INPE/MCTI usa Radar Orbital que pode contribuir com a vigilância dos rios na Amazônia

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI),  utiliza Radar Orbital e apresenta técnica automática para detecção de embarcações que poderia contribuir com a vigilância dos rios na Amazônia.

Detalhes da imagem Sentinel-1/ESA:
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22/11/2021 – 09:39 am (GMT-0)
Polarização VV
Passagem descendente do satélite
Resolução espacial: 10m

Centenas de balsas de dragagem de garimpeiros foram observadas recentemente no Rio Madeira em busca de ouro. No entanto, uma área muito extensa e de difícil acesso necessita de um suporte especial que permita a observação e a localização de atividades suspeitas a fim de que os meios de fiscalização possam ser empregados de modo mais eficaz. A Vigilância Orbital por meio de sensores imageadores do tipo Radar de Abertura Sintética (do inglês, SAR) proporciona tanto a cobertura de largas faixas sobre a superfície, como a possibilidade de visualizá-la diuturnamente, mesmo com cobertura de nuvens.

A imagem apresenta o resultado da aplicação de uma técnica robusta de detecção de embarcações desenvolvida pelo INPE e em parceria com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da Força Aérea Brasileira. O aluno de mestrado do Programa de Pós-graduação Sensoriamento Remoto do INPE, Diego Xavier, desenvolveu o atual algoritmo e diz: “A técnica CFAR basicamente funciona buscando alvos, conforme suas características físicas (composição, material e forma geométrica) e estatísticas na imagem. É possível diferenciar tal alvo do seu entorno devido à forma como o sinal do radar interage com a superfície e retorna ao mesmo”. 

O jovem aluno pesquisador é orientado por João A. Lorenzzetti (INPE/MCTI), o qual desenvolve pesquisa nesta área desde 2007 em conjunto com Rafael L. Paes, pesquisador e oficial da FAB. O pesquisador Lorenzzetti esclarece que o estudo, parte de um projeto de monitoramento de derrames do óleo no mar,  tem como meta a observação do tráfego marítimo no oceano. Sobre a possibilidade de migrar a aplicação para os rios, ele comenta: “No oceano, a presença do vento, da variação das marés, das correntes marítimas, das ondas, entre outros fenômenos, contribui para alterar a agitação das águas, gerando uma rugosidade variável nesta superfície. Isto modula o retorno dos sinais eletromagnéticos e assim, sua visualização pelo radar. Quando estes fenômenos estão ausentes, ou ocorrem com pouca intensidade, a superfície do mar torna-se “lisa”, causando uma reflexão especular dos pulsos do radar, ou seja, o mar aparece escuro na imagem. Nos rios, apesar das correntezas e bancos de areias, em geral, há a reflexão especular. Tal fato evidencia ainda mais as embarcações, em um contraste muito característico entre corpo d’água e embarcação”, esclarece o pesquisador do INPE.

Na Amazônia, onde a cobertura de nuvens é frequente, a utilização de imagens de radar é fundamental”, afirma o Rafael Paes (FAB). Se comparada aos satélites que operam no visível, na faixa das micro-ondas de operação dos radares, há uma grande transparência atmosférica. Além do mais, o radar permite obter imagens nos períodos diurno e noturno, pois não depende da energia solar para o imageamento. “O exemplo destas balsas mostra a possibilidade de monitoramento deste tipo de atividade, dia e noite e com praticamente qualquer cobertura de nuvens, contribuindo para as atividades de vigilância nos nossos rios e em operações de cumprimento da lei”, finaliza o pesquisador.

PUBLICADO POR:      INPE

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