Não se pode simplesmente reverter o processo para calcular quantas espécies devem permanecer quando a área for reduzida”, disse Hubbell.

Contudo, isto é precisamente o que os cientistas têm feito por quase 30 anos, evidenciando uma discrepância gritante entre o que os modelos previram e o que foi observado na terra ou na água.

A ação do homem é a principal causa de extinção de espécies. Apenas 20% das florestas ainda se encontram em estado selvagem e quase 40% das terras livres não congeladas do planeta são usadas na agricultura.

Acredita-se que três quartos de todas as espécies vivam em florestas tropicais, como a amazônica, que desaparecem a uma taxa de 0,5% ao ano.


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