A Terceira Margem – Parte XVIII

Momentos Transcendentais no Rio Amazonas I
Manaus, AM/ Santarém, PA ‒ Parte II

Córrego Carhuasanta – monte Nevado Mismi

Rei dos Rios

Rápido exame dos relevos da terra, no mapa físico da América do Sul, desperta imediatamente a atenção para a colossal baixada, onde, com o aspecto ordenado das nervuras no limbo de uma folha, se apresenta o Rio Amazonas e sua rede adjacente e radiciforme de afluentes: a mais abundante das bacias fluviais do mundo. (RANGEL)

O INPE, depois de analisadas as imagens de satélite e modelos de elevação digital do terreno gerados com radar orbital (SAR interferométrico), chegou à conclusão que a nascente do Rio Amazonas se origina em um dos córregos que alimentam o Rio Lloqueta, sendo os principais Caruhasanta e Apacheta, alimentados pelas águas do pico nevado Mismi, a 5.597 metros de altitude. Estes estudos foram validados pelo trabalho de campo executado pela “Expedição Científica Binacional Peruano-Brasileira às Nascentes do Rio Amazonas”. Para os pesquisadores do INPE, o principal formador do Amazonas é a vertente da quebrada Apacheta.

Apacheta é, sem dúvida, a nascente original do Amazonas e o principal Córrego que alimenta o Rio Lloqueta, principal formador do Apurimac que corre no sentido Noroeste, passando por Cuzco, a mais de 3.000 m de altitude.

Depois de percorrer pouco mais de 730 km, o Apurimac encontra com o Rio Mantaro para formar o Rio Ene, a uma altitude de 440 m e, mais adiante encontra com o Rio Perené a 330 m acima do nível do mar, passando a formar o Rio Tambo. Após sua confluência com o Rio Urubamba a 280 m de altitude, forma o Rio Ucayali. O Ucayali corre por um declive suave para o Norte até juntar-se com o Marañón, onde recebe o nome de Amazonas, até a fronteira do Brasil.

Na altura da Cidade de Tabatinga muda o nome para Solimões que toma o rumo geral Oeste-Leste, envolvido pela Hileia Amazônica e, em Manaus, após a junção com o Rio Negro, recebe, novamente, o nome de Amazonas e, como tal, segue até encontrar as águas do Oceano Atlântico.

É o maior Rio do planeta, tanto em volume d’água quanto em comprimento (6.992 km de extensão) e seu declive é mínimo, avançando lentamente pela maior várzea do planeta. De Tabatinga até a Ilha de Marajó, o desnível é de apenas 65 m em 3.200 km (uma média de 2 cm por quilômetro).

O curso Médio do Amazonas inicia em Contamana, pequena Cidade do Peru e se estende até Óbidos, a mil quilômetros da Foz, onde já se notam efeitos das marés. São aspectos igualmente curiosos os registros de velocidade, largura e navegabilidade.

A velocidade média, no médio e baixo cursos, é de 9 km/h, mas em Óbidos, onde o Rio tem sua passagem mais estreita em território brasileiro (2.600 m), a velocidade chega a 12 km/h.

A largura é outra das medidas difíceis de calcular, em virtude das diversas Ilhas existentes no seu leito, dando origem à formação de vários braços ou “Paranás”.

Um dos trechos mais largos, frontal à Foz do Tapajós e à cidade de Santarém, mede 35 km. É uma enorme área lacustre em que as águas predominam altaneiras. Nas épocas de cheia, alguns trechos ultrapassam os 50 km de largura. A diferença entre o nível máximo das enchentes (junho) e mais baixo da vazante (outubro-novembro) é, em média, é de 10,5 m.

Grande parte do Amazonas permite a navegação. Nos 3.700 km que vão da Foz à Cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de 50 m) lhe permite receber navios de alto calado. Grande parte de seus afluentes são igualmente navegáveis, viabilizando o transporte hidroviário como o meio mais adequado e utilizado na região. Infelizmente a maioria das embarcações ainda não faz uso de recursos tecnológicos modernos comprometendo a segurança das pessoas e cargas.

Entre os afluentes do Amazonas existem mananciais colossais. O Madeira é um dos vinte maiores do mundo; o Purus, o Tocantins e o Juruá estão entre os trinta principais. Em toda a rede desses afluentes, no Brasil, sobressaem, pela margem direita, o Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu; pela margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari.  

Bibliografia

RANGEL, Alberto do Rego. Rumos e Perspectivas – Brasil – São Paulo, SP – Companhia Editora Nacional, 1934.

Por Hiram Reis e Silva (*), Bagé, 10.08.2020 um Canoeiro eternamente em busca da Terceira Margem.

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;   

  • Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
  • Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
  • Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
  • Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
  • Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
  • Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
  • Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
  • Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
  • Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
  • Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
  • Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
  • Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
  • Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  • E-mail: hiramrsilva@gmail.com.

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