UFPA inicia levantamento cartográfico do quilombo Igarapé Preto em Oeiras do Pará

Equipes interdisciplinares da Comissão de Regularização Fundiária da Universidade Federal do Pará, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica do Pará e lideranças das Comunidades Quilombola do Igarapé Preto, localizado em Oeiras do Pará, iniciam nesta quinta-feira, 14, com o uso das tecnologias sociais do RTK e de drone, o levantamento da base cartográfica do território que fica 344 km de Belém pela PA-151. A comunidade está localizada na Região do Baixo Tocantins e faz fronteira com o município de Baião, sendo cortada pela Rodovia BR 422, Transcametá.

De acordo com Lucas Nascimento, engenheiro civil do Projeto de Pesquisa e Extensão: Inovação Territorial na Comunidade Quilombola de Igarapé Preto, a CRF-UFPA inicia uma nova etapa do trabalho de campo para fazer o levantamento planoaltimétrico na comunidade. “Na segunda quinzena de junho, durante a primeira visita ao quilombo, identificamos os três vértices com o uso do Sistema de Posicionamento Global (GPS) para consolidar a poligonal do território. Estes vértices são estratégicos para consolidar o levantamento planialtimétrico que resultará numa cartografia social do território”, assinala o engenheiro.

Segundo ele, o Projeto de Pesquisa e Extensão: Inovação Territorial para Jovens e Adultos de Igarapé Preto tem o objetivo de promover o desenvolvimento humano, social e formar uma rede de empreendedores para escoar a produção agroalimentar como um modelo de negócio inovador de base comunitária, além de fortalecer as práticas culturais, turísticas e de ocupação do solo no território. “Todo o intercâmbio de conhecimento busca fortalecer a autonomia da comunidade. Quando terminar o projeto, ela poderá continuar andando com as suas próprias pernas e avançando na gestão territorial”, aponta Lucas.

Para Daniel Mesquita, engenheiro sanitarista Projeto, responsável pelo levantamento planoaltimétrico do quilombo, o uso do RTK e do drone permitirá coletar imagens para referendar os limites territoriais com a participação da comunidade, além de identificar os segmentos públicos e privados edificados na região. “Vamos coletar imagens sobre a localização das escolas, postos de saúde, igrejas, comércios, lojas, moradias e as áreas de lazer, que na região predominam os igarapés, campo de futebol, trilhas e espaços para as festividades culturais, entre outras”, detalha Daniel.

O engenheiro sanitarista afirma, ainda, que a meta da parceria entre as instituições e a comunidade é a de consolidar o perfil social, dominial, fundiário, econômico, cultural, ambiental e turístico do quilombo. “Com as imagens do RTK e do drone vamos elaborar uma ortofoto, ou seja, uma fotografia aérea corrigida geometricamente de modo que a escala territorial seja uniforme e nos permita a elaboração de um mapa de uso e da ocupação do solo do quilombo. Estes documentos serão apresentados, debatidos e aprovados, posteriormente, pela comunidade”, assevera Daniel.

Para Kelly Alvino, vice-coordenadora do Projeto de Pesquisa e Extensão, o levantamento planoaltimétrico culminará com a consolidação da Oficina Pertencimento, Desenvolvimento Comunitário e Economia Solidária, que está construindo um painel de produtos e serviços que representem a identidade étnica como elemento de reafirmação e pertencimento à comunidade, além de agregar esforços e recursos para a produção, beneficiamento, crédito, comercialização, consumo e geração de emprego e renda.

A vice-coordenadora detalha que nos dias 15 e 16 de julho, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) realizará a II Feira de Mulheres Empreendedoras de Igarapé Preto. No dia 15 de julho, pela parte da noite, haverá exposição e desfiles dos trabalhos das empreendedoras na sede da Associação dos Remanescentes do Quilombo de Igarapé Preto à Baixinha (Arqib). No dia 16 de julho haverá vendas de produtos e apresentações de grupos culturais do território, encerrando as atividades. “Assim que consolidarmos o mapa de uso e da ocupação do solo do quilombo, daremos continuidade aos trabalhos coletivos com a comunidade do território”, finaliza Kelly Alvino.

Texto e fotos: Kid Reis – Ascom CRF-UFPA

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