Povos Apurinã e Jamamadi buscam ampliar Plano de Gestão Integrada em Terras Indígenas no Amazonas

“É necessário ter uma convergência de esforços entre as instituições do Governo Federal responsáveis pelo desenvolvimento sustentável nas Terras Indígenas e também em outras Unidades de Conservação”. A afirmação é do vice-coordenador da OPIAJ (Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi), Francisco Marcelino, em reunião com o presidente da Funai, Wallace Bastos, sobre o Plano de Gestão Integrada Sul da Amazônia.  

A ampliação do apoio a esse projeto foi o tema do encontro entre as lideranças indígenas, os servidores da Coordenação Regional Médio Purus/Funai e o presidente da Fundação Nacional do Índio, Wallace Bastos, ocorrida em setembro, na sede da Funai em Brasília. As lideranças solicitaram a colaboração da Funai e de outros órgãos governamentais para fortalecer o Plano de Gestão Integrada na contenção do desmatamento ilegal e grilagem que têm avançado sobre a Terra Indígena Peneri-Tacaquiri. Território que fica no município de Pauini/AM, a cerca de 2.100 km de Manaus, por via fluvial.

“Esta reunião é de extrema importância para que a Funai tenha em mãos a possibilidade de auxiliar ainda mais um programa de gestão realizado há três anos pelos próprios indígenas, e que necessita de total apoio institucional. Precisamos encontrar soluções conjuntas entre poder público e associações indígenas para que seja consolidada a gestão integrada dos recursos naturais em território indígena”, avaliou o presidente da Funai, Wallace Bastos.

Conforme disse o coordenador regional da Funai no Médio Purus, Luíz Fernandes de Oliveira, que acompanhou a comitiva em Brasília, “há um diálogo para transformar esse modelo de gestão integrado em um instrumento formal de gestão entre Unidades de Conservação e Terras Indígenas”. A proposta partiu da articulação entre OPIAJ e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), que resultou na ida à Brasília da comitiva de cinco lideranças indígenas, tendo em vista a identificação de uma área de 1.200 hectares desmatada ilegalmente por grileiros dentro da Terra Indígena Peneri-Tacaquiri.

Marcelino relata que uma equipe de indígenas e servidores da CR Médio Purus foram até a área desmatada. “Fizemos registro por GPS, registro fotográfico, e produzimos um relatório. Também fizemos uma expedição de monitoramento na Terra Indígena Guajahaã [no Amazonas]”, afirmou o líder Apurinã, porta-voz da comitiva na reunião. Ele informou que os líderes indígenas também apresentaram o Plano de Gestão ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e ao Ministério Público Federal.

Participaram da reunião:

– representante da OPIAJ;

– representante da Focimp;

– lideranças indígenas da TI Peneri-Tacaquiri;

– Comitê Regional do Médio Purus, representado por Juvenil Apurinã;

– Coordenação Regional do Médio Purus/Funai, na pessoa de Luiz Fernandes de Oliveira; 

– o coordenador da Coordenação Técnica Local Pauini, Evangelista Apurinã; e 

o membro do Conselho Nacional de Política Indigenista, Wallace Justino de Araújo.

Médio Purus, Amazonas

Na região, a Coordenação Regional Médio Purus, presta assistência a aproximadamente 20 mil indígenas de quase 20 etnias diferentes, entre elas, os povos Apurinã, Paumari, Jamamadi, Jarawara, Kanamanti, Banawá, Madiha Deni, Camadeni, Mamori, Katukina, Karipuna, Kaxarari, Mura, Juma, Desana, Baré e Parintintin.

Sua atuação estende-se por uma área superior a 2.000 km de rios, incluindo os igarapés próximos às aldeias, prestando apoio às iniciativas de conservação da mata em pé e exploração econômica sustentável dos recursos naturais pelas próprias comunidades indígenas, especialmente nos municípios amazonenses de Lábrea, Pauini, Boca do Acre e Humaitá.

O Plano de Gestão Integrada abrange parte da região sul do Estado do Amazonas e alcança mais de 20 milhões de hectares nas Bacias dos rios Madeira e Purus amazonense. Com apoio da Coordenação Regional Médio Purus, este projeto foi construído pela cooperação entre a OPIAJ, a Focimp (Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus) e outras organizações [ver abaixo]. Estas duas associações representam os moradores das Terras Indígenas Água Preta, Inari, Guajahaã, Peneri-Tacaquiri, Catipari-Mamoriá e Seruini-Marienê.

União faz a força

Contribuíram para a implementação do Plano de Gestão Integrada, as seguintes organizações:

AMARI – Associação Dos Moradores Agroextrativistas da Resex Ituxi;

APADRIT – Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi;

APIJ – Associação do Povo Indígena Jiahui;

APITEM – Associação do Povo Indígena Tenharin Morõgita;

APITIPRE – Associação do Povo Indígena Tenharin do Igarapé Preto;

APREA – Associação dos Produtores (as) Rurais Extrativistas da Resex Arapixi;

Associação Extrativista Deus é Amor do Rio Inauini;

ATAMP – Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus;

CNS – Conselho Nacional das Populações Extrativistas;

AM OPIAJ – Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi;

OPIAJBAM – Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca Acre/Amazonas;

OPIAM – Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira;

OPIPAM – Organização do Povo Indígena Parintintin do Amazonas;

STTR – Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais de Pauini.

Assessoria de Comunicação Social/Funai

 

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