Publicação reúne informações sobre a proteção de povos indígenas isolados e de recente contato

Após 5 anos de execução do projeto Proteção Etnoambiental de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato na Amazônia, o CTI publica informações sobre a proteção desses povos.

Foto publicada por: CTI

O livro Proteção e Isolamento em Perspectiva – Experiências do Projeto Proteção Etnoambiental de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato na Amazônia apresenta experiências do projeto realizado entre 2015 e 2019 e um panorama sobre os povos indígenas isolados e de recente contato no Brasil e na América do Sul.

Na Amazônia brasileira vive o maior número de povos indígenas isolados e de recente contato conhecido no planeta. Segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), há 114 registros da presença de indígenas em isolamento no país, 28 deles confirmados, e mais de 20 povos considerados de recente contato. Suas diferentes estratégias de isolamento e de relacionar-se com outros coletivos são respostas ao violento processo de colonização e às profundas transformações em seus territórios e nas redes de relação indígenas nas quais estavam inseridos. Esse processo perdura até os dias atuais, e seus modos de vida e territórios se encontram pressionados e ameaçados pela expansão de fronteiras extrativistas e do agronegócio, pela exploração predatória da floresta, pela implantação de projetos de infraestrutura, pelo proselitismo religioso e pelo risco de contágio de doenças associado a essas atividades.

Com o objetivo de apoiar a proteção desses povos e de seus territórios na Amazônia Brasileira, o CTI realizou, entre 2015 e 2019, o projeto Proteção Etnoambiental de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato na Amazônia. Implementada em cooperação com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e com o apoio do Fundo Amazônia/BNDES, a iniciativa envolveu diversos povos e organizações indígenas, comunidades ribeirinhas, organizações da sociedade civil, pesquisadores, especialistas e órgãos governamentais do Brasil e também de outros países. Sua elaboração teve como base os resultados e aprendizagens de trabalhos desenvolvidos pelo CTI nesta temática desde a década de 1980, incluindo projetos em cooperação técnica com o órgão indigenista a partir dos anos 1990.

O projeto proporcionou o apoio às ações da Funai voltadas à localização e monitoramento de indígenas isolados, a capacitação de servidores do órgão, a produção de conhecimento sobre povos isolados e de recente contato e também de subsídios técnicos para sua proteção. Contudo, uma das questões centrais do projeto foi fortalecer e ampliar a participação e o protagonismo indígena na proteção dos povos isolados e de recente contato, sobretudo em contextos de compartilhamento territorial entre povos indígenas isolados e ‘contatados’. Com este intuito, foram desenvolvidas ações em seis regiões na Amazônia brasileira, além de intercâmbios e encontros internacionais entre organizações indígenas e organizações da sociedade civil do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela.

A publicação Proteção e Isolamento em Perspectiva – Experiências do Projeto Proteção Etnoambiental de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato na Amazônia apresenta uma contextualização das ações desenvolvidas, os principais resultados desse trabalho e um panorama sobre os povos indígenas isolados e de recente contato no Brasil e na América do Sul. O intuito do material é disseminar informações, fomentar o debate e a reflexão sobre esses povos e os problemas que enfrentam no presente e contribuir para o aprimoramento de ações voltadas à sua proteção.

A primeira parte do livro contém informações gerais sobre esses povos indígenas no Brasil e a política do Estado brasileiro para a sua proteção, além de um resumo dos resultados alcançados pelo projeto. A segunda parte, Povos e territórios, apresenta as principais ações desenvolvidas nas seis regiões que foram foco do trabalho junto a povos indígenas e populações do entorno de territórios de indígenas isolados e de recente contato: Acre, Madeira-Purus, Madeirinha-Juruena, Maranhão, Norte do Pará e Vale do Javari. A terceira e última parte, Olhares e fronteiras, traz informações sobre a presença de povos indígenas isolados e de recente contato na América do Sul, e um resumo dos antecedentes e das principais ações realizadas para a ampliação e fortalecimento da participação da sociedade civil em agendas regionais voltadas à proteção e promoção dos direitos desses povos.

Categorias: Notícias, Povos Indígenas Isolados

PUBLICADO EM:   CENTRO DE TRABALHO INDIGENISTA CTI

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