Projeto incentiva a inclusão de plantas medicinais e fitoterápicos na saúde indígena

Um projeto para incentivar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos nos tratamentos de saúde dos indígenas foi criado pela farmacêutica Valdeiza Avelino Ozanaezokero, da etnia Haliti-Paresi, e vem sendo desenvolvido na Casa de Saúde Indígena (Casai) do município de Tangará da Serra (MT). Através da produção de pomadas, xaropes, remédios naturais, sabonetes, entre outros produtos, a profissional propõe usar as plantas como uma alternativa ou um complemento aos remédios sintéticos.

A indígena Valdeiza Avelino, da etnia Haliti-Paresi, criou o projeto para incentivar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos nos tratamentos de saúde. Foto: Guto Martins/Funai

“Essa iniciativa é uma influência do meu avô, cresci com ele e o acompanhava nas matas para colher essas plantas. O conhecimento dele no tema já era antigo, havia sido repassado pelos nossos antepassados, isso faz parte da cultura tradicional indígena. Depois ele preparava os chás quando minha avó ficava doente. Desde pequena via esse processo e fui me interessando pelo tema, por isso decidi seguir a pesquisa na área”, afirma Valdeiza.

Cada produto é produzido a partir de uma necessidade, dependendo do sintoma e para qual finalidade o fitoterápico será utilizado. “É para uma tosse, um ferimento ou um cicatrizante? Sempre direcionamos a produção para o tratamento de um sintoma específico. Queremos fazer com que a comunidade indígena entenda que não é necessário usar só o medicamento sintético para se tratar e que também não é preciso esperar ficar doente para usar essas plantas, podemos usar como forma de prevenção”, incentiva.

Valdeiza explica que seu projeto será inscrito no programa Farmácia Viva, do Ministério da Saúde, por meio de uma parceria com a prefeitura do município. Se aceito no processo seletivo federal, o projeto vai possibilitar a realização de um sonho: o de implantar uma farmácia na área indígena Utiariti, em Campo Novo do Parecis (MT), para atender as aldeias locais.

Até o momento já foram criados três jardins medicinais: o primeiro, na Aldeia Bakaval, conta com o plantio de 30 espécies de plantas medicinais. O segundo fica na Cooperativa Agropecuária do Povo Indígena Haliti-Paresi (Coopiparesi), e o terceiro, na Aldeia Wazare. “Por ser uma aldeia turística, quero aproveitar essa área para apresentar o projeto aos turistas, indígenas ou não. É uma oportunidade de repassar o conhecimento e a nossa cultura”, pontua.

Esse é um dos objetivos de Valdeiza com o projeto: valorizar a cultura indígena e o conhecimento adquirido ao longo dos anos pelos antepassados. “Minha luta é para repassar cultura medicinal através das plantas aos jovens e adolescentes da nossa etnia. Precisamos garantir que esse conhecimento não se perca com a vivência das novas gerações”, afirma a indígena.

Programa Farmácia Viva

A Farmácia Viva, instituída pelo Ministério da Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2010, é um programa que envolve desde o cultivo, a coleta, o processamento, o armazenamento de plantas medicinais, a manipulação e a dispensação de preparações magistrais e oficinais de plantas medicinais e fitoterápicos. A iniciativa surgiu da necessidade de ampliação da oferta de fitoterápicos e de plantas medicinais que atendam à demanda e às necessidades locais de cada município, respeitando a legislação pertinente às necessidades do SUS.

Assessoria de Comunicação / FUNAI  

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