Suiá Missú – Suiá ‘invadida’ de novo

Área indígena Marãiwatsédé (Alto Boa Vista) está sendo ocupada por pecuaristas do Sul do Pará. 

A terra indígena Marãiwatsédé voltou a ser ocupada por criadores de gado. Dessa vez com anuência da Fundação Nacional do Índio (Funai), conforme noticiou um portal da região (agênciadanotícia). Desde o início do ano a área de pastagens está sendo arrendada a pecuaristas da região e Sul do Pará.

Esses criadores, segundo informações, assinaram contrato de locação de pastos dentro TI Marãiwatsédé, com média de R$ 8 a R$ 10 reais por cabeça. Informações dão conta de que já se encontram na área cerca de 11 mil bovinos. Outros apostam que esta casa ultrapasse a 30 mil, o que renderia aos indígenas algo em torno de R$ 300 mil por mês.

Suiá-Missú, como ficou conhecida mundialmente, passou pelo processo de desintrusão (retirada de povo ilegais de áreas reconhecidas e regularizadas como sendo indígenas) ocorrida em 2013. À época, a Justiça Federal identificou 619 pontos entre residências, comércios como o distrito de ‘Posto da Mata’, além de áreas rurais. Todos tiveram que bater em retirada ou retirados à força para que a TI fosse por vez devolvida ao povo xavante.

Com a decisão da Justiça, o povoado de Posto da Mata deixou de existir. Escolas, posto policial, zona eleitoral, posto de saúde e comércio em geral, foram extintos e, milhares de pessoas tiveram que sair do local e levar consigo os pertences que conseguissem carregar. Algumas pessoas, como era de se esperar, apresentaram sérios problemas emocionais, como depressão, enquanto outras cometeram inclusive suicídio.

Em 2013, o portal da Funai na internet informou que o Incra havia conseguido assentar 30 famílias das 235 da gleba Suiá, (a 8 km de Alto Boa Vista) que haviam sido cadastradas no Projeto Casulo. Segundo noticiou, teriam sido oferecidos outros lotes no assentamento Santa Rita, em Ribeirão Cascalheira, a 178 km do então extinto latifúndio.

Ao que parece, essa queda de braço entre índios e brancos foi em vão ou havia numa das mangas outros propósitos. Se a Funai que lutou até conseguir retirar os invasores da TI Marãiwatsédé para devolver aos seus verdadeiros donos, com o pretexto de cuidar da preservação ambiental e cultural dos índios, por que agora se rende à sanha do lucro e se atira no calabouço da contradição?

Senão, vejamos a declaração no portal da instituição em 2012, feita pelo coordenador regional da Funai em Ribeirão Cascalheira, Alexandre Croner de Abreu, onde diz que “uma suposta invasão é totalmente ilegal e passível de prisão. Esse movimento não tem nenhuma legitimidade”. Ele se referia a uma possível invasão das pessoas recém-retiradas da área e que foi motivo de acirrada demanda no Ministério Público Federal e que culminou com a denúncia de 27 fazendeiros e consequente pedido de R$ 42 milhões para reparação de danos ambientais e recuperação de menos 10 mil hectares de vegetação nativa. A pergunta que não quer calar é se o pisoteio de 30 mil cabeças de gado ajuda recuperar a área?

Sem levar em conta tais agressões ambientais, sob o argumento de evitar queimadas criminosa, a Funai autorizou a Associação Boiú Marawatsede, que representa as seis aldeias da reserva indígena de 165 mil hectares. Destes, 70% são pastagens do antigo latifúndio Suiá-Missú a firmarem contrato de parceria que possibilita a locação da área para pasto.

O cacique xavante Damião garante que existe contrato firmado entre Funai e fazendeiros que ocupam as pastagens de gado, fazem benfeitorias e ao cabo de cinco anos, com o fim do contrato, deixam a eventual infraestrutura (currais, cercas, edificações, outros) para a comunidade indígena local. Damião teria afirmado que o rebanho estimado nas pastagens da reserva são de 11.000 cabeças, mas denúncias dão conta de pelo menos 30.000. O coordenador Alexandre Croner teria confirmado a versão do cacique, a de que os pastos da extinta Suiá-Missú estão sendo alugados através de contratos que foram firmados entre a Associação Boiú Marãiwatsédé.

Ao Semana7, dias depois da matéria veiculada pelo citado portal de Confresa, o coordenador disse ainda que “gostaria de falar, mas preciso respeitar a hierarquia que está em Brasília onde se encontra a documentação”. A redação manteve contatos com a assessoria que ficou de responder as indagações feita por e-mail, mas até o fechamento da matéria não obteve nenhuma resposta.

https://www.semana7.com.br/noticia/8244/suia-lsquo-invadida-rsquo-de-novo.html

FONTE: SEMANA 7   –   Por Da Redação 05/06/2018 – 18:08 hs                                                                           

 

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