Em Barra do Garças-MT, presidente da Funai destaca reinstalação do Comitê Regional das aldeias Xavante

“É preciso um diálogo com as Coordenações Regionais e incentivo e perseverança nas pontas”. Assim afirmou o presidente da Fundação Nacional do Índio, Wallace Bastos, durante a visita que fez à Barra do Garças-MT para se reunir com servidores da fundação e lideranças indígenas do Povo Xavante. A reinstalação do Comitê Regional foi a principal questão debatida.

Ao microfone, Mirian Marcos tsibodowapre, chefe da Coordenação Técnica Local Campinópolis II

foto de capa: de vermelho, o cacique da aldeia Cruz Alta e  servidor aposentado da Funai, Eugênio Maware, que participara do processo de demarcação da Terra Indígena São Marcos

Esta instância regional é de suma importância para o trabalho do órgão indigenista e para a população indígena porque possibilita o planejamento e a avaliação das ações da Funai de forma conjunta entre servidores e indígenas. Nos dias 6 e 7 de novembro, o presidente da Fundação participou da reunião ordinário do Comitê Regional na Coordenação Regional Xavante, que atende cerca de 28 mil indígenas no leste do Mato Grosso. Ainda no dia 5, Bastos se reunira com servidores das Coordenações Técnicas Locais subordinadas à Regional.

Núbia Rocha, coordenadora-geral de Gestão Estratégica da Funai, disse considerar o Comitê Regional uma importante instância de participação social, que faz enormes contribuições à tarefa dos servidores públicos de planejar melhores formas de executar os recursos públicos de forma participativa, junto à comunidade envolvida.

O coordenador regional da CR Xavante, Carlos Henrique da Silva, comentou sobre a estrutura renovada da Coordenação Regional e as dificuldades até chegar à situação atual. Ele ressaltou a importância do protagonismo dos servidores na gestão da CR a partir do ano de 2012, realizada com transparência, publicidade e responsabilidade. De acordo com ele, a CR regional realizou prestação de contas para apreciação dos membros do Comitê. Em fevereiro, haverá um novo encontro para apresentação dos planos de trabalho da CR Xavante para 2019.

Após ouvir as considerações dos servidores e servidoras, o presidente da Funai disse que o objetivo principal da reunião é escutar as demandas e apresentar o que foi realizado durante o exercício da presidência atual. Bastos disse que a questão patrimonial esta sendo tratada de forma cuidadosa, e que a Diretoria de Administração e Gestão (DAGES) vai promover a regularização do patrimônio das Coordenações Regionais no próximo ano.

Em relação à Coordenação-Geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento (CGETNO), o presidente Bastos afirmou que será mais equânime o método de distribuição de recursos às Coordenações Regionais da Funai, conforme critérios como número de indígenas atendidos e situações específicas de cada Coordenação Regional.

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Leonardo Juruna, servidor da CTL Barra do Garças, que atende à TI São Marcos

Reunião com lideranças Xavante

 

O Cacique Simão disse que as promessas feitas para fortalecimento da Funai não sejam desconsideradas. Ele abordou a necessidade de mobilização das comunidades indígenas ao afirmar “é um problema grave que muitos dos indígenas que vão para cidade tentar uma formação profissional não conseguem emprego e não tem nenhum apoio da Funai ou do governo federal, estadual e municipal”, resumiu.

Lucas Madu, da Terra Indígena Parabubure, salientou “o trabalho de plantio de banana e de pequi em sua aldeia, mas é preciso maior apoio da Coordenação Regional e das Coordenações Técnicas Locais para comercializar a produção”.

O cacique Odoni, da Terra Indígena Sangradouro alertou para o grande número de índios mortos na BR-070, e que é preciso pagar indenização para os indígenas. Outro problema é a poluição jogada nos rios da TI; e que é preciso mais fiscalização, disse a liderança indígena.

Presidente da Funai, Wallace Bastos, se reúne com lideranças do Povo Xavante, em Mato Grosso

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O presidente da Funai ouve o cacique Damião Paridzané (fotos: Hilda Araújo e Gérson Campos/Funai)

Lideranças de Terras Indígenas de Areões, Pimentel Babosa e Marãiwatsédé realizaram uma reunião com o presidente da Fundação Nacional do Índio, Wallace Bastos, para tratar sobre as condições do Povo Xavante. O fortalecimento da Coordenação Regional de Ribeirão Cascalheira-MT e a ampliação do Comitê Regional estiveram entre os principais temas abordados durante o encontro.
Cerca de 50 indígenas Xavante participaram da reunião na Câmara de Vereadores de Ribeirão Cascalheira-MT, na última quinta-feira (7), que também contou com a participação da Coordenação Regional/Funai de Ribeirão Cascalheira e da Coordenação Técnica Local Água Boa I, o ouvidor da Fundação, Thiago Fiorotti, e a coordenadora-geral de Gestão Estratégica, Núbia Augusto de Sousa. As lideranças indígenas expuseram os problemas das aldeias e apresentaram suas reivindicações.

 

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Jurandir Siridiwê Xavante, liderança da Terra Indígena Pimentel Barbosa, salientou a participação e o diálogo proporcionados pelo encontro entre o presidente e o Povo Xavante. Ao comentar os casos de invasão de terras indígenas por não índios, Siridiwê salientou a importância do Comitê Regional e abordou aspectos da fiscalização e da gestão ambiental e territorial.

O cacique da aldeia Wedeze (TI Pimentel Barbosa), Tsetetó Siruapi, ressaltou a esperança por melhor assistência e pediu que sejam consideradas as diferenças que existem entre Povos Xavantes. O cacique afirmou que “o trabalho da Funai deve ser feito com quem gosta de indígena e que todos somos iguais e devemos trabalhar e lutar pela causa indígena”.

Representante da TI Areões, Anderson Siruiá, afirmou que desde de 1983 outra terra indígena espera por demarcação: a TI Areões II. Ele também comentou sobre a importância para o Povo Xavante da relação entre sustentabilidade e mecanização da lavoura. Ao falar sobre a retirada ilegal de madeira nos territórios indígenas, Siruiá cobrou mais estrutura para que a Funai atenda a comunidade da TI Areões.

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Damião Paridzané, cacique geral da TI Marãiwatsédé, reivindicou o início das obras do desvio da BR-158 para que a estrada não passe dentro do território indígena, bem como a aplicação imediata do plano protetivo do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Paridzané também cobro a melhoria da fiscalização por parte da Funai, Polícia Federal e Ibama contra as agressões sofridas por indígenas Xavante.

José de Arimateia Tserewamriwe Tserenhitomo, outra liderança da aldeia Marãiwatsédé, apresentou a preocupação da comunidade indígena em relação à BR-158 e reivindicou a necessidade de se efetivar o coordenador regional da Fundação para a região. Ele agradece a presença do presidente da Funai, ressaltando que ela cumpra as determinações da Convenção Nº 169 da Organização Internacional do Trabalho.

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Bastos também Wallace Bastos [à frente da bandeira nacional] em reunião com servidores da Funai na Coordenação Regional de Ribeirão Cascalheira

Ponte de diálogo 

O presidente da Funai, Wallace Bastos, afirmou que o orçamento de 2019 deve atender às três Terras Indígenas, cuja aplicação será decida com a avaliação do Comitê Regional. Bastos destacou “a importância do diálogo para que seja definido o chefe da Coordenação Regional”. Sobre a BR 080, ele explicou que “serão reiniciados os trabalhos para a identificação do componente indígena, tendo em vista que o resultado do trabalho anterior foi rejeitado pelos indígenas e pela Funai”, explicou.

Antes da reunião com as lideranças indígenas, Bastos também se reunião com servidores da Funai na Coordenação Regional de Ribeirão Cascalheira. O coordenador regional substituto da CR Ribeirão Cascalheira, Alexandre Croner, disse que este encontrou serviu para que os servidores da Funai pudessem falar sobre os problemas que enfrentam para efetivar a política indigenista dentro das aldeias, no contato direto com os índios. “O fato de o presidente ter ido conversar com os índios frente a frente dá um novo ânimo para que a comunidade trabalhe, já que nós temos uma da presidência da Funai presente nas aldeias para saber o que que passamos lá e como fazer para melhorar o atendimento aos indígenas”, disse.

FONTE: FUNAI

 

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