Desmatamento na Amazônia sobe 88% este ano. Mas ainda há tempo de acertar

Com a pergunta “Será que voltamos aos anos 1990?” pesando na sala, membros da coletiva organizada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), e realizada hoje na 25ª Conferência do Clima da ONU (COP25), alertaram para a crise ambiental que o Brasil enfrenta atualmente: acréscimos de 88% nas taxas de desmatamento na Amazônia, entre janeiro e novembro deste ano, segundo dados dos alertas que monitoram as alterações na região.

Baseado nas informações do Prodes – sistema oficial de monitoramento do desmatamento na Amazônia –, divulgadas em novembro pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) –, a pesquisadora e diretora de Ciências do IPAM, Ane Alencar, destacou, contudo, que o dado que mais chamou a atenção é que cerca de 30% dos focos de incêndios em 2019 ocorreram em terras não designadas e sem informação. “Em termos de desflorestamento, esse número representa 40% de todas as derrubadas que tivemos. Isso significa que essas áreas estão sem governança”, alertou Alencar. “Estamos perdendo nosso principal patrimônio, nosso tesouro, que são as florestas, para a grilagem”, lamentou

Nesse sentido, a pesquisadora afirmou ainda que, apesar do fogo ter diminuído nessas áreas, o desmatamento continua avançando e formando dentro da Amazônia uma bomba latente pronta para queimar o solo.  “Nós ainda temos florestas que foram colocadas no chão, que estão desmatadas, mas que ainda não foram queimadas. Isso pressupõe que, se nada for feito, teremos muitos incêndios no próximo ano”, alertou a pesquisadora. “Se não fizermos nada agora, nós iremos, sim, alcançar os números dos anos 1990”, advertiu.

Endossando o discurso, o diretor executivo do IPAM, André Guimarães, salientou que é fundamental considerar não apenas a importância do bioma amazônico para o Brasil e para o mundo, como também para o futuro da espécie humana: “A Amazônia recicla o carbono, a água e armazena a biodiversidade”, destacou. “A floresta guarda uma em cada cinco ou seis condições que a vida encontrou para existir neste planeta pelos últimos três bilhões de anos. Essa é a importância da Amazônia para a biodiversidade”, completou Guimarães.

O Brasil já sabe o caminho

A ex-ministra do Meio Ambiente e conselheira honorária do IPAM, Marina Silva, também presente na coletiva, afirmou, no entanto, que o Brasil já possui conhecimento, tecnologia e modelos de políticas públicas eficientes para reduzir as derrubadas e as emissões de CO². “Isso já foi feito. Em 2004, conseguimos fazer com que a criminalidade de queimadas, desmatamentos e explorações de madeira ilegais fossem combatidas de forma incisiva, colocando mais de 725 pessoas criminosas na cadeia, aplicando R$ 4 bilhões em multas e apreendendo um milhão de m³ de madeira”, relembrou a ministra.

Na ocasião, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-PE) apresentou um relatório elaborado pela Comissão do Meio Ambiente do Senado Federal que trazia conclusões a respeito da PNMC (Política Nacional de Mudanças Climáticas) – instituída em 2009 pela lei 12.187 – e das metas a serem atingidas pelo Brasil em 2020.

De acordo com o documento, a análise, feita por especialistas do próprio Senado e da sociedade civil e por acadêmicos, concluiu que o país não irá alcançar no próximo ano os números acordados com diversas conferências – especialmente a de Paris – na redução de 80% das taxas de desmatamento e da emissão do gás carbônico. Apesar da visão pessimista, Rodrigues também reconheceu que o passado brasileiro já demonstrou que é possível virar esse jogo, a partir de uma governança e um ordenamento territorial bem elaborados.

FONTE: IPAM AMAZÔNIA – Notícias 

 

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