Aves migratórias na Amazônia

Em 1950, aos 10 anos de idade, ainda criança, comecei a observar as mudanças das estações, em Manaus, no meio da Amazônia, diziam que aqui só existiam duas: os nove meses de chuvas e os três meses de pouca chuva, entre agosto e outubro. Morávamos à Rua 10 de Julho, em uma casa antiga, com um quintal, bem perto do Teatro Amazonas, e a cidade ainda pequena, não ultrapassara os 100.000 habitantes.

Hoje, passados 70 anos, lembrei-me de que algumas vezes, pela manhã cedo, ouvíamos o grasnar das centenas de patos, paturis ou marrequinhas, nos céus de Manaus, e os víamos voando em formação, em média altura, rumo às suas zonas de nidificação, ao longo do Rio Amazonas e dos seus afluentes, em suas praias, até que o verão voltasse, nas suas regiões de origem, no Hemisfério Norte.

E nessa época a sua quantidade já estava bem menor do que na década de 1880, quando os meus bisavós João Facundo de Menezes e Liberalina Aciolly de Menezes chegaram ao rio Javari, totalmente despovoado, mas com as praias pululando de aves e ovos de todas as espécies.

Outras aves migratórias, também vindas do Norte, as denominadas TESOURINHAS,  aqui chegavam, todos os anos, cada vez em menores quantidades, uma espécie de andorinha de cauda dupla.

Até o ano passado ainda vi algumas delas, na Praça Heliodoro Balbi.

Acho que esses patos migratórios, marrecos e paturis foram dizimados, pelos caçadores da América e da Amazônia, e de outros pontos, onde eles descansavam, neste trajeto anual, de ida e volta, de mais de 20.000 km da Amazônia aos USA e dos USA a Amazonia, através do Mar das Antilhas, ou da América Central.

O pato selvagem, o paturi e o marreco devem ter outro tratamento quanto à caça, pois eles recebem a ação deletéria do homem, nos dois pontos extremos e nos pontos intermediários de suas migrações, sendo extremamente vulneráveis. Esta situação sui generis deveria ser mais detalhada e estudada.

Também na minha última viagem que fiz a Parintins, ouvi um grande grasnar deles, em um lago além da margem do rio.

Eles ainda estão por aqui…

Senhores caçadores de patos, vamos moderar…

Senhores legisladores das rotas aéreas animais, vamos abrir os olhos…

Não deixem esses últimos patos migratórios acabarem.

Quem puder ajude ou divulgue.

AUTOR: ANTONIO LOUREIRO, Historiador 

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