Comunidade do Igarapé Preto resgata ancestralidade e constrói propostas para o desenvolvimento do quilombo

Realizar a II Feira de Mulheres Empreendedoras do Quilombo do Igarapé Preto, organizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), e consolidar um painel de produtos e serviços inovadores que representem a identidade étnica como elemento de reafirmação e pertencimento para gerar emprego e renda para a comunidade de Igarapé Preto em Oeiras do Pará.

Estas duas atividades marcam a reta final da Oficina Pertencimento, Desenvolvimento Comunitário e Economia Solidária na Comunidade Quilombola de Igarapé Preto, iniciada no dia 10 e que terminará neste domingo, 17 de julho.

De acordo com Renato das Neves, professor e coordenador do Projeto de Pesquisa e Extensão: Inovação Territorial na Comunidade Quilombola de Igarapé Preto, a II Feira de Mulheres Empreendedoras será aberta hoje, dia 15 de julho, sexta-feira, pela parte da noite, e ocorrerá sede da Associação dos Remanescentes do Quilombo de Igarapé Preto à Baixinha (Arqib). Neste dia haverá exposição e desfiles dos trabalhos das empreendedoras da comunidade. No dia 16 de julho ocorrerá venda de produtos e apresentações de grupos culturais do território, em especial o samba do cacete, além da integração com técnicos do SEBRAE-Pará.

Em relação à Oficina Pertencimento, Desenvolvimento Comunitário e Economia Solidária na Comunidade Quilombola de Igarapé, realizada desde o dia 11 de julho na Escola Municipal Zumbi dos Palmares, localizada na BR-422, Renato destaca o trabalho participativo realizado pela professora Madalena Freire, do Campus Universitário do Tocantins-Cametá, que estimulou a troca de conhecimento sobre o significado de pertencimento a uma comunidade quilombola, como forma de fortalecimento dos costumes e tradições locais. “Destaco as ações que fomentaram a autonomia coletiva para que a comunidade desenvolvesse habilidades e competências empreendedoras para a identificação e novos produtos e serviços com representatividade da identidade étnica e como elemento de reafirmação e pertencimento à comunidade. Um estímulo à autogestão coletiva com base nas experiências de economia solidária”, disse Renato.

Outro momento de forte de emoção na Oficina foi o da confecção da Boneca Abayomi, que se tornou um símbolo de resistência e de resgate da ancestralidade africana e impulsionou o fortalecimento da unidade da comunidade em defesa dos seus direitos constitucionais e do território. “Vale destacar, ainda, o trabalho das equipes interdisciplinares do projeto que realizaram o aerolevantamento da área utilizando as tecnologias de RTK e do drone, que resultará num estudo fundiário e numa cartografia social com a participação da comunidade local”, assevera Renato.

A apresentação do vídeo Experiência de Roteiro e Circuito Quilombola deu suporte metodológico e estratégico para a construção de um painel de negócios inovadores com a identificação de produtos e serviços que tenham como representatividade a identidade étnica como elemento de reafirmação e pertencimento à comunidade. Segundo Edivan Nascimento, integrante do Projeto de Pesquisa e Extensão, foi feito um levantamento de propostas das potencialidades turísticas, ambientais, culturais e agroalimentares do território, que servirão de base para a geração de emprego e renda para o desenvolvimento local.

Edivan acrescenta, ainda, que no trabalho coletivo realizado na Escola Zumbi dos Palmares, a comunidade está identificando, as atividades culturais por meses do ano. “É um trabalho de resgate da identidade e das atividades socioculturais e das tradições religiosas praticadas pelos seus antepassados. É um resgate da memória histórica e afetiva do quilombo. Estes dados estão sendo sistematizados e serão compartilhadas posteriormente com os parcipantes, assim como durante a oficina cada morador trazia uma comida típica e tradicional para ser socializada”, informa Edivan Nascimento, integrante do Projeto de Pesquisa e Extensão.

O Projeto de Pesquisa e Extensão: Inovação Territorial na Comunidade Quilombola de Igarapé Preto é fruto de uma parceria entre a Comissão de Regularização Fundiária da Universidade Federal do Pará (CRF-UFPA) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica do Estado do Pará (Sectet) e a comunidade do Igarapé Preto, que está localizada na cidade de Oeiras do Pará, na Região do Baixo Tocantins, e faz fronteira com o município de Baião, sendo cortada pela Rodovia BR – 422 -Transcametá.

Texto: Kid Reis – Ascom CRF-UFPA
Fotos: Kid Reis, Edivan Nascimento e Renato das Neves

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