Plantas e fungos entre as novas espécies reconhecidas pela ciência

Das 301 espécies descobertas nos últimos cinco anos por pesquisadores e colaboradores do Museu Goeldi, 58 são plantas e cinco são fungos. Entre as descobertas, os cientistas também descreveram dois novos gêneros de plantas e um de fungo.

Pesquisadores, alunos e colaboradores do Museu Paraense Emílio Goeldi descreveram 63 novas espécies de plantas e fungos entre os anos de 2014 e 2018. Além dos cinco fungos, foram reconhecidos pela ciência 58 plantas, sendo 47 angiospermas, sete briófitas e quatro licófitas e samambaias. Cerca de 60% das novas espécies ocorrem na Amazônia.

“Além de espécies, as descobertas incluem gêneros novos para a ciência, como os dois gêneros de Angiopermas, Brasilianthus e Carajasia, encontrados nas áreas de afloramento ferrífero de Carajás, de onde são endêmicos. Elas são pequenas plantas herbáceas, de ciclo de vida efêmero e flores discretas, que permaneceram muito tempo desconhecidas dos botânicos”, destacam os pesquisadores André Gil e Pedro Viana.

Plantas – Entre as décadas de 1970 e 1980, um projeto de coleta de dados de recursos naturais, uso da terra e cartografia foi desenvolvido inicialmente na Amazônia e depois no restante do país. Chamada de Radam Brasil, a iniciativa federal operou em grande parte por aerolevantamento. Os pesquisadores encontraram em uma altitude de 350 metros um tipo diferente de planta Amanoa. Amanoa marapiensis é uma espécie encontrada exclusivamente no estado do Pará e seu exemplar original foi coletado em uma área de difícil acesso, à altura do rio Marapi, de onde vem a inspiração para o seu nome. Depositada no Herbário do Museu Goeldi, ela foi analisada muito tempo depois pelo botânico e pesquisador da instituição Ricardo Secco, autor do estudo.

As Amanoa eram plantas com até então 17 espécies registradas, sendo a maioria nos neotrópicos nacionais. No artigo, publicado no periódico Sistematic Botany, Secco descreve, ilustra e comenta a nova espécie.

De seus pares do gênero Amanoa, a A. marapiensis se destaca pelas “inflorescências aglomeradas, congestas, folhas cartáceas, margem plana, ligeiramente revoluta apenas na região basal, com emaranhados de ‘ilhas’ e pontuações brilhosas”, detalha o pesquisador. Outro traço da espécie recém-revelada são nervuras secundárias, bem sutis ao olho nu. O familiar de Amanoa que mais se aproxima dela é a A. steyermarkii Jablonski, encontrada na Venezuela.

Nas curvas do rio Xingu, no Pará, botânicos do Museu Goeldi encontraram uma espécie de Passiflora, gênero botânico de cerca de 500 espécies de plantas, apreciadas por seu fruto popular – o maracujá. São, em sua maioria, trepadeiras, arbustos e algumas poucas espécies são herbáceas. Ao percorrer uma área de vegetação secundária na grande curva do rio Xingu, na Amazônia brasileira, pesquisadores do Goeldi encontraram a Passiflora echinasteris. Ela pertence à série Serratifoliae, juntando-se a outras três espécies brasileiras. Em artigo, a nova planta é ilustrada, são discutidas suas afinidades com espécies relacionadas e uma chave para as espécies brasileiras da série é fornecida.

Fungos – Os fungos pertencem a um reino diferente dos animais e vegetais. Bastante abundantes em todo o planeta, eles constituem o terceiro maior reino do mundo vivo, atrás apenas do Monera e Protista.

Por se tratar de organismos heterótrofos, que não são capazes de produzir seu próprio alimento, esses seres dependem da ingestão de matérias orgânicas para garantir sua sobrevivência, seja viva ou morta. Por esse motivo, os fungos têm um papel fundamental na decomposição de animais e vegetais.

A esse reino de extrema importância foram acrescidos cinco novas espécies. Entre essas descobertas, também foi realizada a descrição de um novo gênero, Anabahusakala, e sua única espécie, a Anabahusakala amapensis, encontrada em folhas de palmeiras da Amazônia.

A lista com todas as espécies descobertas está disponível na mais recente edição do Destaque Amazônia.

Texto: Brenda Taketa, João Cunha, Karolina Pavão, Phillippe Sendas e Joice Santos.

FONTE:  Agência Museu Goeldi –  Página Inicial   

 

 

 

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