O desafio da professora de refugiados e migrantes na pandemia

Em Roraima, a professora de português Jennifer Barros ensina crianças e adolescentes venezuelanos

Professora Jennifer Barros dá aulas de reforço no espaço Súper Panas (Super Amigos), do UNICEF, em abrigo em Roraima – Foto | Daniel Tancredi/UNICEF

Toda quinta-feira a professora Jennifer Barros vai até o abrigo Rondon 3, que acolhe 844 refugiados e migrantes da Venezuela na cidade de Boa Vista, capital de Roraima. Lá, Kaleth Colmenares, de 12 anos, está à espera. Em fevereiro, o menino começou a estudar na rede pública de ensino brasileira e ainda estava se adaptando ao novo idioma quando veio a pandemia de COVID-19. Agora, uma vez por semana, ele tem aulas de reforço escolar de diversas disciplinas, principalmente o português.

Graduada em Letras, com ênfase em espanhol, Jennifer começou a ter interesse em idiomas e culturas muito cedo. Começou trabalhando em escolas públicas de Roraima, mas foi há quase um ano que encontrou a oportunidade de unir todas as suas paixões em uma só: trabalhar no Súper Panas – em português, “Super amigos” –, espaço do UNICEF em parceria com o Instituto Pirilampos, onde ministra aulas de português e atividades recreativas para meninas e meninos venezuelanos.

“Eu não conhecia a realidade do abrigo. A princípio, foi um choque. O contexto escolar é totalmente diferente de uma escola formal. São estratégias diferentes que precisamos adotar para chamar atenção. É também um contexto de acolhimento, não somos só professores, passamos a ser educadores sociais”, explica Jennifer. Após um período de experiência, a professora descobriu e desenvolveu novas técnicas de ensino, focando em adaptar o ensino do português para crianças e adolescentes migrantes e refugiados.

Alfabetização e aulas de reforço escolar acontecem no acampamento Rondon 3, em Boa Vista Foto | Daniel Tancredi/UNICEF

Adaptação – Antes da pandemia, os estudantes se reuniam todos os dias para assistir às aulas no Súper Panas, que funcionava nos períodos da manhã e da tarde, com aulas de português, biologia e música, entre outras disciplinas.

“Era uma experiência muito alegre, eu tinha contato com os alunos, as aulas eram calorosas e animadas. Trabalhamos educação com recreação, então fazíamos dinâmicas, jogos, competições. Quando veio a pandemia, o maior desafio foi evitar o contato, porque criamos vínculo com os alunos”, conta Jennifer.

Além de já não poder dar os típicos abraços para receber os estudantes no início de mais um dia de aula, surgiram outros desafios, e os professores precisaram adaptar suas estratégias de ensino. Para prevenir o contágio da COVID-19, dois moradores do abrigo recebem o plano de aula dos professores e aplicam as atividades para os estudantes de segunda a quarta-feira, com tempo reduzido e cumprindo os protocolos de saúde.

Os educadores passaram a ir todas as quintas-feiras para ajudar no reforço escolar e alfabetização das crianças. Este tempo tem sido precioso para manter o aprendizado.

Para Kaleth, que seguiu recebendo as atividades da escola regular, ter o acompanhamento da professora Jennifer faz a diferença. “No Brasil é diferente da Venezuela, por causa do idioma. Os primeiros dias na escola aqui são difíceis, e lá em espanhol entendemos tudo”, conta o garoto.

Os professores também se organizaram em equipes de oficinas para seguir trabalhando no abrigo durante a pandemia. Jennifer escolheu a oficina de bonecos, onde fez a mão os super heróis do espaço Súper Panas. “Fizemos as bailarinas e os super-heróis escolhidos pelos estudantes”, alegra-se, contando que os bonecos foram entregues a meninas e meninos no Dia das Crianças, em outubro.

O menino venezuelano reconhece o esforço de Jennifer “Eu gosto de ter professores para me ajudar porque eles querem que eu aprenda. A professora Jenni me explica como fazer, manda as tarefas. Ela gosta quando eu escrevo bonito”, conta Kaleth.

UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância

PUBLICADO EM:     ONU NAÇÕES UNIDAS   

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