Ações de enfrentamento à Covid-19 nas comunidades indígenas do Pará e Amapá

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, mais de 30.000 casos de Covid-19 foram confirmados nas comunidades indígenas em todo o país desde o início da pandemia. O número de vítimas pela doença chegou, no mês de setembro, a 786. Nas terras indígenas do Oiapoque são 421 casos de pessoas infectadas e nas TIs Parque do Tumucumaque e Rio Paru d´Este são 970 casos, sem contar com os casos suspeitos, segundo confirma o Iepé, parceiro do Museu Goeldi.

Agência Museu Goeldi – Em frente ao quadro desolador que os impactos da pandemia que o novo coronavírus tem provocado nas populações indígenas, profissionais do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) buscam agir em defesa da vida de comunidades indígenas e populações tradicionais, seja por meio de projetos de extensão e difusão, ou acionando e fortalecendo redes de parcerias, No Pará, a antropóloga Lucia Hussak van Velthem, pesquisadora do MPEG age em parceria com o Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, que está implementando um Plano de Enfrentamento à Covid 19 em 10 Terras Indígenas. Uma ação solidária aberta para colaboração da sociedade.

Em abril a equipe técnica do Iepé deu o alerta: a Covid 19 havia chegado nas terras indígenas do Amapá e Norte do Pará. “Hoje são mais de 150 casos confirmados nas Terras Indígenas Parque do Tumucumaque e Paru d’Este. E mais de 170 nas Terras Indígenas do Oiapoque. Em Macapá, mais de 100 índios testaram positivo. E na cidade de Oiapoque, mais de 10 indígenas confirmados e inúmeros suspeitos. Ambas as cidades apresentam um alto número de infectados, os hospitais estão colapsados”, como informa o Iepé em material divulgado sobre o Plano de Enfrentamento à Covid 19.

O plano está organizado em três eixos principais: instalação de unidades de atendimento primário, promoção da segurança alimentar e bem estar dentro dos territórios e ampliação de redes de comunicação e informação. Na primeira fase do projeto, o objetivo é construir as 14 Unidades de Atenção Primária Indígena (UAPIs), em 10 Terras Indígenas do Amapá e norte do Pará,nas aldeias Kumarumã, Kumenê, Manga, Kunanã, Wajãpi, Tiriyó, Bona, Zo´é, Araça, Chapeu, Mapuera, Kwanamari, Kassawa e Riozinho, a fim de receber pacientes de leve e moderada complexidade, além de evitar que tais casos evoluam para quadros graves. Pretende-se, também criar alas específicas para tratamento de doentes com Covid nas Casais de Macapá e Oiapoque.

Em parceria com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), o monitoramento dessas regiões terá continuidade com os órgãos competentes e líderes das aldeias. Simultaneamente, considerando a dependência das comunidades mais populosas por mais produtos das cidades, a segunda fase garantirá apoio à subsistência das comunidades por meio do envio de insumos, materiais de higiene e cestas básicas. Juntamente com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), as atividades de controle do fluxo de pessoas e distanciamento social serão intensificadas, bem como a vigilância e proteção dos limites das terras indígenas.

Inserida no último eixo, o enfrentamento à pandemia causada pelo novo coronavírus será através do incentivo às ferramentas de comunicação. O propósito é fazer a manutenção e reposição de equipamentos radiofônicos, instalação de pontos de internet e elaborar boletins informativos acessíveis aos indígenas, de modo a que os protocolos de segurança na pandemia sejam disseminados de forma efetiva e, assim, ajudem na diminuição do risco de contágio nas aldeias.

O enfrentamento à Covid-19 está sendo articulado com as organizações indígenas e órgãos competentes. Entre as instituições que apoiam e cooperam com essas e outras ações para proteger as comunidades indígenas, estão: Fundação Nacional do Índio (FUNAI – Macapá e Santarém), Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (DSEI/SESAI), Expedicionários da Saúde, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Rainforest Foundation Norway, Embaixada da França e da Noruega no Brasil, Nia Tero e Greenpeace.

Sobre o Iepé – Desde sua criação em 2002, o Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena  busca construir alianças que possibilitem a realização de ações e projetos de preservação e proteção das comunidades indígenas do Amapá e Norte do Pará. Ao total, mais de 10.000 pessoas já são beneficiadas com as pesquisas e programas do Iepé.

Em novembro do ano passado, o Iepé uniu-se ao Museu Goeldi na exibição da exposição “Zo’é rekoha”, que resgata a história do povo Zo’é e apresenta sua cultura, destacando também suas lutas em defesa de seu território.

Para os interessados em ajudar o plano emergencial contra a Covid-19, é possível doar livremente para o Iepé. Confira aqui as informações sobre como colaborar.

Texto: Giullia Moreira – Revisão: Joice Santos 

PUBLICADO POR:    MUSEU GOELDI

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