A Terceira Margem – Parte CDXVIII

Descendo o Rio Branco 

O Canoeiro Hiram Reis e Silva

Prefácio

Por Poeta Thales Bastos Chaves
Prezado Ir:. HIRAM 

Por falta de conhecimento sobre coisas eletrônicas, e, especialmente, em razão de falta de operacionalidade do meu jurássico computador, parado, com defeito, durante muito tempo, chamei um amigo meu “conselheiro” para coisas eletrônicas, para fazê-lo funcionar novamente”, faltando apenas os cartuchos necessários para impressão do texto.

Explicada a demora de entrega de seu pedido, que muito me honra, mas, falar sobre um gênio”, não é coisa que se faça “num abrir e fechar de olhos”, correndo-se o risco de não retratar dignamente a quem verdadeiramente MERECE com todas as letras. Não é fácil, mas, um pedido seu, é uma ordem!!! Desculpe qualquer falha ou esquecimento de alguma coisa. Mãos à obra!!!

Recebi uma das tarefas mais difíceis e, por verdade, mais gratificantes que já me chegaram às mãos, qual seja, a de falar sobre um MESTRE, dono e senhor de uma sólida sabedoria, o incomparável PROFESSOR de Escolas Militares, escritor de escol, um canoeiro, segundo ele próprio, em busca da sonhada “TERCEIRA MARGEM” que, a rigor só ele conhece, dizer em poucas palavras, o “tamanho” da importância de um dos mais célebres escritores do nosso tempo e, inegavelmente relevante, rumo ao futuro, para todas as gerações e que essa e as vindouras, possam usufruir dessa magistral sabedoria. Como diria Rousseau: “sejamos bons primeiramente, e depois seremos felizes”, completa o filósofo.

Quem o conhece, quem priva de sua amizade, sabe o quanto é nobre e generoso. Estou me referindo ao nobre e talentoso Professor de Escolas Militares, em cujas aulas ou fora delas, ministra temas relevantes, de cunho social ou patriótico, educativos, como mestre que é, tanto no conceito civil, quanto no conceito militar. Tudo sempre, no caminho da retidão, dentro da mais criteriosa fraternidade, onde quer que esteja, sempre atento ao “Justo e ao Perfeito”. Jamais descurou de sua nobre missão [voluntária] e social junto ao povo indígena, filhos da amada terra BRASILEIRA e nunca deixou de prestar sua incondicional solidariedade, sua assistência, quando essas são ou fossem necessárias.

Além disso, os caminhos que habitual e invariavelmente percorre, são os caminhos das águas, que tão bem conhece e por eles, move-se prioritariamente, sozinho por esse BRASIL, de SUL a NORTE, em seu insubstituível CAIAQUE a remo. Diga-se, a bem da verdade, quanto mais se fala, se diga dele, mais muito mais tem-se a dizer. Na verdade, não há adjetivos adequados, justos, precisos capaz de nomeá-lo corretamente, como pessoa comum e muito menos descrever, com palavras justas, o fantástico trabalho que diuturnamente realiza, por sua própria conta, nas aldeias indígenas onde, por força da sua abnegação, constrói novos tempos junto a esses brasileirinhos que, aos poucos vão sendo inseridos, com dignidade, na PÁTRIA comum, isto é, passaram a EXISTIR na geografia humana do nosso BRASIL.

No seu diuturno trabalho, sendo uma ponte entre o ontem, o hoje e o amanhã, alongando essa ponte em várias direções, isto é, entre o presente, o passado e o futuro plantando as sementes do acolhimento, da paz, da saúde e fraternidade entre todas as etnias, incluídos aqui, o povo civilizado. E ao longo desses caminhos pretensamente conhecidos ou sem atentarmos para a força da Natureza, mutante, sem percebermos, nos pregam alguns sustos, mesmo naqueles de comprovada experiência.

Aqui passo a palavra ao Ir:. Athanasio, para uma narrativa, que felizmente e graças ao GADU, teve um desfecho feliz. Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Pois nosso herói voltava de uma remada muito grande! Fora surpreendido pelo mau tempo na Laguna dos Patos, cansado, açoitado pelo vento e chuva e ainda faltavam muita distância e tempo para chegar na zona sul de Porto Alegre, local de sua partida.

Alterando seu estado de consciência, visualizou a trajetória de chegada, a superação do tempo ruim e as ondas que assolavam a embarcação; foi, então, que começou a ver, no horizonte, a Terceira Margem! Nela havia um ponto negro que se deslocava em sua direção e, com o compasso das remadas, foi tomando forma, cor e significado.

Era o efeito da Terceira Margem associado a Eclesiastes 4-9, em plena força e vigor para salvar o canoeiro. Cedo da manhã, cujo dia findava, o Irmão Hiram tinha combinado de fazer a navegada com o também Irmão Flávio André Teixeira, Coronel de Artilharia, o “Teixeirão”. Como houve desencontro na saída, nosso expedicionário iniciou o trajeto sozinho; pois quando precisava de ajuda para chegada, no momento em que o “tempo da laguna” já tinha esgotado, outro herói aparece para salvar a navegada! Saíram os dois sãos e salvos do meio da laguna dos patos, com chuva e muito vento.

Mais uma vez a lenda do companheiro estava confirmada. Crendo ter cumprido humilde e fraternalmente, a missão que me foi solicitada, receba meu fraterno e caloroso abraço. Thales B. A. Chaves.

Quintino Cunha

 Vazante
(Quintino Cunha)  

O mês de julho mostra um tempo novo
Em tudo: à margem pousa alegre bando
De borboletas, cor de gema de ovo,
O declive das águas anunciando.

Da floresta central, de lá de ignotas
Matas, voltam, da imensa arribação,
Os maguaris, as garças e as gaivotas,
‒ A beleza das praias no verão!

E o uirapajé cantando, e a saracura
Cantando, em fim o plácido barulho
Das aves todas, dá-nos a envoltura
Dessas manhãs esplêndidas de julho.

A própria vida mais amor exalta,
Nesses dias magníficos, sem-par,
Quando mais se ouve o canto da pernalta,
No alegre anseio de nidificar.

Por Hiram Reis e Silva (*), Bagé, 15.04.2022 – um Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.    

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

  • Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
  • Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
  • Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
  • Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
  • Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
  • Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
  • Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
  • Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
  • Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
  • Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  • E-mail: hiramrsilva@gmail.com.

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