Importância das línguas tradicionais é tema de evento sobre educação escolar indígena no Amazonas

Discutir a importância das línguas tradicionais para a educação escolar indígena. Com esse objetivo, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) promoveram a Semana Acadêmica dos cursos de Pedagogia Intercultural Indígena (UEA) e Formação de Professores Indígenas (UFAM), no campus da UFAM em Benjamin Constant, oeste do Estado do Amazonas.

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Indígenas universitários durante a Semana Acadêmica em Benjamin Constant/AM (fotos: Coordenações Regionais do Alto Solimões e do Vale do Javari)

Especialistas, educadores e universitários indígenas de ambas as instituições de ensino se reuniram para debater sobre a formação de professores indígenas, com foco no uso das línguas tradicionais faladas nas comunidades indígenas da região. Realizada entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, a Semana Acadêmica contou com 53 representantes das etnias Kanamari, Marubo, Matsés, Tikuna, Kokama e Kambeba, do Vale do Javari e Alto Solimões.

Apenas nas 65 aldeias da Terra Indígena Vale do Javari estão matriculados aproximadamente 1.600 estudantes no ensino fundamental da rede municipal. Já o número de estudantes matriculados nos 15 municípios abrangidos pela Coordenação Regional Alto Solimões é de difícil estimativa, salienta a coordenadora regional da Funai, Mislene Martins Mendes. “São duas imensas regiões: Alto e Médio Solimões, totalizando 85 mil indígenas de 18 etnias distintas. Por essa razão, a estimativa de alunos atendidos pela educação escolar indígena é bastante complexa”, afirma.

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Na abertura do evento, da direita para esquerda: Todá Kanamari, Danielle Brasileiro (Funai), Mislene Mendes (Funai), Antônia Rodrigues (SEMED Benjamin Constant), Célia Bettiol (UEA), Líbia (diretora da UFAM), Maria Edmar (SEMED – Atalaia do Norte/AM), Sansão Ticuna (OGPTB)

Por meio da CR Alto Solimões, a Funai apoiou a participação de representantes da Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngues (OGPTB), uma das primeiras associações indígenas do Brasil que iniciaram discussões e mobilização pelo acesso à educação escolar indígena realizada por professores nativos. Com recursos da Coordenação Geral de Promoção da Cidadania (Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável/Funai), a CR Vale do Javari forneceu transporte aos 35 professores indígenas que se deslocaram até a cidade de Benjamin Constant/AM.

Em relação à capacitação de professores, Mislene afirma que é uma demanda antiga dos povos indígenas da região “ter em suas escolas professores indígenas com formação superior a fim de fortalecer não apenas a escolarização dos alunos indígenas, mas também fortalecer os processos próprios de educação comunitária. O acesso à educação indígena está expresso na Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), que reconhece a necessidade de capacitação, intercâmbios e formação de indígenas em termos de conhecimentos para gestão territorial e ambiental”, conclui.

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Feira de artesanato indígena durante a Semana Acadêmica na UFAM em Benjamin Constant/AM

De acordo com a chefe da Coordenação Regional Vale do Javari, Danielle Moreira Brasileiro, o curso superior de Pedagogia Intercultural Indígena surgiu a partir de um seminário de promoção e proteção social organizado pela CR no ano de 2013. “Naquele evento, foi discutida a proposta de se criar o curso de formação para os professores indígenas em nível superior. Desde então, as lideranças indígenas têm demandado outras ações. Por isso, a Funai e a UEA construíram a proposta da Semana Acadêmica com o objetivo de promoverem uma formação extracurricular dos indígenas para além da sala de aula”, relata Danielle Brasileiro.

Para a coordenadora do curso de Pedagogia Intercultural Indígena da UEA, Célia Aparecida Bettiol, a formação de professores indígenas tem uma implicação direta no desenvolvimento da educação escolar indígena. “Esse profissional vai atuar diretamente com as turmas de primeiro ao quinto ano, com as crianças nos anos iniciais da escola. Ele vai trabalhar com o fortalecimento da língua, com a cultura e os saberes tradicionais desses povos. Isso é um enriquecimento muito grande tanto para os povos indígenas quanto para as instituições envolvidas”, ressalta a professora.


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Célia Bettiol avalia que ações como a Semana Acadêmica “tem possibilitado à UEA oferecer um curso com qualidade, e que tenha ênfase na alfabetização em língua indígena e produção de material didático, sendo o idioma português ensinado como língua adicional”. A professora lembra a importância dos debates realizados durante a Semana Acadêmica por se tratar do Ano Internacional das Línguas Indígenas.

 

A Semana Acadêmica foi resultado da parceria entre a Fundação Nacional do Índio, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Secretaria de Educação da Prefeitura de Atalaia do Norte/AM, e a Secretaria Municipal de Educação de Benjamin Constant/AM; com apoio do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

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Assessoria de Comunicação Social / Funai

com informações da Coordenação Regional Vale do Javari

e da Coordenação Regional Alto Solimões

 

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