Pesquisadores do SGB-CPRM escrevem sobre a geologia, a cultura e os mistérios do Monte Roraima

No último dia 18, os pesquisadores em geociências do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) Nelson Reis e Marcelo Eduardo Dantas publicaram um artigo sobre o Monte Roraima. Os pesquisadores contaram à Revista Super Interessante os segredos do local em que se pode estar em três países ao mesmo tempo – o monte leva no seu cume a divisa entre Brasil, Guiana e Venezuela. Eles apontaram a história geológica, legado místico, literário e científico, além das belezas cênicas dessa formação geológica.

Marco BV-0 limite entre Brasil e Venezuela. Neste ponto também se insere o limite (tríplice) com a República Cooperativista da Guiana. Arquivo SGB-CPRM

O texto dos cientistas foi ao ar no blog “A Deriva Continental”, que tem o objetivo de publicar quinzenalmente uma série de textos geocientíficos, sob a organização da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), em parceria com a Revista Superinteressante. A iniciativa compartilha da missão da empresa de divulgar as ciências da terra em uma linguagem acessível e de fácil entendimento para o público em geral.

Feições de relevo acima da cota de 2.500 metros: formas exóticas geradas por erosão diferencial em camadas de arenitos; crateras que interligam sumidouros e galerias subterrâneas que atingem até 70 metros abaixo da superfície. Arquivo SGB-CPRM

Nelson observou que o Roraima é o sétimo monte mais elevado do Brasil, com altitude máxima é de 2.734 metros, sendo também ornado por escarpas (paredões verticais) que atingem mais de 500 metros de altura. O geólogo, que tem atuação dedicada ao conhecimento da geologia da Amazônia, pontuou que “além de assinalar o limite entre os três países, o monte também estabelece a transição entre a vegetação de savana e aquela de floresta tropical amazônica nas regiões vizinhas entre o Brasil, Venezuela e Guiana”.

O Monte Roraima é uma formação sedimentar que tem cerca de 2 bilhões de anos de idade, sendo considerada pela comunidade científica como uma das mais antigas do planeta. Acumulando quase três mil metros de sedimentos arenosos, o monte faz parte do Supergrupo Roraima, conjunto geológico que ocupa grande área do Escudo das Guianas e um pedaço do norte do Cráton Amazônico. Nelson e Marcelo explicaram que “a bacia Roraima passou por um lento processo de soerguimento ao longo da Era Cenozoica (a partir de 65 milhões de anos atrás), gerando platôs formados por rochas sedimentares. É lá que está situado o Monte Roraima, o mais elevado tepuy da região. Seu topo tem uma área de 31 km2 , que está a 2.734 metros acima do nível do mar.”.

O texto aborda ainda como a literatura e o cinema se aproveitaram do Monte Roraima. Macunaíma (1928), personagem de obra de mesmo nome escrita por Mário de Andrade, teria nascido em tal formação rochosa. E o filme Up: Altas Aventuras (2009), da Pixar, retrata tepuys, agregando elementos do Monte Roraima com o Salto Angel de outro tepuy, uma das maiores cataratas da região da savana venezuelana.

Amanda Rosa
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Ministério de Minas e Energia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
%d blogueiros gostam disto: